Porto Alegre
Porto Alegre

Uma das minhas principais motivações na criação deste blog foi e continua sendo a tentativa de divulgar, mesmo que de forma restrita, alguns artistas, algumas músicas que dificilmente temos acesso pelos canais mais tradicionais, como rádio, televisão, imprensa e mesmo shows.

Se, por exemplo, eu não tivesse vindo morar em Porto Alegre e continuasse em Santa Maria e/ou Cachoeira do Sul sem acesso freqüente a internet esse blog nunca teria existido, por uma simples razão: dificilmente eu teria acesso a artistas e obras que tenho nas condições atuais. Isso porque dificilmente também os artistas contemplados no blog aparecem nas rádios, na televisão ou na imprensa ou mesmo fazem shows no interior com regularidade.

O caso de Porto Alegre é um exemplo dessa situação. Se não é um professor que morava na capital me indicar uma artista e depois eu me mudar para cá e começar a ir a shows, acompanhar as notícias nos blogs dos artistas, participar de comunidades em sites de relacionamento, provavelmente se me perguntassem apenas o nome de algum músico da cidade eu não saberia responder.

E essa invisibilidade, como muitos devem saber, não é de hoje. Por isso, mais do que louvável foi o desabafo de Bebeto Alves, quando da homenagem ao conjunto de sua obra na noite do Prêmio Açorianos de Música 2008. Nele, Bebeto fez menção ao fato das rádios na capital não executarem, de forma satisfatória, as músicas feitas pelos artistas locais há pelo menos três décadas. Palavras que devem ter deixado minimamente constrangidos os representantes do monopólio midiático gaúcho presentes no evento.

Como era de se esperar, na notícia do dia seguinte no site da Zero Hora, os comentários superficiais sobre a premiação destacavam na fala de Bebeto Alves seu pedido de um “Parabéns a você” para os seus hipotéticos 100 anos. Pergunto a vocês que me lêem ou que estiveram lá, realmente é o mais importante naquilo falado pelo artista durante sua homenagem? Tudo bem, não sou tão ingênuo de pensar que o jornal publicaria uma crítica desse teor ao seu “jornalismo cultural”.

É impressionante, portanto, o desprezo e o desconhecimento da maioria dos meios de comunicação gaúchos em geral e porto-alegrenses em particular da rica e fértil produção artística musical de Porto Alegre. Não é fácil saber quem está tocando, nem onde, nem quando sem a imersão no mundo virtual.

Alguém pode argumentar, como já me fizeram, que as pessoas em geral não gostam mesmo da música popular urbana do tipo que comento neste blog, preferindo mesmo aquilo que toca nas rádios. Pois bem, além desse argumento pecar no quesito da facticidade, já que se as pessoas não conhecem a música não tem como gostar mesmo, ele parte de uma dicotomia que considero falsa, qual seja: aquela da separação entre a música para o “povão” e a música considerada “cult”. Mesmo levando em conta os limites da recepção de músicas mais experimentais e pouco preocupadas com o aspecto comercial, penso que gostamos de uma música quando ela nos desperta emoções específicas, independente de sua origem, conteúdo ou rótulos que possam ser imputados a ela. Portanto, não ter o acesso a determinadas produções artísticas impossibilita justamente testar se gostaríamos ou não de determinada música.

Por isso, vocês leitores que me acompanham até aqui, se quiserem saber de artistas com produções semelhantes as quais eu comento neste blog, não esperem encontrar fora do mundo virtual, a menos que algo muito diferente e necessário aconteça: a democratização dos meios de comunicações em todos os níveis.

Saudações musicais!

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