PADÊ

O músico paulista Kiko Dinucci lançou em 2009 o ótimo álbum Na Boca dos Outros, com canções de sua autoria interpretadas por excelentes artistas como Fabiana Cozza, Maurício Pereira, Alessandra Leão, entre outros.

Mas o objeto do meu comentário de hoje é o ótimo álbum Padê (2008), parceria de Dinucci com a excelente intérprete Juçara Marçal (que também participou do disco citado acima), sendo este seu primeiro álbum como cantora solista.

Logo depois de escutar esse álbum pensei que, do que já escutei na vida, foi o melhor conjunto de canções influenciado pela musicalidade afro-brasileira que ouvi depois dos famosos Afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes (tanto os originais quanto as belíssimas versões de Monica Salmaso e Paulo Bellinati).

Sambas, lundus, jongos e batuques construíram um álbum imponente, de composições primorosas e arranjos encantadores. Músicas como Machado de Xangô, Mar de Lágrimas e Engasga Gato são três dos 14 temas do disco que comprovam as palavras que acabo de escrever. A atmosfera formada por estas canções de Padê nos remontam a uma cultura (e musicalidade) “atlântica” forjada nestes séculos de trocas culturais (nem sempre pacíficas) entre o Brasil e a África.

Deixo registrado, portanto, meu estímulo para que escutem esse álbum e os outros trabalhos de Kiko Dinucci, além de torcer para que Juçara Marçal incremente o mais rápido possível sua discografia, brindando-nos com sua belíssima voz.

Fiquem abaixo com os vídeos de uma entrevista da dupla  e aproveitem para visitar o MySpace de Kiko Dinucci e Juçara Marçal.

Saudações musicais!

HISTÓRIA DO BLUES NO INSTITUTO CULTURAL

Se eu não estou enganado, nunca escrevi nada aqui no blog sobre um dos meus estilos musicais favoritos: o Blues. Assim, para começar a me redimir, divulgo um curso muito bacana que vai acontecer no Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano aqui em Porto Alegre a partir do dia 30 de março. Confiram abaixo a programação do evento e demais informações, além de uma pitada indispensável de Muddy Waters no final.

Saudações musicais!

A história do Blues no Instituto Cultural

DJ e cronista musical inglês, Robin Clein faz ciclo de palestras sobre o gênero musical

Um dos gêneros mais populares da música e grande fonte de inspiração para o Rock’n’roll, Jazz, Pop, entre outros, o Blues será tema de um ciclo de palestras no Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano. Para falar do assunto, o DJ e cronista musical inglês (natural de Londres), há muitos anos radicado em Porto Alegre, Robin Clein.

Ele vai abordar a história do Blues, contando a origem, explicando os estilos e falando de grandes nomes do gênero no cenário mundial, como John Mayall, Eric Clapton, Robert Cray, Jimmie Vaughan, entre outros.

A primeira palestra ocorre no dia 30 de março, às 20h, no Teatro do Cultural, com ingresso a R$ 15,00. As edições seguintes serão sempre na última terça-feira de cada mês e o projeto se estende até agosto.

Sempre profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos (Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia), o Blues é uma forma musical vocal e/ou instrumental que se fundamenta no uso de notas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, com fins expressivos, evitando notas da escala maior, utilizando sempre uma estrutura repetitiva.

Serviço:

Histórias do Blues com Robin Clein

Local: Teatro do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano

Endereço: Rua Riachuelo, 1257 – Centro Histórico – Porto Alegre

Datas: 30/03, 27/04, 25/05, 29/06, 27/07 e 31/08 – última terça-feira de cada mês

Horário: 20h

Ingresso: R$ 15,00


CONVERSA ESPARSA COM CEUMAR

Créditos da foto: Cláudia Dorey

Quem me conhece sabe o quanto defendo o nome de Ceumar como uma das principais e melhores cantoras brasileiras da atualidade. E é só observar um pouco sua trajetória artística para chegar facilmente a essa conclusão.

A cantora e compositora mineira lançou quatro álbuns com repertórios lindíssimos, formados por canções de grandes compositores brasileiros, incluindo letras e melodias de sua própria autoria. Nos álbuns Dindinha (2000), Sempre Viva (2003) e Achou! (2005, com Dante Ozzeti) predominaram músicas de outros compositores, como Zeca Baleiro, Zé Ramalho, Chico César, Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, entre outros excelentes nomes da poesia e da música nacional.

E ano passado, Ceumar lançou seu quarto álbum, gravado ao vivo no Fecap em São Paulo, intitulado Meu Nome, com canções inteiramente compostas por Ceumar e seus parceiros, como Gero Camilo, Sérgio Pererê, Estrela Ruiz, entre outros. Com estes discos, Ceumar conseguiu inovar sem perder algumas de suas características essencias e que perpassam toda sua discografia:  as letras e melodias agradáveis, a interpretação sempre segura e delicada e o passeio pela diversidade da cultura brasileira e de seus ritmos, sem nunca sucumbir em determinados estilos e complexidades fora de propósito.

E foram justamente essas características que me atraíram quando escutei a mineira pela primeira vez (indicada por um professor amigo meu) cujas canções plantaram em mim um interesse mais forte pela música brasileira.

Assim, espero que vocês apreciem também a música de Ceumar, tanto aqueles que ainda não a conhecem (que absurdo!) quanto aqueles que desejam conhecer mais da artista. Ceumar respondeu gentilmente as perguntas desta entrevista desde Amsterdam, onde está radicada atualmente. Confiram abaixo então esta Conversa Esparsa (muito especial para mim e espero que para vocês também) com Ceumar e deixem seu comentário!

Saudações musicais!

Meu Nome (2009)

1) Conte-nos um pouco sobre o início da tua carreira. Quais foram teus principais passos antes de lançar o álbum Dindinha (2000)?

Ceumar: Bem, eu estudei violão em Belo Horizonte e comecei a cantar por lá, em bares e alguns shows com amigos. Mas foi quando cheguei em Sampa que comecei a formar um repertório, com algumas músicas de Zeca Baleiro e outros amigos compositores. Isto foi em 1995…até que Zeca me incentivou a gravar o Dindinha.

2)  Tu és mineira de Itanhandu mas morou muito tempo em São Paulo. Quais foram as contribuições diferenciadas destes lugares para tua trajetória artística?

Ceumar: Morei 14 anos em Sampa e foi lá que formei um estilo, encontrei amigos/músicos maravilhosos com quem trabalhei e pude estar mais no centro dos acontecimentos. Mas nunca deixei de ver tudo com os olhos de uma mineira do interior.

3) E agora, morando na Holanda, que expectativas essa mudança geográfica e cultural inspira no teu trabalho?

Ceumar: Inspira muito o fato de estar agora numa cidade central, Amsterdam. Daqui posso também saborear uma certa liberdade na minha criação, tenho contato com outras formas de ver e fazer arte.

4) Nos teus primeiros álbuns predominavam canções compostas por outros artistas, todos eles de grande qualidade, aliás (como Itamar Assumpção, Zeca Baleiro, Alice Ruiz, Chico César e Luiz Tatit). Quais foram os principais critérios na escolha dos repertórios destes discos?

Ceumar: A minha escolha passa pela poesia, pela melodia sem complicações e pela forma de expressão destes artistas.

5) A tua dedicação à composição, fundamental no último disco, surgiu quando dos teus primeiros contatos com a música ou é algo mais recente, dos últimos anos de tua trajetória artística?

Ceumar: Sempre fiz minhas músicas, mas era um pouco tímida em gravá-las. Comecei no segundo cd a mostrar alguma coisa e depois fui sentindo mais firmeza! Sempre tento aprender com os mestres da canção e neste último trabalho – Meu nome – senti que era o momento de relaxar e mostrar mais este lado de compositora.

6) Conte-nos um pouco sobre as dificuldades e os prazeres de se fazer um disco ao vivo com composições próprias.

Ceumar: Tive muito prazer em gravá-lo e durante os shows de lançamento foi delicioso ver as pessoas cantando as músicas, acho que valeu!

Difícil é sempre divulgar, comercializar, mas tenho uma parceria muito promissora com o selo CIRCUS ( www.circusproducoes.com ) que também faz a produção no Brasil.

7) Quais foram os principais instrumentistas com quem trabalhaste nos teus discos e shows? E hoje, quais são os que te acompanham na Holanda?

Ceumar: Ainda em Belo Horizonte toquei muito tempo com o violeiro Miltinho Edilberto, que me incentivou muito naquele momento. Foi ele quem me chamou pra ir pra Sampa e começar a tocar por lá. Em Sampa, o primeiro músico com quem toquei foi Webster Santos… fizemos muitos shows em duo com violões! Mais recentemente tocava com Gigante Brasil (bateria) e Lelena Anhaia (baixo). Gigante morreu em 2008 e sempre foi um grande amigo, nos palcos e na vida.

Aqui tenho um trio de jazz, Mike del Ferro ( piano), Olaf Keus ( bateria) e Frans van der Hoeven (baixo). Eles são maravilhosos e tem o maior carinho pela música que faço.

8 ) Saindo um pouco fora da música, que livros e filmes tu citarias como teus preferidos no momento?

Ceumar: Gostei de Avatar, adoro o filme A Partida… e estou lendo O Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa.

9) O que tu conheces e gostas da música aqui do Rio Grande do Sul?

Ceumar: Adoro Vitor Ramil, já cantamos juntos em Sampa…

Gosto da voz de Marcelo Delacroix, das canções de Nei Lisboa…e das milongas!

10)  Quais são teus planos para este ano? Existem shows agendados na Europa? E no Brasil, pretendes voltar a se apresentar quando por aqui?

Ceumar: Vou estar no Brasil entre julho/agosto…espero fazer shows!

Aqui tenho algumas datas com o trio – o Festival Mundial, em junho, por exemplo – onde devemos lançar nosso cd – será Ceumar e Jazz trio LIVE. Estamos mixando no momento.

Vou ainda relançar meu cd DINDINHA, que este ano completa 10 anos!

11)  Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa

Ceumar: Um abraço a todos que passarem por aqui!

Que a música ajude a equilibrar nosso planeta!

AGENDA DE SHOWS (parte 2)

E agora a segunda parte da agenda de shows que acontecem em Porto Alegre nesta segunda metade de março, incluindo espetáculos que ocorrerão sábado (20/03), domingo (21/03) e quarta-feira (24/03).

Saudações musicais!

O QUE: Realidade Paralela (Vanessa Longoni, voz; Marcelo Corsetti, guitarra; Angelo Primon, violão e viola caipira; Luke Faro, bateria e percussão)

QUANDO: 20 de março às 19h

ONDE: Parcão

QUANTO: Entrada franca

DESCRIÇÃO: Na programação das 24h de Cultura do Aniversário de Porto Alegre, o grupo Realidade Paralela apresenta as canções do seu álbum homônimo lançado ano passado em um dos melhores shows do momento. Ótima oportunidade para conferir este trabalho com 4 indicações no Prêmio Açorianos de Música deste ano na categoria MPB: Marcelo Corsetti e Angelo Primon (instrumentistas), Vanessa Longoni (intérprete) e melhor álbum MPB.

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O QUE: Bianca Obino

QUANDO: 20 de março às 19h

ONDE: Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165)

QUANTO: Entrada franca.

DESCRIÇÃO: A cantora Bianca Obino apresentará uma performance musical acompanhada pela bailarina Cibele Sastre.

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O QUE: Xaxados e Perdidos (Simone Rasslan, arranjos, voz, piano e percussão; Álvaro Rosa Costa, arranjos, voz, violão, percussão, cavaco e viola caipira; Roberto Chedid, arranjos, voz, violão,  cavaco e percussão)

QUANDO: 20 e 21 de março às 20h

ONDE: Teatro do SESC (Av. Alberto Bins, 665)

QUANTO: ?

DESCRIÇÃO: O excelente show Xaxados e Perdidos apresentado por Simone Rasslan ao lado de Álvaro Rosa Costa e Roberto Chedid proporciona aos espectadores momentos incríveis de deleite a partir de belíssimas canções garimpadas do cancioneiro brasileiro e arranjadas e interpretadas  primorosamente pelos integrantes do espetáculo. Confiram aqui minhas palavras sobre a apresentação dos músicos na última Feira do Livro de Porto Alegre.

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O QUE: Mulheres da Banda (Vanessa Longoni, Marisa Rotenberg, Andréa Cavalheiro, Ângela Jobim)

QUANDO: 21 de março às 17h

ONDE: Parque da Redenção (em frente ao Monumento do Expedicionário)

QUANTO: Entrada franca

DESCRIÇÃO: Na programação das 24h de Cultura do Aniversário de Porto Alegre, a Banda Municipal de Porto Alegre convida novamente Vanessa Longoni, Marisa Rotenberg, Andréa Cavalheiro e Ângela Jobim para um espetáculo de música brasileira com interpretações e arranjos diferenciados. Confiram aqui meus comentários sobre o Mulheres da Banda do ano passado, com Renata Adegas na formação.

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O QUE: Zilah Machado e Gelson Oliveira

QUANDO: 24 de março às 18h e 30min

ONDE: Sarau no Solar (Duque de Caxias, 968, ao lado da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul)

QUANTO: Entrada franca, recomenda-se a entrega de 1kg de alimento não perecível.

DESCRIÇÃO: A cantora e compositora Zilah Machado apresenta o repertório de seu álbum Ziriguindim, indicado a três Prêmios Açorianos este ano: compositora, intérprete e melhor álbum de MPB. Ao lado de Gelson Oliveira (guitarra e voz) e Edinho Espíndola (percussão e voz), Zilah apresentará seus batuques e sambas praieiros no espaço intimista do Solar.

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O QUE: Cidade Baixa, de Fausto Prado e Caetano Silveira (Alex Alano, Andréa Cavalheiro, Ana Krüker e banda)

QUANDO: 24 de março às 19h

ONDE: Concha Acústica do Espaço Vonpar (Multipalco do Teatro São Pedro)

QUANTO: Entrada franca.

DESCRIÇÃO: Alex Alano, Andréa Cavalheiro (The Hard Working Band) e Ana Krüger (Delicatessen), indicados ao Prêmio Açorianos deste ano como melhores intérpretes pelo álbum Cidade Baixa, de Fausto Prado e Caetano Silveira, apresentam canções que recuperam a atmosfera do conhecido bairro porto-alegrense, acompanhados de uma excelente banda. Imperdível! Confiram aqui o que escrevi sobre o show deles ano passado em Santa Maria.

AGENDA DE SHOWS (parte 1)

Bom pessoal, devido à extensa agenda de shows que ocorrem em Porto Alegre nesta segunda metade de março, resolvi fazer uma lista dos espetáculos que interessam a este blog e que talvez possam interessar  a vocês também. As apresentações de quarta e quinta (17 e 18 de março) estão ordenadas em ordem cronológica de cima para baixo. Aproveitem e esperem que para os próximos dias tem mais.

Saudações musicais!

O QUE: Show Yá-Lé (Karine da Cunha, voz e percussão e Bethy Krieger, piano)

QUANDO: 17 de março às 18h e 30 min

ONDE: Solar dos Câmara (Duque de Caxias, 968, ao lado da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul)

QUANTO: Entrada franca, recomenda-se a entrega de 1 kg de alimento não perecível.

DESCRIÇÃO: No segundo Sarau no Solar do ano e no mês que o projeto homenageia as mulheres, Karine da Cunha e Bethy Krieger apresentam canções que tematizam o universo feminino, entre elas composições próprias de Karine (que já lançou dois álbuns) e clássicos da música popular brasileira. Para mais detalhes confiram o comentário sobre o show que fiz ano passado AQUI.

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O QUE: Beat dos Beatles (Paulo Rosa, voz, Michel Dorfmann, teclado, Rafael Marques, percussão)

QUANDO: 17 de março às 19h

ONDE: Concha Acústica do Espaço Vonpar (Multipalco do Teatro São Pedro)

QUANTO: Entrada franca.

DESCRIÇÃO: Os músicos apresentam releituras originais de músicas dos Beatles, passeando pelo jazz, blues, pop e ritmos latinos.

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O QUE: Instrumental RS (Camerata Brasileira, Pata de Elefante, Quartchêto)

QUANDO: 17 de março às 20h

ONDE: Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul

QUANTO: Entrada franca, recomenda-se a entrega de 1 kg de alimento não perecível.

DESCRIÇÃO: A série de shows Instrumental RS, patrocinada pelo Programa Petrobrás Cultural a partir da Lei de Incentivo à Cultura, já percorreu cidades como Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Tatuí, Rio de Janeiro e agora chega em Porto Alegre. O espetáculo apresenta três dos melhores grupos de música instrumental do estado:  a  Camerata Brasileira (integrada por Anderson Balbueno, percussão, Luis Barcelos, cavaquinho, Moysés Lopes, violão 6, Rafael Ferrari, bandolim  e Rafael Mallmith, violão 7) apresenta composições próprias e clássicos da música brasileira  principalmente através de  choros e sambas,  a Pata de Elefante (formada por Gustavo Telles na bateria e Gabriel Guedes e Daniel Mossman)  com seu rock instrumental refinado e empolgante e o Quartchêto (formado por) Hilton Vaccari, violão, Ricardo Arenhaldt, percussão, Julio Rizzo, trombone e Luciano Maia, acordeon)  demonstrando a habilidade dos seus integtrantes na execução de uma música instrumental regional de muita qualidade. Para saber mais sobre a turnê do Instrumental RS acessem o blog da produtora Dedé Ribeiro.

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O QUE: Realidade Paralela (Vanessa Lonogni, voz, Marcelo Corsetti, guitarra, Angelo Primon, violão e viola, Luke Faro, bateria)

QUANDO: 18 de março às 19h

ONDE: FNAC do Barra Shopping Sul

QUANTO: Entrada franca

DESCRIÇÃO: O grupo Realidade Paralela, depois de dividir o palco com Daniel Drexler, Ana Prada e Queyi, apresenta as canções de seu álbum homônimo lançado ano passado, combinando os sons eletrônicos da guitarra de Corsetti, os sons acústicos da viola de Primon e a bateria sempre precisa de Luke Faro com a voz doce e potente de Vanessa Longoni.

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O QUE: Roger Canal

QUANDO: 18 de março às 21h

ONDE: Café da Oca (João Telles, 512)

QUANTO: R$ 12,00

DESCRIÇÃO: Roger Canal volta a se apresentar em show solo em Porto Alegre após sua turnê européia. Para mais detalhes sobre seu último show na capital gaúcha leiam o post que fiz AQUI.

LIGIANA

Na primeira audição que fiz do álbum de estréia da cantora brasileira Ligiana, De Amor e Mar (2009), fiquei impressionado especialmente com uma das canções do repertório: a releitura feita da música Se (composição de Tom Zé registrada no álbum Estudando o Samba de 1976), na qual foi incluído um trecho do tango Malena (composto por Homero Manzi e Lucio Demare em 1942). Por causa dessa bela combinação entre samba e tango, fiquei fissurado por muito tempo apenas nessa música do álbum.

Mas o tempo foi passando e acabei seduzido pelo álbum inteiro, que transborda de canções fortes e delicadas ao mesmo tempo, uma ambiguidade que permeia as interpretações surpreendentes e convincentes de Ligiana, que começou a carreira como cantora barroca, estudou na Holanda, morou na Itália e na França e  doutorou-se em Musicologia.

A guinada do canto lírico para a música popular teve como um de seus resultados o lançamento deste álbum De Amor e Mar, produzido por Fernando Cavaco e Alfredo Bello e gravado em 5 estúdios entre Paris, São Paulo e Brasília. Fundamentalmente enraizado no samba, mas com certas influências jazzísticas, o disco apresenta diversas músicas garimpadas no vasto manancial do cancioneiro brasileiro, muitas delas quase desconhecidas.

Entre elas: Consideração (Cartola/Heitor dos Prazeres), Pandeiro do Brasil (Luiz Peixoto/José Maria de Abreu) e Conselheiro (Batatinha e Paulo César Pinheiro). Além destas, foram incluídas canções como Onda (composição da própria Ligiana), Festa no Olhar (Philippe Baden Powell/Rodrigo Alzuguir), Chorando Baixinho (Abel Ferreira/Celso Araújo), Só se não for brasileiro nessa hora (Morais Moreira, Luis Galvão), Queda por um samba (Ligiana/Celso Araújo), Canto do Caboclo Pedra Preta (Baden Powell/Vinícius de Moraes), a já referida Se (Tom Zé) e, finalizando de forma belíssima o álbum, Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio.

Além da incrível voz de Ligiana, o álbum foi abrilhantado pelos instrumentistas Emiliano Castro (violão 7 cordas), Marcel Martins (cavaco), Alfredo Bello (contrabaixo) e Douglas Alonso (percussão). Isso sem falar nas excelentes participações especiais: Hamilton de Holanda, Philippe Baden Powell, Marcelo Pretto e Tom Zé.

Para uma prova desse disco imperdível, abaixo vocês podem conferir as canções Conselheiro, Onda e Eu quero é botar meu bloco na rua, além de visitar o MySpace de Ligiana e ler uma ótima entrevista com ela aqui.

Saudações musicais!

UNIMÚSICA 2009 (VÍDEOS)

No ano passado, o  Unimúsica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul trouxe para o Salão de Atos da universidade vários cantores e compositores que integraram a Série Cancionistas do projeto.

Dos oito artistas que se apresentaram no Unimúsica de 2009, escrevi comentários sobre o show de 4 deles: Arnaldo Antunes, Daniel Drexler, Leandro Maia e Richard Serraria.

E nesta postagem rápida retomo o assunto para indicar aos leitores do blog os vídeos de todos estes shows veiculados pela UFRGS TV, que disponibilizou no YouTube as apresentações precedidas de entrevistas com os artistas. Abaixo coloco a primeira parte de cada um dos  4 shows que comentei, bastando para assistir todos os espetáculos seguir a sequência dos vídeos lá no Youtube. Aproveitem e confiram as ótimas apresentações dos brasieliros Arnaldo Antunes, Leandro Maia e Richard Serraria e do uruguaio Daniel Drexler.

Neste ano de 2010, o Unimúsica é dedicado aos percussionistas, sendo que pisarão no palco do Salão de Atos, entre outros, os ótimos Sebastian Vazquez e Hugo Fattoruso e o encerramento será com o fabuloso Naná Vasconcelos. Confiram toda a programação AQUI.

Saudações musicais!

CONVERSA ESPARSA COM MATHEUS KLEBER

Foi em 2007, na apresentação do álbum Mosaico de Angelo Primon em Santa Maria, que conheci o trabalho do músico Matheus Kleber. Na ocasião, comprei também um álbum do Xquinas, grupo de música instrumental que Matheus integra ao lado de Marcelo Corsetti, Luke Faro e Carlos D’Elia.

Desde então, e isso se aprofundou quando vim morar em Porto Alegre, o nome de Matheus Kleber começou a se repetir com frequência nos créditos de álbuns e nos shows de artistas que admiro. Assim, nada mais adequado para a proposta do Música Esparsa do que publicar uma entrevista com esse excelente acordeonista da nova geração de instrumentistas gaúchos, que cada vez mais confirma sua qualidade e criatividade musical.

Confiram abaixo a entrevista na qual Matheus fala sobre sua carreira, sobre os instrumentos que toca e sobre seus planos para 2010 e acessem o MySpace do artista. Além disso, não deixem de conferir no final de março a apresentação de Matheus ao lado do exímio bandolinista Pedro Franco no Teatro do CIEE.

Saudações musicais!

1) Quais são os principais projetos musicais que tu desenvolves atualmente? E quais são suas perspectivas para 2010?

Atualmente estou concluindo o cd IDA, que será lançado dia 30 de março. Trata-se de um trabalho com músicas próprias em duo com Pedro Franco (bandolinista e violonista também da nova geração da música instrumental gaúcha). Este ano também acontecerá o lançamento oficial do DVD do Xquinas, uma banda de música instrumental da qual eu faço parte juntamente com Marcelo Corsetti, Luke Faro e Carlos D’Elia. Paralelamente, trabalho com o violonista Angelo Primon, com quem já me apresentei em diversas formações, mas nesse último ano focalizamos em um trabalho de duo.

Além dos trabalhos relacionados à música instrumental, acompanho diversos cantores. Em 2009 tive o privilégio de acompanhar nomes como: Andréa Cavalheiro, Richard Serraria, Gelson Oliveira, Vanessa Longoni, Ana Krüger, Elisa Machado, Caio Martinez, Juliano Barreto, Adriana Defentti, Rafael Caetano, Neto e Ernesto Fagundes, entre outros. E para fechar o ano com chave de outro tive a satisfação de tocar com o violonista Marcelo Caminha com quem fiz uma série de 15 shows pelo interior do estado agora em dezembro. Este trabalho terá continuidade em 2010 com o show Influência. Enfim, tem um uma porção de outros projetos bacanas que se realizarão em 2010, com certeza é um ano promissor.

2) Quais são os instrumentos que tu tocas? Desde que idade tu iniciaste no mundo da música?

Eu toco acordeon e piano. Comecei muito cedo, aos 7 anos, tendo aulas de acordeon com meu dindo Luciano Rhoden e depois com Adriano Persch, com ambos na FUNDARTE em Montenegro. Portanto, já são 17 anos de acordeon, isso explica as dores na região lombar (risos). Mais tarde, passei a me interessar por outros gêneros musicais além da música regional, o que acabou desencadeando o interesse pelo piano.

3) Como tu percebes a inclusão do acordeón em diversos estilos musicais, inclusive em uma banda de jazz instrumental, como o Xquinas?

Eu acredito que na música não pode haver nenhum tipo de limite, senão ela vira algo previsível e sem graça.  É o mesmo que assistir um filme que em nenhum momento te surpreende, acaba virando um saco (risos). O acordeon, assim como qualquer outro instrumento, pode tocar qualquer gênero musical desde o erudito (recomendo escutar o trabalho do Quinteto Persch) até o metal melódico, vide o cd da banda Scelerata, que gravei duas faixas, o que foi uma experiência muito interessante, e por que não tocar samba ou até mesmo Hip Hop, que é o que tem acontecido no show e no cd Vila Brasil de Richard Serraria. Acredito que esse tipo de flerte com instrumentos mais “exóticos” tem sido uma grande tendência na música atual. Essa semana mesmo estava pensando sobre isso ao ouvir o segundo cd da cantora Céu que utiliza acordeon, assim como tem acontecido em outros trabalhos como o DVD da Vanessa da Mata e do Arnaldo Antunes, ou em cds de cantores como Roberta Sá e Monica Salmaso. Enfim, é a nova geração da MPB utilizando o acordeon. Que bom, os acordeonistas agradecem (risos).

No caso do Xquinas, nós não nos preocupamos muito com rótulos, mas eu não diria que somos uma banda de jazz, claro elementos do jazz estão super presentes, assim como estão elementos do Rock e de música gaúcha. Inclusive, na minha percepção, a principal função do acordeon no grupo é dar uma roupagem mais regional para o trabalho.

4) Quais são as semelhanças e as diferenças de colaborar com artistas diversos, como, por exemplo, no show do álbum Mosaico do Angelo Primon, no Xquinas e na gravação do EP Saga do Filipe Catto?

Bom, são experiências totalmente diferentes. Para mim que estou começando carreira é um grande aprendizado tocar ao lado do Angelo, do Marcelo e de diversos músicos com quem trabalho. Eu sempre digo que a universidade foi muito válida para a minha formação como músico, mas onde eu aprendi e sigo aprendendo mesmo é na hora do “vamos ver”, no palco, tirando músicas, ensaiando e trocando experiências com outros músicos. O Filipe eu tive pouco contato com ele, somente durante a gravação dos pianos do EP, mas me impressionei bastante com a maturidade estética dele, ele sabia exatamente o que queria.  Ele é mais um exemplo de uma série de ótimos cantores e compositores de uma nova geração aqui de Porto Alegre, além dele temos o Rafael Caetano, a Bianca Obino, a Gisele de Santi, a Fernanda Krüger. Enfim, com certeza a música popular gaúcha estará bem representada pelos próximos anos.

5) Que instrumentistas são referências constantes na tua forma de fazer música?

São vários, de diversos estilos e instrumentos, procuro não me deter apenas em pianistas e acordeonistas. Atualmente tenho escutado bastante os prelúdios do Shostakovitch para piano, um guitarrista chamado Kurt Rosenwinkle, uma baixista chamada Esperanza Spalding e o cd Diz que foi por aí do gaitista Gabriel Grossi. Mas focalizando mais nos meus instrumentos, de acordeonistas escutei muito Dominguinhos, Sivuca, Chiquinho do Acordeon, Toninho Ferragutti, Luiz Carlos Borges, Albino Manique, Luciano Maia, Renato Borghetti, Raul Barbosa, Richard Galliano e Frank Marocco. Acredito que todos esses me influenciaram diretamente na minha formação musical. No piano gosto muito do Benjamin Taubkin, André Mehmari, Vitor Araújo, Brad Mehldau, E. S. T., Chick Corea, Oscar Peterson, entre outros.

6) No documentário “O Milagre de Santa Luzia” (que trata da história do acordeón no Brasil) são evidentes as diferenças na forma de se relacionar com o instrumento no nordeste, no centro-oeste, sudeste e sul do país. Como tu te relacionas com essas diferentes influências?

Nesse documentário fica evidente, que o acordeon está presente em todo o Brasil. Por ser um pais muito extenso, cada região acabou criando uma maneira peculiar de tocar o instrumento. Acredito ser o mesmo fenômeno que acontece com o idioma que falamos, é o mesmo no país inteiro mas cada região tem o seu sotaque. Como estudo, acho super válido tirar e transcrever a maneira como acordeonistas de outras regiões do país tocam. Mas quando eu toco um forró ou choro, não adianta, mesmo que seja de maneira involuntária acabam saindo alguns acentos que são muito peculiares aqui do sul. Há um tempo atrás isso de certa forma me incomodava, mas atualmente eu gosto de ter esse “sotaque”, e acredito que ele faz parte da minha identidade e ajudou a compor a minha forma de tocar o instrumento.

7) Quais são as principais dificuldades de profissionalização para um instrumentista da tua geração aqui em Porto Alegre?

Bom, eu muito cedo entrei no “mercado de trabalho”, estou morando aqui a apenas 4 anos, e desde que vim para cá tenho trabalhado bastante. Acho que não cabe mais aquela conversa de que em Porto Alegre não tem espaço onde tocar e não tem trabalho. É claro que se o músico não se mexer, não produzir, fica mais complicado, mas colocar a culpa na cidade não vai resolver. Temos diversos projetos bacanas acontecendo por aqui durante todo o ano, claro teria muito o que melhorar, mas aos poucos vamos chegando lá, o que não vai resolver é ficar em casa de braços cruzados esperando.

Há um tempo atrás acredito que era mais complicado, tanto que existia um mito que para um instrumentista ser bem sucedido ele deveria ir para o centro do pais. Atualmente, eu percebo que um instrumentista, cantor ou compositor pode tranquilamente estabelecer uma carreira sólida morando em Porto Alegre. Por isso, devemos respeitar nomes como Renato Borghetti, Geraldo Flach, Telmo Jaconi e Plauto Cruz, pois eles com certeza abriram diversos caminhos para a nossa geração e enfrentaram diversas barreiras pelas quais hoje não precisamos passar.

8 ) Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Vou deixar um convite, para que compareçam no dia 30 de março no lançamento do cd IDA, às 21 horas no teatro do CIEE. E que sigam acompanhando o blog que é uma ótima iniciativa. Parabéns ao Icaro e vida longa ao Música Esparsa.

Um forte abraço a todos,

Matheus

VERSÕES ESPARSAS 8

Na oitava edição da seção Versões Esparsas, uma releitura da fantástica, estupenda e inesquecível música de Astor Piazzolla intitulada Violentango, a qual o bandoneonista gravou no álbum Libertango de 1974.

Essa releitura foi feita pelo músico argentino Franco Luciani a partir de sua grande habilidade com a harmônica e consta no seu álbum de 2007, Acuarelas de Bolsillo. No vídeo abaixo, Franco apresenta Violentango ao lado do seu grupo no Festival de Cosquín em 2008, festival no qual ganhou o prêmio de revelação em 2002.

Saudações musicais!

REALIDADE PARALELA CONVIDA ANA PRADA E QUEYI

Via divulgação

Um mês depois da memorável apresentação do REALIDADE PARALELA com o cantor uruguaio DANIEL DREXLER, vai ocorrer o segundo espetáculo da série REALIDADE PARALELA CONVIDA. No dia primeiro de março, mais uma vez um artista internacional fará participação no show do grupo gaúcho. A convidada desta vez é a cantora uruguaia ANA PRADA e a compositora espanhola QUEYI. O show ocorre no PARAPHERNALIA BAR (Rua João Alfredo 425 , http://www.paraphernalia.com.br , fone 32215225, 84127255).

O REALIDADE lançou seu primeiro disco no ano passado recebendo grande destaque de toda crítica especializada do país. Formado por Vanessa Longoni, Angelo Primon, Luke Faro e Marcelo Corsetti, o REALIDADE busca novas sonoridades interpretando temas conhecidos. Segundo o crítico mineiro Beto Feitosa, o REALIDADE TRANSFORMA O CONHECIDO EM NOVIDADE. Atualmente o clip do grupo faz parte da programação da MTV.

ANA PRADA é dona de uma voz doce, contundente e maravilhosa. Tem uma carreira de poucos anos e ascendência muito grande. Está lançando seu Segundo album “SOY PECADORA” com distribuição no Uruguai, Argentina e Europa. Já tocou com artistas como Liliana Herrero, León Gieco, Jorge Drexler, Daniel Drexler, Vitor Ramil, Marcelo Delacroix, Lisandro Aristimuño, Samantha Navarro, Fernando Cabrera, entre outros. Ana reflete em suas composições o folklore argentino, a milonga do Prata , a tradição uruguaia, tudo com um toque de modernidade presente em suas belas melodias e interpretações.

QUEYI é compositora espanhola que tem dois discos gravados e larga carreira com projetos de música infantil, entre outros. Faz um grande número de shows na Europa sempre com sucesso. Já participou do show de lançamento do álbum do Realidade Paralela e, a partir da brilhante performance, tornou-se obrigatória sua volta a Porto Alegre, oportunidade que surge agora.

Neste show serão mostrados temas do REALIDADE e composições de ANA PRADA, sempre buscando a sonoridade desafiadora do grupo com o som característico da viola caipira, associado à percussão forte, os timbres eletrônicos e a voz característica de Vanessa, tudo isso com a participação de ANA , QUEYI e suas belas composições.

O QUE: REALIDADE PARALELA CONVIDA ANA PRADA E QUEYI
ONDE : no PARAPHERNALIA BAR( Rua João Alfredo 425 http://www.paraphernalia.com.br , fone 32215225, 84127255)
QUANDO: 01 DE MARÇO – 21 HORAS

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