Foto: Tainá Azeredo

Quando lançou em 2008 o EP Em Outro Lugar, Thiago Pethit já demonstrava trilhar um caminho diferenciado e autêntico no cenário musical brasileiro, característica que se tornou ainda mais visível com seu recém-lançado Berlim, Texas, que reúne 11 canções inspiradas numa abordagem intimista e poliglota sobre o amor e seus desdobramentos. Produzido por Yuri Kalil, o álbum é atravessado por uma sonoridade que tem como referência artistas da estirpe de Yann Tiersen, Edith Piaf e Nick Cave, entre outros.

Surpreendido que fiquei ao escutar as músicas de Pethit, resolvi escrever um pouco sobre elas aqui no Música Esparsa, até que descobri que o cantor e compositor fará show em Porto Alegre no dia 6 de junho no Santander Cultural e pensei em publicar aqui uma entrevista com ele para convidar os estimados leitores deste blog para conhecerem e prestigiarem o artista na sua passagem pela capital gaúcha.

Portanto, confiram abaixo o retorno da seção Conversa Esparsa, com o cantor e compositor Thiago Pethit, além de acessarem o MySpace e o SITE do artista.

Saudações musicais!

1) Como está sendo a recepção do teu trabalho autoral, tanto o EP “Em Outro Lugar” quanto o recente “Berlim, Texas“? A divulgação pela internet ajudou na multiplicação dos teus ouvintes?

Thiago Pethit: A recepção tem sido ótima, por vezes até surpreendente, se pensarmos em parâmetros de música autoral e independente. A internet é o maior aliado de qualquer artista atual em termos de divulgação, mas é o pior inimigo também. Tudo se dissipa na mesma velocidade em que se dissemina. É preciso saber disso para fazer um bom uso desse meio. Só a internet não basta, mas ajuda, e bastante.

2) Tanto no teu EP “Em Outro Lugar”, quanto no álbum “Berlim, Texas”, existem canções em português, inglês e francês. Essa característica pode expressar a pluralidade das tuas influências musicais que, com certeza, extrapolam os limites do cancioneiro brasileiro. Nesse sentido, quais são as principais referências musicais estrangeiras que nortearam o teu processo de composição destes dois trabalhos?

Thiago Pethit: São muitas. Qualquer coisa que eu goste acaba me influenciando, mais ou menos. O que eu gosto realmente e que norteia um pouco as minhas idéias musicais são artistas como Edith Piaf, Yann Tiersen, Lou Reed, Nick Cave, Tom Waits, Kurt Weill. A maioria músicos que de algum jeito passaram pelo teatro, ou possuem alguma semelhança com o espírito de “cabaré”. E tem os mais atuais também, suecos como Lykke Li e Peter Bjorn and John ou até mesmo a Lady Gaga, que me interessa de certa forma.

3) Em grande parte das tuas canções há um tom melancólico e confessional bem marcante. Que outros tipos de referências artísticas além da música (como cinema, teatro, literatura) influenciaram nessa característica das tuas composições?

Thiago Pethit: Essa forma de composição das letras em tom mais confessional, eu nunca soube muito bem de onde veio. Foi o jeito mais natural de escrever as canções, só.

Trabalhei 10 anos como ator de teatro, e minha formação artística veio desses anos. Por isso minha música remete um pouco aos vaudevilles, aos teatros de bizarrices e aos cabarés, mas está presente mais nos arranjos que nas letras. Quando comecei a fazer música não tinha um método. E o mais natural foi ser sincero nas letras. E direto.

4) Há quem diga que arte é uma forma de mostrar uma visão diferenciada do mundo. Partindo dessa premissa, que “mundo” os teus ouvintes podem vislumbrar a partir das tuas canções?

Thiago Pethit: Um mundo no qual a beleza das coisas está contida na sujeira de um cabaré decadente, que pode estar em qualquer lugar deste nosso mundo. Aliás, a idéia de um cabaré é refletir o próprio mundo, num tom saturado, mas é um reflexo.

5) Algumas matérias recentes na imprensa destacam que tu, junto com outros artistas como Tiê, Karina Buhr, Filipe Catto e Juliana Kehl, entre outros, faria parte de uma “nova geração” da música brasileira. No teu processo criativo ou mesmo na divulgação do teu trabalho há uma preocupação com essa questão do “novo”, da renovação e/ou ampliação de horizontes para a música feita aqui no Brasil?

Thiago Pethit: Não tenho intenção de renovar nada, nem preocupação com o “novo”. Me preocupo sim, em ser atual e dialogar com o mundo que estou inserido, com a internet e com as possibilidades criativas e de divulgação que ela me apresenta. Mas não para representar uma novidade. O novo hoje é um enigma sem resposta. A internet nos propôs essa dificuldade, da aleatoriedade, na qual o novo deixa de ser novo a cada pequena descoberta. O que era velho vira novo, de novo e o que é o mais novo, daqui a instantes é velho. Mais do que renovar, me importa estar atualizado em relação ao mundo e responder aos meus anseios de comunicação com a minha música, nos tempos em que vivo.

6) Como foi a escolha dos instrumentistas e demais parceiros que te ajudaram na gravação de Berlim, Texas? Alguns deles te acompanham nos shows?

Thiago Pethit: O ‘Berlim, Texas’ foi resultado da minha temporada de shows após lançar meu primeiro EP . Foram muitas transformações da banda nessa etapa. Comecei com 5 músicos me acompanhando, passei para 4, testei 2, fechei em 3.  Com estes eu descobri um tipo de sonoridade, mais vazia, que norteou o disco novo.  As canções ficaram mais “na frente” e a voz se destacou. Isso me interessava, foi como criar uma nova linguagem. Alguns me acompanham ainda, como o Pedro Penna, violonista que está desde a primeira formação.

7) Quais são teus principais projetos para esse ano de 2010?

Thiago Pethit: Ainda tem muito por vir em 2010. Nos meus projetos estão alguns clipes do “Berlim, Texas”, viajar com o show do disco e o que pintar no meio desses caminhos.

8 ) Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Thiago Pethit: “Esparsem” a música!

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