Na quarta-feira passada (dia 24 de junho) fomos meu amigo Chico Cougo e eu assistir o show de abertura do 1º Fórum MPB (Música Para Baixar) no Teatro CIEE. Apesar de não participarmos das discussões do Fórum, que acompanhou o Fórum Internacional de Software Livre, fomos conferir a apresentação do grupo Realidade Paralela, cujo trabalho já foi comentado outras vezes neste blog.

Na apresentação, composta de 6 músicas, o grupo demonstrou sua qualidade na interpretação de Ghadjavadana, Atirador, Arrastão, Gírias do Norte e na estréia no repertório de Canário do reino (que ficou belíssima) e Amor Wireless, com participação especial de Richard Serraria, canção aliás disponibilizada no site do grupo para download, acompanhando a  temática do Fórum (como já noticiado abaixo).

Chico, que nunca tinha visto a performance ao vivo do grupo, ficou impressionado especialmente com a voz e interpretação da Vanessa Longoni e com a destreza do baterista Luke Faro. Do mesmo modo qualificado, Primon e Corsetti imprimiram a sonoridade do Terratrônix nos ouvidos da platéia.

No entanto, pensávamos que seria apenas esse o show de abertura do Fórum, sendo que, logo após, para nossa surpresa, subiram ao palco o rapper G.O.G., a cantora Ellen Oléria e outra cantora que, infelizmente, não recordo nome.

Ellen Oléria
Ellen Oléria

Mesmo não sendo o hip hop um gênero que me agrade aos ouvidos, sempre fui um defensor de sua importância dentro das diversas expressões culturais brasileiras. E agora sou mais ainda, devido à presença desses dois músicos naquela noite.

Genival Oliveira Gonçalves, o G.O.G., é um rapper bastante conhecido no meio hip hop nacional e desempenha importante papel na divulgação da música da periferia e na valorização da cultura e da população de origem afro-brasileira.

GOG (Foto: Gustavo Gracindo)
GOG (Foto: Gustavo Gracindo)

Além de suas músicas, G.O.G. foi brilhante ao falar sobre a relação da profissionalização musical do hip hop (para o qual é negado o registro de músicos para seus artistas) com as formas de distribuição e acesso às músicas pela internet e também sobre a situação da população negra no Brasil.

Na sua apresentação, destaque para as música Brasil com “P”, do álbum CPI da Favela (200o), composta por palavras somente iniciadas com a letra “P” e Carta à Mãe África do álbum Aviso às gerações (2006). Abaixo os vídeos com as músicas, incluindo um da Ellen Oléria, que tem voz e interpretação impressionantes, na música Senzala (Feira da Ceilândia). Aliás, Ellen lançou este ano seu primeiro álbum, intitulado Peça.

No fim, uma das possíveis conclusões, para nós espectadores, é da relação intrínseca entre os grupos que monopolizam a arte no Brasil e no mundo com o grupo social que tenta excluir da vida digna uma parcela gigantesca da população brasileira, acometida pelo racismo e pela falta de oportunidades na sociedade “liberal” que se construiu e se reproduz justamente a partir dessas exclusões, ou melhor, “inclusões” por exploração.

Depois de tudo isso, ainda teve o show da Bataclã FC, como o Richard Serraria, mas a fome e a hora adiantada nos fizeram ir embora. Mas aqui no blog esses artistas terão espaço em seguida.

Aliás, para conferir as peripécias da nossa ida e vinda do Teatro acessem o link do blog do Chico, no qual ele dá a versão dele para nossa “mazzaropada: http://memoriasdochico.wordpress.com/2009/06/25/mazzaropada/

Saudações musicais!

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