Diferente dos outros posts abaixo, este aqui não se preocupa em fazer uma síntese da produção de um artista, pelo simples fato de que as duas cantoras das quais falarei comecei a escutar bastante há pouco tempo e, por isso, ainda não tenho informações suficientes sobre suas trajetórias. Assim, meus comentários servirão apenas como dicas bem parciais para os seus trabalhos.

É inegável o número impressionantemente grande de cantoras de qualidade por esse Brasil afora. Quem convive um pouco comigo deve saber disso há horas. Adriana Deffenti, Ceumar, Marina de la Riva, Roberta Sá, Teresa Cristina, Renata Adegas, Karine Cunha, Suely Mesquita, Anna Luisa, para lembrar só de algumas, são excelentes exemplos da qualidade das intérpretes brasileiras.

Hoje quero falar de duas: Mônica Salmaso e Vanessa Longoni.

A paulista Mônica Salmaso é uma daquelas vozes inesquecíveis. O grande músico Arthur Nestrovski já afirmou que um dos instrumentos mais lindos do mundo é a voz dela.

Mônica Salmaso
Mônica Salmaso

Salmaso lançou seu primeiro álbum em 1995, intitulado Afro-sambas, produzido por Paulo Bellinatti e com repertório de sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes, incluindo o magnífico “Canto de Ossanha”.

Depois deste veio Trampolim (1998), que ainda não consegui escutar. No entanto, os outros três álbuns, Voadeira (1999), com participação de Marcos Suzano (nada mais nada menos do que o companheiro de Vitor Ramil em Satolep Sambatown), Iaiá (2004) e Noites de Gala, Samba na Rua (2007), são discos que não paro de escutar faz dias.

Voadeira (1998)
Voadeira (1999)
Noites de Gala, Samba na Rua (2007)
Noites de Gala, Samba na Rua (2007)

Para estimular vocês leitores a conhecerem a artista escrevo para alguns destaques dos álbuns, na minha percepção. Em Voadeira, as quatro primeiras músicas compõem uma das melhores aberturas de álbuns que vi nos últimos tempos. São elas: Dançapé (Mario Gil/Rodolfo Stroeter); O Vento (Dorival Caymmi); Valsinha (Chico Buarque/Vinícius de Moraes) e Canto de Qualquer Canto (Ná Ozzetti/Itamar Assupmção). Todas belíssimas, melodiosas, como o nome dos compositores pode atestar e a interpretação de Mônica exacerbar. Em Iaiá, uma das belezas fica por conta de É Doce Morrer no Mar (Dorival Caymmi), uma de minhas músicas preferidas e que com ela ganha a minha versão preferida. E no álbum Noites de Gala, Samba na Rua, com interpretações de músicas de Chico Buarque, a melhor surpresa: a versão de O Velho Francisco ficou de um jeito que se a palavra divina não existisse teria de ser inventada para descrevê-la.

Ficaram curiosos, pois então vamos lá, escutem-na!

Acompanhando minha audição diária da Mônica Salmaso está o disco de estréia da cantora porto-alegrense Vanessa Longoni, o seu A Mulher de Oslo (2008). Muito esperado, já que o show com mesmo nome teve estréia em 2006, e arranca muitos elogios de público e crítica, tendo inclusive conquistado o Prêmio Açorianos de Música por melhor espetáculo.

Vanessa Longoni (A Mulher de Oslo)
Vanessa Longoni (A Mulher de Oslo)

O álbum de Vanessa é incrível, começando com O Pidido, de Elomar Figueira de Mello, uma belíssima escolha. Produzido por Arthur de Faria (grande músico porto-alegrense que também merecerá um post neste blog), o disco também trabalha com letras do poeta Marcelo Sandmann, excelente por sinal (quem ainda não o leu, procure o livro Lírico renitente). As músicas que mais me prenderam nas primeiras cinco audições seguidas são: Ausencia (Goran Bregovic); Espinho na Roseira (do magnífico André Abujamra, que também merecerá comentários aqui, solo e com o Karnak); Canção das Mulheres do Harém de Lampião (Nico Nicolaiewsky/Aderbal Freire Filho), numa interpretação forte e emocionante e Procissão (Domínio Público), num duo de piano e voz esplendoroso.

Angelo Primon, Diego Silveira, Arthur de Faria e Clóvis Boca Freire
Os parceiros de Vanessa Longoni. Da esquerda para a direita: Angelo Primon, Diego Silveira, Arthur de Faria e Clóvis Boca Freire

Portanto, são essas as dicas por hoje, espero que, se escutarem essas cantoras, também se sintam melhores, como me senti. Abaixo dois vídeos: o primeiro de Mônica Salmaso (O Velho Francisco) e o segundo da Vanessa Longoni (Canção das Mulheres do Harém de Lampião).

Saudações musicais!

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