Foto: Ieve Holthausen

Nesta quinta-feira próxima (dia 25/02), você que estiver em Porto Alegre está convocado a comparecer no show Saga: Violão & Vísceras, do cantor e compositor Filipe Catto.  Este espetáculo imperdível acontece às 20 horas no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mário Quintana, com entrada franca!

Filipe lançou ano passado seu primeiro trabalho solo, o EP independente Saga, o qual comentamos em agosto do ano passado AQUI no blog. No repertório, um desfile de lindíssimas canções, com letras refinadas e interpretações impecáveis e emocionantes.

E para convidar especialmente os leitores do Música Esparsa para este show no Teatro Bruno Kiefer, preparei uma entrevista com Filipe, que gentilmente respondeu algumas perguntas sobre o seu trabalho e sobre seus planos para este ano de 2010. Confiram abaixo, portanto, esta Conversa Esparsa especial e compareçam no show de Filipe Catto, além de, claro, baixar o EP do artista no seu site e visitar seu MySpace.

Saudações musicais!

1) Como foi a recepção do teu EP Saga aqui em Porto Alegre e em outros lugares do Brasil?

Está sendo maravilhosa, muito além das minhas expectativas. Eu sou muito grato ao público, acima de todas as coisas. Aqui em Porto Alegre, foi o público e apenas ele quem bancou minhas apresentações e me deu suporte para tocar o projeto. Sinto-me muito feliz por isso, porque todos sabemos como é difícil dar esse primeiro passo. E o disco vem sendo muito bem recebido em todo o país, especialmente no sudeste e nordeste, o que me surpreendeu ainda mais. Eu recebo muitas mensagens de lugares que tu nem imaginas, toquei no interior do Mato Grosso do Sul e foi lindo demais. Espero que continue assim.

2) A divulgação do teu trabalho pela internet foi uma alternativa pensada previamente ou ao longo da formatação do EP? Quais são as vantagens e desvantagens (se elas existem) dessa forma de apresentação das tuas músicas?

Eu não vejo desvantagem alguma nessa apresentação, é uma escolha clara que foi planejada desde a concepção do projeto tanto por mim quanto pela Kika Lisboa, minha produtora, e pelo Sérgio Guidoux, que produziu o cd. As pessoas baixam música, compartilham música, e eu acredito muito mais no boca a boca do público que em qualquer outra coisa. Disponibilizar meu disco para download gratuito, para mim, é uma forma de tocar a divulgação para os fãs, e vem funcionando muito, especialmente pela dimensão da coisa. Qualquer um no planeta tem acesso ao meu trabalho, ele não está restrito às lojas. E outra: ia acabar na internet de qualquer forma, eu só coloquei no meu site primeiro. Quer baixar? Baixa do site oficial, ai já vê os vídeos, manda recado, interage. Eu gosto de pensar que estou jogando no mesmo time que o público, que me recompensa na comunicação direta e quero manter a coisa assim mesmo com algum futuro trabalho por selo ou gravadora. Tem muita gente que diz que quer o disco, que quer comprar, contribuir e eu respondo: “contribui passando o disco pra quem tu quiser”, esse é meu pagamento. Meu negócio é ser ouvido.

3) Duas das fortes influências nas tuas músicas são o tango e a música popular brasileira. Em que artistas destas tendências tu te inspiras de forma recorrente?

Eu escutava muito a Orquestra Típica Fernandez Fierro, de Buenos Aires, quando estava produzindo o disco. Eu sentia que a força e a sensualidade do tango cabiam no meu recado, combinavam com as letras. Agora, de forma recorrente, eu me inspiro em diversos artistas, como PJ Harvey, cujas letras eu adoro, Chico Buarque, Elis Regina, Clara Nunes, Maysa, Dolores Duran… essas coisas mais antigas de fossa, eu adoro. Mas são fases, né? Meu repertório para compor depende muito do universo que eu estou querendo mergulhar, da proposta. Para o SAGA foi muita dor de cotovelo, tango, samba… não que isso seja uma regra para outros trabalhos. Hoje eu ando escutando muito blues, Dylan… vai saber o que vai sair disso?

4) Como foi a escolha dos instrumentistas que participaram da gravação de Saga? Algum deles te acompanha nos shows?

Os shows do disco se chamam “SAGA: Violão & Vísceras”, que são apenas de violão e voz. Eu sou acompanhado pelo Ricardo Fa, grande violonista que gravou comigo e que eu conheço há muitos anos. Mas, na época da gravação, o mais importante era a espontaneidade e a capacidade do músico de contribuir com as canções. Eu não consigo trabalhar com músicos executores, que não colocam sua marca ali. Não gosto! Foi muito bacana ter o Jua Ferreira (bateria), o Plinio Salles (baixo), o Matheus Kleber (piano), o Carlito Magallanes (bandoneón) na gravação, porque eles vinham com umas linhas melódicas que me surpreendiam e elevavam minha música, me deixavam instigado. E isso fez as músicas crescerem.

5) No teu perfil do MySpace consta a frase: “Cantar é minha Vingança”, que reforça, numa possível interpretação, o vínculo entre arte e subjetividade. De outra maneira, há quem diga que arte é uma forma de mostrar uma visão diferenciada do mundo. Partindo dessas duas premissas, que “mundo” os teus ouvintes podem vislumbrar a partir da subjetividade expressa nas tuas canções?

O universo do SAGA é o inconfessável, eu acho. É aquele lugar até meio desconfortável, que vem de sentimentos que eu não sei lidar direito. É um universo meu, sim, mas todo mundo tem isso. Então eu tentei ilustrar isso no conceito de cabaret, desse lugar viciado, carnívoro, luxurioso e falar da dor de uma forma vibrante, vitoriosa, até meio debochada. Eu gosto do lado sombrio do amor, das coisas que as pessoas não falam, dos pecados e, principalmente, das fantasias. Aquela coisa que passa pela tua cabeça, mas que não se fala sobre. Acho fascinante.

6) Nas tuas músicas há um diálogo constante entre a interpretação dramática e as letras de conteúdo subjetivo, sempre em primeira pessoa. Tu poderias indicar algum livro e/ou filme que expressam também esse diálogo (entre drama e narração em primeira pessoa) de uma maneira que te despertaste a atenção?

Eu gosto de filmes desconfortáveis. O Irreversível é assim pra mim, Dogville… mas acho que o disco tem mais a ver com Cabaret mesmo (risos), pelo menos esteticamente. Mas não sei te dizer muito bem, a coisa da primeira pessoa é bem ingênua na minha música, eu escrevo o que eu sinto… desde o plano real até as coisas que passam pela minha cabeça. O drama é meu, não seria minha música se não tivesse o drama, não é como se eu tivesse muita escolha não.

7) Quais são teus principais projetos para esse ano de 2010? Como pretendes superar a provável dificuldade de nem sempre existirem espaços diversificados para mostrar teu trabalho?

Os principais projetos pra esse ano são os shows pelo Brasil, especialmente Fortaleza e São Paulo, além de Buenos Aires e algumas cidades do interior. É o maior foco: ir onde os fãs estão pedindo shows, esse é nosso termômetro. Existem diversos espaços incríveis no Brasil pra apresentar o show, é só uma questão do trabalho ir maturando e sendo mais conhecido para que isso role naturalmente. Tem SESC, fundações, teatros… diversos locais bacanas. O que complica é a grana mesmo, nunca é fácil de se levar a equipe, o cenário… e fazer show capenga é feio, não acrescenta. Eu aposto muito no patrocínio direto para que esses shows aconteçam, vamos ver. No que depender de mim eu estarei lá.

8 ) Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Pessoal, usem o poder de divulgação que vocês têm para apresentar músicas bacanas para os amigos, para as pessoas, compartilhar, opinar, elogiar ou meter o pau. A internet está aí para a gente se manifestar. Hoje, quem manda no mercado são vocês, o que vocês elegem ninguém desbanca. Os músicos independentes agradecem!

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