Em março do ano passado fiz um singelo post comentando um pouco os álbuns lançados pelo Wandula, grupo curitibano de música contemporânea independente. Formado em 1999, o grupo é composto por Edith de Camargo (suíça radicada no Brasil), vocalista e acordeonista; Marcelo Torrone, pianista e tecladista; Claudio Pimentel (violonista); Rafael Martins (guitarrista); J.C.Branco (percussionista); Raphael Buratto (violoncelista clássico), Felipe Ayres (harpista) e Denis Nunes (baixista). Em 2002, Wandula lançou seu álbum de estréia, homônimo, em 2005 um Ao Vivo e em 2007 o cd duplo La Récréation. Na sonoridade do grupo, uma combinação refinada e criativa entre classicismo, minimalismo, experimentalismo, chanson française, entre outras influências.

Amanhã (23/02), no Wonka Bar, em Curitiba, o Wandula faz seu primeiro show em 2010, intitulado Wandula Standards, que mescla canções autorais com releituras de ótimos artistas como Alex Beaupain, Massive Attack, Radiohead, Yann Tiersen, Regina Spektor, Tindersticks, entre outras surpresas.

Assim, para inaugurar o ano musical do Wandula, temos a honra de publicar uma pequena entrevista respondida gentilmente por Marcelo Torrone, pianista e tecladista do grupo. Além de conferir as idéias do músico, apreciem as músicas no site e no MySpace do Wandula, confiram  o ótimo comentário sobre o grupo no Mondo Bacana e quem estiver em Curitiba amanhã, aproveite e prestigie o Wandula Standards.

Saudações musicais!

1) Conte-nos um pouco sobre a formação do grupo Wandula e sobre sua proposta musical.

O Wandula teve sua primeira formação em 1999 com Marcelo Torrone, Claudio Pimentel e Edith de Camargo. A idéia era apresentar uma música diferente, com influências do minimalismo, experimentalismo, do pop e da chanson française.

2) É notável na formação do Wandula a diversidade das trajetórias dos seus integrantes e, por isso, também, das influências musicais na sonoridade do grupo. De que forma essa heterogeneidade contribui no processo de criação/composição das músicas, dos álbuns e dos shows?

É difícil explicar. Tudo foi acontecendo muito naturalmente. Mas é certo que cada um contribui com sua bagagem e experiência individual.

3) Vocês já fizeram shows na Europa, mais especificamente na Suíça. Como foi a recepção da música de vocês lá? Esta recepção foi muito diferente daquela que vocês têm em Curitiba, por exemplo?

Sim, foi diferente. Lá existem muitas bandas com linguagem similar. Lá somos apenas mais uma banda. Já no Brasil somos “únicos”. Apesar da recepção da platéia  ter sido boa acho que soaria mais interessante se nossas músicas tivessem características brasileiras e letras em português, pois eles esperam isso de bandas brasileiras. A conclusão que chegamos é que o Brasil precisa mais da gente do que a Europa, mas não por isso que não voltaremos para lá fazer shows, como já aconteceu.

4) As peculiaridades da música feita pelo Wandula, que parece coadunar sofisticadamente o erudito e o popular, impedem a tentativa de classificar a sonoridade do grupo de uma forma restrita. No entanto, alguns gêneros musicais devem ser influências recorrentes no processo de composição das músicas. Quais seriam algumas dessas influências?

Minimalismo, classicismo, experimentalismo, chamber pop, chanson française e por aí vai. Nunca sabemos o que vai acontecer  amanhã.

5) O que significa para vocês e quais são as principais dificuldades em se fazer “música contemporânea independente” no Brasil?

Dificuldades sempre existem, mas somos sinceros no que fazemos, não vamos nos moldar para nenhum mercado fonográfico. O que é pra gente, será da gente. Mas temos que lembrar que o Brasil é muito grande e 95% da população consome música sertaneja e outros bichos. É muito complexo. É uma realidade sócio-cultural que não podemos mudar da noite pro dia.

6) Quais são os planos do Wandula para esse ano de 2010?

Estamos trabalhando no repertório autoral novo e também no show Wandula Standards, onde tocamos músicas que gostamos de ouvir. Pararlelamente nos apresentamos em duo, trio, quarteto, sempre com repertório diferente. Além disso, cada um tem seu trabalho solo: Marcelo Torrone tem o Piano Minimalista, Felipe Ayres tem o Live PA, Edith tem o Comme um Rendez-vous, o baixista e o baterista tocam em outras bandas de rock e a violista Ana Paula Cervellini tem seu quarteto de cordas. Aliás, a novidade maior deste ano é a entrada dela na banda. O guitarrista Rafael Martins se afastou por uns meses devido ao sucesso de sua outra banda, o Copacabana Club, e chamamos ela para tocar com a gente.

7) Deixem um recado para os leitores do Música Esparsa e indique algo diferente no mundo da música para conhecermos.

Apreciem todos os ramos da Arte, só isso torna a vida mais leve. Para ouvir, indico a tcheca Iva Bittová, qualquer CD dela será um deleite.

Abraços! Marcelo Torrone em nome de todos os integrantes do Wandula.

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