Este post é uma espécie de “acerto de contas” deste blog com a música nativista/regionalista, já que desde que este espaço virtual foi criado no início deste ano ela não foi protagonista de nenhum comentário.

Para quem conhece minhas preferências musicais nenhuma novidade, já que sabem do meu desconhecimento sobre a música do Rio Grande do Sul de temática regional. Apesar de na minha família existirem apreciadores do gênero, minha formação como “ouvinte musical” foi muito mais vinculada ao rock e à música popular urbana.

Aliás, foi a partir dos elementos regionais incorporados pela música popular urbana, mais precisamente o álbum Ramilonga do Vitor Ramil, que comecei uma aproximação mais sistemática com a música nativista. Aproximação facilitada pelo meu gosto cada vez maior pela música argentina, primeiro e fanaticamente pelo tango e depois por suas outras diversas manifestações, tais como as milongas, chacareras, zambas, candombes, etc.

Assim, cerca de um ano atrás, surpreendido com a quantidade de intérpretes femininas na música popular brasileira contemporânea, especialmente aqui no Rio Grande do Sul (Vanessa Longoni, Adriana Deffenti, Renata Adegas, Karine Cunha, entre outras), recebi uma dica de uma cantora também aqui do estado mas que, diferente das outras, vinculava-se à canção nativista.

O nome da intérprete era Shana Müller e logo entrei em contato com seus dois álbuns, Gaúcha (2004) e Firmando o passo (2006). De pronto surpreendi-me com a bela voz e emocionante interepretação da cantora. No entanto, como continuei não estreitando laços com a audição de músicas nativistas, a audição deste álbuns foram cedendo espaço para inúmeros outros na minha rotina diária de contemplação musical.

Shana Müller
Shana Müller

Em abril deste ano, no entanto, ao assistir à entrega do Prêmio Açorianos de Música, ouvi falar novamente no nome da cantora, agora integrante do grupo Buenas e M’espalho, cujo álbum de estréia foi vitorioso na noite de premiação. Mas foi apenas ontem (18/08), que assisti pela primeira vez um show do trabalho solo da cantora no Teatro Bruno Kiefer na Casa de Cultura Mário Quintana.

Comemorando 5 anos de carreira, já que havia lançado o primeiro álbum no mesmo palco em 2004, Shana apresentou temas dos dois discos gravados e do próximo álbum a ser lançado provavelmente em outubro. O que ficou evidente na apresentação foi a qualidade da voz e da interpretação da cantora, exemplificada nas canções Um vistaço na tropa, Carreira de campo e no tango Garganta con arena (Cacho Castaña).

Além disso, acompanhada de ótimos músicos, como o baixista Felipe Alvares (vencedor do Prêmios Açorianos deste ano de melhor instrumentista na categoria de música regional), Shana representou a qualidade da presença feminina na música nativista, coisa ainda rara por estes pagos.

Portanto, é provável que o trabalho de Shana Müller dê um novo fôlego à minha aproximação com a música nativista, mesmo sabendo da resistência do meu ouvido e das minhas emoções às melodias e temas que a maioria dos representantes deste gênero executam. Mas uma coisa é certa: o trabalho de Shana Müller deve ser apreciado e ainda renderá muitos frutos dentro da música do Rio Grande do Sul.

Para acessar o blog da cantora clique AQUI. Abaixo deixo dois vídeos: O cantar que nos hermana (Érlon Péricles/Carlos Souza) e Abre essa gaita (executada na XIX Vigília do Canto Gaúcho lá de minha terra natal, Cachoeira do Sul).

Saudações musicais!

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