“Chove na tarde fria de Porto Alegre, trago sozinho o verde do chimarrão…” Com essas palavras, Vitor Ramil inicia sua Ramilonga e para quem é fã dele impossível não lembrar dessa música nesse sábado de chuva e frio na capital gaúcha.

E não há nada melhor para um clima como esse do que falar de tangos e milongas. Ainda mais da autoria de Jorge Luis Borges.

Foi com grande surpresa e fascínio que tomei contato recentemente com o álbum El tango (1965), composto por tangos e milongas da autoria de Borges, musicados por Astor Piazzolla e interpretados por Edmundo Rivero e Medina Castro. Borges inclusive participou do processo de criação do álbum.

Piazzolla_Borges_ElTango

Se Gardel não tivesse existido (e nem quero pensar nisso!), este álbum seria, na minha opinião, a síntese do tango. A combinação das letras fortes de Borges, do bandoneón e do violino inconfundíveis de Piazzolla e das vozes potentes de Rivero e Medina Castro concentram tudo o que há de bom no tango e na sua vitalidade. E o interessante é que este foi um álbum criticado por muitos “puristas” do tango, que já dirigiam seus rancores a Piazzolla e que se intensificaram quando o mesmo lançou os dois volumes de História del Tango.

Entre as músicas do disco, encontramos desde as conhecidas Jacinto Chiclana e Alguien le dice al tango até Don Nicanor Paredes, El hombre de la esquina rosada e Oda intima a Buenos Aires. Nos vídeos abaixo posto as três primeiras, duas delas com imagens de Rivero interpretando. Deliciem-se, portanto! Para baixar o álbum é só clicar AQUI.

E foi justamente procurando esses vídeos que encontrei relacionados a eles uma interpretação de uma magnífica milonga de Borges, a Milonga de Manuel Flores, em um trecho do belíssimo filme Invasión (1969) de Hugo Santiago, cujo roteiro também é baseado em textos do bardo argentino. Também coloco abaixo o vídeo para vocês conferirem.

Essa milonga, regravada por Vitor Ramil (que está em processo de elaboração de seu álbum de milongas do Borges) no álbum A paixão de V segundo ele próprio (1984), me chamou tanta atenção a primeira vez que a escutei que decidi ser meu epitáfio. Bom, mas não se assustem, a morte entrou em pauta porque neste clima de hoje, sozinho, lembrando de Ramil, Borges, Piazzolla e companhia fica difícil não lembrar desse “costume que sabe ter toda gente”.

Saudações musicais!

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