Ontem foi uma noite de vários shows em Porto Alegre. Gelson Oliveira abriu o 12º Festival de Música de Porto Alegre, Arnaldo Antunes apresentou seu álbum Iê Iê Iê no Bar Opinião e Richard Serraria foi o convidado deste mês do projeto Unimúsica da UFRGS, com o show do álbum Vila Brasil.

Gelson é um cantor que admiro muito, assim como Antunes (este último álbum gostei bastante), mas o show do Serraria foi algo extraordinário ontem. A energia e a emoção do intérprete combinadas com um repertório de canções muito bem construídas, com um time de instrumentistas de primeira, com acompanhamento vocal de três das melhores cantoras de Porto Alegre e ainda com um espetáculo sempre muito belo do teatro de sombras da Cia. Lumbra comprovaram na noite de ontem que Porto Alegre pode fazer um show de música brasileira inesquecível e de alto nível.

Na banda: Rodrigo Reinheimer (baixo), Matheus Kléber (acordeón), Mimo Ferreira (percussão), Lucas Kinoshita (bateria), Marcelo Corsetti (guitarra) e Angelo Primon (violões). No trio de vozes: Andréa Cavalheiro, Vanessa Longoni e Loma. Se cada um desses artistas poderia fazer um tremendo show tocando sozinhos, imagina reunidos!

Richard Serraria
Richard Serraria

E foi isso que aconteceu ontem no Salão de Atos da UFRGS, com Richard Serraria interpretando diversas canções do repertório de Vila Brasil, como Tudo Tão Velho, Bem de Cantinho, Jaqueline Nega Diaba, Soluço de Preta Mina, entre outras, uma música do repertório da Bataclã FC (A Felicidade do Bataclã) e inclusive uma versão de Lenine (Sob o mesmo céu).

E o trio de instrumentistas que comentamos dias atrás, quando fizeram show inédito no Renascença, demonstraram sua destreza. Matheus Kléber e seu acordeón em Bem de Cantinho e O Pampa e a Cidade, Marcelo Corsetti com a guitarra em Nuvem se Faz Mãe e Aroeira e Angelo Primon, também em Aroeira com o sitar (que combinou muito bem com os efeitos da guitarra de Corsetti) e com o violão em Soluço de Preta Mina (combinando bem agora com o acordeón de Matheus).

E sobre o trio de vozes, não foi à toa que, na minha percepção, as músicas mais fortes do show foram as que Cavalheiro, Longoni e Loma participaram mais ativamente, como em Tudo Tão Velho e Mãe Parteira da Preta Senzala.

Além disso, no início e no fim do show, quem presenciou viu um espetáculo de percussão, na abertura com a canção Giba Gigante Negão e no encerramento com a participação do Maracatu Truvão, com os integrantes da banda indo para a frente do Salão de Atos, provocando uma catarse coletiva no final do show.

Assim, foi uma performance fantástica de Richard Serraria e banda, destacando a sonoridade de canções com poemas bonitos e com conteúdo crítico (como em Tudo Tão Velho) ou afetivo (como em Nuvem se Faz Mãe). As parcerias de Richard nas letras, como Marcelo “da Redenção” Cougo (que se apresentou no show) reforçam a qualidade do álbum Vila Brasil, demonstrando bem que a brasilidade da música feita no Rio Grande do Sul passa pela arte de Richard Serraria.

Abaixo vídeos da música Aroeira e Giba Gigante Negão.

Saudações musicais!

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