De tão impressionado que saí ontem do Teatro do Bourbon Country, os possíveis superlativos que poderia utilizar para caracterizar o espetáculo que vi, agora me escapam.

Trata-se da primeira noite do show coletivo POA-Montevideo Sin Fronteras, parceria entre músicos brasileiros e uruguaios feita especialmente para o 16º Porto Alegre Em Cena. Entre eles: Danny Lopez (piano e acordeón, UY), Marcelo Corsetti (guitarras, BR), Federico Righi (baixo, UY), Javier Cardelino (percussão, UY) e Giovani Berti (percussão, BR).

Pois é, esse pessoal foi tão importante na noite quanto aqueles que nomeavam o show: Vitor Ramil e Marcelo Delacroix (Brasil) e Daniel Drexler e Ana Prada (Uruguay). Na verdade, se pudéssemos subverter a organização tradicional dos shows, instrumentistas e intérpretes poderiam ter se revezado ontem entre a frente e o fundo do palco com o mesmo brilhantismo.

Um grande mérito do espetáculo, além de comprovar (se é que ainda precisava) a qualidade, a criatividade e a  competência dos músicos envolvidos, foi a de cumprir o objetivo anunciado: estabelecer uma troca   musical coletiva entre culturas próximas, mas que às vezes parecem distantes pelas contingências da vida. Todos os músicos, absolutamente todas as performances, na minha opinião, tiveram momentos apoteóticos na noite, com uma excelente escolha de repertório e de arranjos.

Os intérpretes apresentaram de 3 a 4 canções de seus trabalhos, com combinações diferentes de parcerias vocais e instrumentais. Logo após a música que os artistas executaram na chegada ao palco (Frontera), o show chegou “chutando a porta” com Ramilonga (Vitor Ramil), enriquecida por um arranjo multinstrumental magnífico, como nas guitarras e efeitos de Marcelo Corsetti, e com a interpretação sendo dividida pelos 4 cantores da noite.

As outras músicas de Vitor Ramil foram: Que horas não são, que no álbum Vitor dividiu os vocais com Kátia B e no show foi com Ana Prada, uma idéia que deu muito certo e fez a platéia vibrar com a belíssima interpretação da canção; Não é céu com um final instrumental incrível no “dueto” entre o baixo de Federico Righi e a guitarra de Corsetti e Estrela, estrela já no bis, que certamente emocionou muita gente.

Vitor Ramil
Vitor Ramil

A música de Marcelo Delacroix apareceu em Chove sobre a cidade, destacando-se a percussão do Giovani Berti, Ciranda da Lua, num dueto voz e violão com Ramil, Diáfana, com um final de catarse coletiva cantando a citação de Colombina de Nelson Coelho de  Castro e Cantiga de Eira, abrilhantada pelo acordeón de Danny Lopez  e que encerrou o show.

Marcelo Delacroix
Marcelo Delacroix

Das canções de Daniel Drexler, fizeram parte 20/21, que teve interpretação coletiva empolgante, Salón B (num dueto com Vitor) e Vacío, com a bateria de Javier Cordelino saindo faísca!

Daniel Drexler
Daniel Drexler

Das canções de Ana Prada, fizeram presença: Tentempié, Soy Pecadora e Tierra Adentro. A segunda uma “milonga-rock” que botou abaixo o teatro, principalmente com a bela performance de Ana e com a guitarra “suja” de Marcelo e a terceira com belo acompanhamento do acordeón de Danny Lopez.

Ana Prada
Ana Prada

Se o show foi encerrado com uma música sobre poema de Barbosa Lessa, o bis foi com uma canção de Eduardo Mateo (Yulelé), respectivamente grandes expoentes da cultura no Rio Grande do Sul e no Uruguai. Portanto, o planejamento e a execução do espetáculo foram precisos e de muita qualidade, com certeza emocionando o público que estava lá, o qual deverá lembrar do espetáculo  por muitos e muitos anos.

Para quem ler esse post a tempo, ainda podem conferir a segunda apresentação do espetáculo hoje à noite (13/09), às 21h no Teatro do Bourbon! Aproveitem e que venham muitos mais projetos dessa qualidade empolgar nossos ouvidos e emoções!

Abaixo um video da abertura do show que já colocaram no YouTube (Oigalê!):

Saudações musicais!

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