Comentários rápidos para quem não seguiu o conselho dado ontem aqui neste blog e perdeu a oportunidade de assistir hoje (22/09) mais uma edição do projeto Sons da Cidade no Teatro Renascença, desta vez com as músicas de Roger Canal e do trio Marcelo Corsetti, Angelo Primon e Matheus Kléber.

Como não conhecia ainda o trabalho de Roger Canal, fiquei atento à sua performance, que mesclou violão, trompete, “molho de chaves”, bombo legüero e recursos eletrônicos vários. O multinstrumentista fez aparecer o lado mais “artesanal” da música, construindo a mesma ao longo da sua apresentação, muito bem acompanhada pelas imagens projetadas por Dedé Ribeiro, nas quais apareciam a sombra do músico. Na sonoridade de Canal (e vou falar aqui o que veio mais de imediato à minha cabeça, tendo grandes chances de não haver nenhuma correspondência com os propósitos do músico) encontrei paralelos com milongas, jazz e sonoridades bem brasileiras, parecidas com as músicas de Dorival Caymmi e com os afro-sambas de Baden Powell. No entanto, o que mais me surpreendeu na apresentação do músico foi que os três primeiros temas me causaram sensações das quais surgiu uma conclusão estranha: para mim, se Gregor Samsa e Joseph K. tivessem uma trilha sonora para suas histórias, seriam aquelas músicas de Canal a sua expressão.

Roger Canal (Crédito: Paola Peralta)
Roger Canal (Crédito: Paola Peralta)

Mas a noite de música instrumental não parou por aí e encerrou com chave de ouro na apresentação de um fôlego só do trio, reunido pela primeira vez, formado por Marcelo Corsetti (guitarra), Angelo Primon (violões) e Matheus Kleber (acordeón). Recheada de temas dos trabalhos de Corsetti e Primon a performance ainda teve solos fantásticos dos três instrumentistas. Detalhe é que, além de tocarem quase uma hora sem parar, os músicos emendaram entre os temas de sua autoria uma parte da Bachiana  Brasileira Nº 2  (conhecida como Trenzinho Caipira) do Heitor Villa-Lobos, que ficou esplêndida.

Angelo Primon, Marcelo Corsetti (abaixo) e Matheus Kleber
Angelo Primon, Marcelo Corsetti (abaixo) e Matheus Kleber

Bom, o que eu tinha pra dizer era isso. E fiquem atentos, porque logo trago mais informações sobre outros shows com esses músicos, para compensar a ausência de quem não foi hoje prestigiar e mesmo daqueles que ainda não conhecem o trabalho deles.

Saudações musicais!

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