Se eu tivesse a língua doce

Te cobria de poesia

Ai eu ressuscitaria

Aquele sol que nos queimou um dia

(Mochilinha de porquês, Ceumar/Gero Camilo)

 

Mas se eu não duro nessa sacra via

Busca de alegria para o meu olhar

Eu boto fé na nossa romaria

Asfalto e melodia nunca irão faltar

(Abrapalavra, Vitor Santana)

Mesmo concentrando a maioria dos meus comentários sobre a música feita em Porto Alegre ou que passa por aqui, não posso deixar de reconhecer a imensa qualidade da música feita em outros lugares do Brasil e do mundo.

O destino de hoje é Minas Gerais que, se já ficou reconhecida pela qualidade e vigor de suas canções com o Clube da Esquina, possui uma “nova geração” de intérpretes e compositores de peso.

Não sei o motivo pelo qual demorei tanto tempo para escrever nesse blog sobre a Ceumar, mineira de Itanhandú que acaba de lançar seu quarto álbum. Digo isso porque seus dois primeiros álbuns foram responsáveis por redimensionar meu gosto pela música nos últimos tempos.

Ceumar
Ceumar

Nos discos Dindinha (2000) e Sempre Viva (2003), Ceumar (combinação de céu e mar) demonstrou a beleza incomparável e inconfundível de sua voz e de sua interpretação, com canções majoritariamente de outros compositores (e que compositores!): Zeca Baleiro, Itamar Assumpção, Zé Ramalho, Chico César, Alice Ruiz, Luiz Gonzaga, Arnaldo Antunes, Sinhô, Suely Mesquita, entre outros.

Esses dois primeiros álbuns de Ceumar integram a imensa lista de provas de que se faz excelente música brasileira hoje em dia. Para uma prova de Dindinha (Zeca Baleiro), deixo vídeos com a música-título e de Sempre Viva, os vídeos de O seu olhar (Arnaldo Antunes) e Outra era (Zeca Baleiro/Fagner).

Em 2005, em parceria com o formidável violonista Dante Ozzetti, Ceumar lançou o álbum Achou!, com mais ótimas composições, destacando-se a faixa-título (no vídeo abaixo, letra de Luiz Tatit) e a canção Pra lá.

Neste ano, Ceumar lançou o álbum, gravado ao vivo em São Paulo, intitulado Meu nome, composto exclusivamente por composições próprias ou em parceria, com nomes como Gero Camilo, Estrela Ruiz e Mathilda Kóvak. Um empreendimento importantíssimo num país com número impressionante de ótimas intérpretes, mas que nem sempre se arriscam na autoria de letras e nos arranjos das canções.

Neste álbum, produzido pelo holandês Ben Mendes, Ceumar demonstra sua maturidade e o merecimento de ser reconhecida como uma das melhores compositoras e intérpretes do Brasil atual. Uma artista completa, enfim.

Mas além de Ceumar, dois outros artistas mineiros merecem reconhecimento por suas realizações recentes, são eles: Mariana Nunes e Vitor Santana.

Em parceria, os dois fizeram o álbum Abrapalavra (2006), com letras de Vitor Santana, que demonstram a qualidade de sua composição. As canções ainda deixam transparecer as belas vozes e excelentes interpretações de Mariana e Vitor. Abaixo, vídeos da música-título do álbum e da música Pra não chorar (uma das músicas mais belas que escutei ultimamente), que provam o elogio que fiz agora.

Abrapalavra (2006)
Abrapalavra (2006)

Além disso, ano passado Mariana Nunes lançou seu primeiro álbum solo, intitulado A luz é como a água (título inspirado no conto homônimo de Gabriel García Márquez e que dá nome à faixa-título), composto de versões de excelentes músicas como A violeira (Tom Jobim/Chico Buarque) e Polícia, bandido, cachorro, dentista (Sérgio Sampaio), em parceria com Vander Lee, além de novas canções como Rave no sertão (Flávio Henrique). O álbum encerra com maestria na interpretação do poema Mortal Loucura (Gregório de Matos), musicado por José Miguel Wisnik. Assim, a cantora prova a beleza e a força de sua voz, acompanhada por ótimos compositores.

A luz é como água (2008)
A luz é como água (2008)

Portanto pessoal, fiquem ligados quando aparecerem os nomes desses artistas, pois é garantia de ótima música para seus ouvidos.

Saudações musicais!

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