Hipnotizado! É como fiquei ao assistir hoje (16/08) a apresentação feita pelo duo Willy González e Micaela Vita no Grande Hall do Santander Cultural, aqui em Porto Alegre.

Em tempos de descobertas em relação à apropriação musical do folclore latino-americano em geral e do argentino em particular (com a influência do amigo Chico Cougo), deparei-me com um projeto refinado dos dois músicos argentinos.

Baseando seu repertório em temas do folclore latino-americano (principalmente argentino e peruano), o duo faz um som calcado no baixo de Willy González e na voz de Micaela Vita, dando uma roupagem crua, intimista e renovadora para as canções que interpretam.

Willy González é baixista reconhecido e premiado na Argentina (venceu os prêmios KONEX e  Gardel), com Monos con Navajas e na parceria com Juan Falú e Rodolfo Sanchez. Já Micaela Vita é uma das revelações das vozes femininas na Argentina, com voz doce e poderosa. Ambos gravaram apenas um álbum, por enquanto, intitulado Ares y mares.

Ares y mares (2005)
Ares y mares (2005)

No show de hoje, último da turnê da dupla pelo Brasil, os músicos demonstraram sua imensa qualidade e emoção na apresentação das canções, iniciando com a formidável Milonga Triste (Homero Manzi) e incluindo músicas como Mi Charango (Fortunato Ramos/Willy Gonzáles – huayño) e Zamba del Abuelo (anônimo chileno/Willy González).

Apesar da acústica do espaço não ter favorecido muito a demonstração de todas as complexidades do som do duo, as zambas, chacareras, milongas e otras cositas más ficaram esplêndidas, combinando a voz, o bumbo legüero e o cajón de Micaela e o baixo e flauta andina de Willy. Ou seja, folclore nas canções e nos instrumentos.

Quem não foi perdeu um dos melhores shows do ano aqui em Porto Alegre e para se consolar ou ficar ainda mais chateado, deixo dois vídeos com o duo: El Avenido (Cuchi Leguizamón – huayño) e Bailarin de los montes (Peteco Carabajal – gato).

Saudações musicais!

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