Créditos da foto: Cláudia Dorey

Quem me conhece sabe o quanto defendo o nome de Ceumar como uma das principais e melhores cantoras brasileiras da atualidade. E é só observar um pouco sua trajetória artística para chegar facilmente a essa conclusão.

A cantora e compositora mineira lançou quatro álbuns com repertórios lindíssimos, formados por canções de grandes compositores brasileiros, incluindo letras e melodias de sua própria autoria. Nos álbuns Dindinha (2000), Sempre Viva (2003) e Achou! (2005, com Dante Ozzeti) predominaram músicas de outros compositores, como Zeca Baleiro, Zé Ramalho, Chico César, Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, entre outros excelentes nomes da poesia e da música nacional.

E ano passado, Ceumar lançou seu quarto álbum, gravado ao vivo no Fecap em São Paulo, intitulado Meu Nome, com canções inteiramente compostas por Ceumar e seus parceiros, como Gero Camilo, Sérgio Pererê, Estrela Ruiz, entre outros. Com estes discos, Ceumar conseguiu inovar sem perder algumas de suas características essencias e que perpassam toda sua discografia:  as letras e melodias agradáveis, a interpretação sempre segura e delicada e o passeio pela diversidade da cultura brasileira e de seus ritmos, sem nunca sucumbir em determinados estilos e complexidades fora de propósito.

E foram justamente essas características que me atraíram quando escutei a mineira pela primeira vez (indicada por um professor amigo meu) cujas canções plantaram em mim um interesse mais forte pela música brasileira.

Assim, espero que vocês apreciem também a música de Ceumar, tanto aqueles que ainda não a conhecem (que absurdo!) quanto aqueles que desejam conhecer mais da artista. Ceumar respondeu gentilmente as perguntas desta entrevista desde Amsterdam, onde está radicada atualmente. Confiram abaixo então esta Conversa Esparsa (muito especial para mim e espero que para vocês também) com Ceumar e deixem seu comentário!

Saudações musicais!

Meu Nome (2009)

1) Conte-nos um pouco sobre o início da tua carreira. Quais foram teus principais passos antes de lançar o álbum Dindinha (2000)?

Ceumar: Bem, eu estudei violão em Belo Horizonte e comecei a cantar por lá, em bares e alguns shows com amigos. Mas foi quando cheguei em Sampa que comecei a formar um repertório, com algumas músicas de Zeca Baleiro e outros amigos compositores. Isto foi em 1995…até que Zeca me incentivou a gravar o Dindinha.

2)  Tu és mineira de Itanhandu mas morou muito tempo em São Paulo. Quais foram as contribuições diferenciadas destes lugares para tua trajetória artística?

Ceumar: Morei 14 anos em Sampa e foi lá que formei um estilo, encontrei amigos/músicos maravilhosos com quem trabalhei e pude estar mais no centro dos acontecimentos. Mas nunca deixei de ver tudo com os olhos de uma mineira do interior.

3) E agora, morando na Holanda, que expectativas essa mudança geográfica e cultural inspira no teu trabalho?

Ceumar: Inspira muito o fato de estar agora numa cidade central, Amsterdam. Daqui posso também saborear uma certa liberdade na minha criação, tenho contato com outras formas de ver e fazer arte.

4) Nos teus primeiros álbuns predominavam canções compostas por outros artistas, todos eles de grande qualidade, aliás (como Itamar Assumpção, Zeca Baleiro, Alice Ruiz, Chico César e Luiz Tatit). Quais foram os principais critérios na escolha dos repertórios destes discos?

Ceumar: A minha escolha passa pela poesia, pela melodia sem complicações e pela forma de expressão destes artistas.

5) A tua dedicação à composição, fundamental no último disco, surgiu quando dos teus primeiros contatos com a música ou é algo mais recente, dos últimos anos de tua trajetória artística?

Ceumar: Sempre fiz minhas músicas, mas era um pouco tímida em gravá-las. Comecei no segundo cd a mostrar alguma coisa e depois fui sentindo mais firmeza! Sempre tento aprender com os mestres da canção e neste último trabalho – Meu nome – senti que era o momento de relaxar e mostrar mais este lado de compositora.

6) Conte-nos um pouco sobre as dificuldades e os prazeres de se fazer um disco ao vivo com composições próprias.

Ceumar: Tive muito prazer em gravá-lo e durante os shows de lançamento foi delicioso ver as pessoas cantando as músicas, acho que valeu!

Difícil é sempre divulgar, comercializar, mas tenho uma parceria muito promissora com o selo CIRCUS ( www.circusproducoes.com ) que também faz a produção no Brasil.

7) Quais foram os principais instrumentistas com quem trabalhaste nos teus discos e shows? E hoje, quais são os que te acompanham na Holanda?

Ceumar: Ainda em Belo Horizonte toquei muito tempo com o violeiro Miltinho Edilberto, que me incentivou muito naquele momento. Foi ele quem me chamou pra ir pra Sampa e começar a tocar por lá. Em Sampa, o primeiro músico com quem toquei foi Webster Santos… fizemos muitos shows em duo com violões! Mais recentemente tocava com Gigante Brasil (bateria) e Lelena Anhaia (baixo). Gigante morreu em 2008 e sempre foi um grande amigo, nos palcos e na vida.

Aqui tenho um trio de jazz, Mike del Ferro ( piano), Olaf Keus ( bateria) e Frans van der Hoeven (baixo). Eles são maravilhosos e tem o maior carinho pela música que faço.

8 ) Saindo um pouco fora da música, que livros e filmes tu citarias como teus preferidos no momento?

Ceumar: Gostei de Avatar, adoro o filme A Partida… e estou lendo O Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa.

9) O que tu conheces e gostas da música aqui do Rio Grande do Sul?

Ceumar: Adoro Vitor Ramil, já cantamos juntos em Sampa…

Gosto da voz de Marcelo Delacroix, das canções de Nei Lisboa…e das milongas!

10)  Quais são teus planos para este ano? Existem shows agendados na Europa? E no Brasil, pretendes voltar a se apresentar quando por aqui?

Ceumar: Vou estar no Brasil entre julho/agosto…espero fazer shows!

Aqui tenho algumas datas com o trio – o Festival Mundial, em junho, por exemplo – onde devemos lançar nosso cd – será Ceumar e Jazz trio LIVE. Estamos mixando no momento.

Vou ainda relançar meu cd DINDINHA, que este ano completa 10 anos!

11)  Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa

Ceumar: Um abraço a todos que passarem por aqui!

Que a música ajude a equilibrar nosso planeta!

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