Na primeira semana deste mês de junho, dois shows especiais aconteceram em Porto Alegre. Na quinta do dia 4, o músico uruguaio Daniel Drexler apresentou-se no projeto Unimúsica da UFRGS e na terça do dia 2, o grupo instrumental porto-alegrense Xquinas fez seu primeiro show neste ano no Cultural.

Adjetivei de especiais os dois shows pelas razões que explicito a seguir.

O projeto Unimúsica deste ano, intitulado Cancionistas: música de hoje, preocupa-se em apresentar para o público alguns dos principais compositores e intérpretes da música brasileira atual, especialmente aqueles considerados “cancionistas”, que fazem da canção a matéria-prima de sua arte.

Segundo Luiz Tatit, no seu livro O século da canção, a fusão entre melodia e letra, entre a música e a fala cotidiana, tomou a forma de canção ao longo do século XX no Brasil e tornou-se uma das principais manifestações artísticas do país e a grande representante de uma “sonoridade brasileira”.

Assim, a presença de Daniel Drexler no Unimúsica (único não brasileiro dos artistas que se apresentaram e se apresentam esse ano ainda) teve grande importância para compararmos a canção produzida no nosso país com aquela feita pelos vizinhos do Prata. Além disso, para quem conhece apenas o trabalho do irmão do cantor, Jorge Drexler, a oportunidade de presenciar o talento de Daniel e dos músicos que o acompanharam é fundamental para uma verdadeira troca entre a arte feita aqui e nos outros países latino-americanos.

Daniel Drexler
Daniel Drexler

No show, Daniel apresentou principalmente composições do álbum Vacío (2006), já que o próximo disco, Micromundo, será lançado em breve. Em boa parte delas, letras inspiradas na vida contemporânea, embaladas por violão, piano/teclado, baixo e percussão. Em duas músicas, uma no bis, os músicos Marcelo Corsetti (na guitarra) e Marcelo Delacroix (na voz), além de Richard Serraria (voz) somente em uma música, fizeram participação especial, deixando clara a tentativa de aproximação da música feita nas capitais uruguaia e sul-rio-grandense.

Um outro aspecto importante do show foi a interação constante dos músicos, especialmente do Daniel Drexler, com a platéia, explicando em várias músicas a origem das letras e seus possíveis significados. Atitude importante para quem ainda não conhecia bem o trabalho do músico uruguaio aqui e que certamente deverá render bons frutos.

Sobre o outro show mencionado, do grupo instrumental Xquinas (composto por Marcelo Corsetti, Luke Faro, Matheus Kleber e Carlos D’Elia) destacamos o esforço destes músicos em manter uma cena de música instrumental em Porto Alegre, apesar do predomínio no estado e no país das canções, como definidas por Luiz Tatit. Perto de lançar seu DVD, o Xquinas demonstrou a qualidade inquestionável de suas composições instrumentais, numa apresentação empolgante.

Xquinas
Xquinas

Não podemos esquecer também que o local do show, o Centro Cultural Norte-Americano, demonstrou possuir um espaço privilegiado para shows no centro de Porto Alegre. A estrutura do auditório Érico Veríssimo é surpreendente e merece receber espetáculos muitas outras vezes. Vamos torcer para que isso aconteça!

Saudações musicais!

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