Gisele De Santi (créditos: Alesi Ditadi)
Gisele De Santi (créditos: Alesi Ditadi)

Há poucos dias atrás fiz alguns comentários sobre o ótimo álbum de estréia da cantora e compositora Gisele De Santi, que saiu do forno há pouco tempo, mas já encanta os apreciadores de música brasileira que tiveram o prazer de escutar suas canções.

Como anunciado naquele texto que escrevi, neste próximo sábado (dia 10 de julho), Gisele faz um pocket show de lançamento (com entrada franca!) do seu disco homônimo na Livraria Cultura, às 19 horas, com direito à sessão de autógrafos.

Pensando em convidar especialmente os leitores do Música Esparsa para o evento, publico agora uma pequena entrevista que Gisele concedeu gentilmente para este espaço virtual, escrevendo sobre seu álbum de estréia e sobre sua trajetória artística.

Então, confiram abaixo a entrevista, visitem o site de Gisele De Santi para conhecer as canções e no sábado prestigiem a cantora e compositora lá na Livraria Cultura. É imperdível!

Saudações musicais!

1) Conte-nos um pouco sobre tua trajetória artística antes do lançamento do álbum de estréia.

Gisele De Santi: Quatro anos antes de gravar o álbum, minha rotina era dar aulas de canto, estudar na faculdade de música, gravar jingles, cantar em bares e compor músicas, atividades estas que me proporcionaram experiências musicais enriquecedoras. Em 2006, eu e o cantor e compositor Rafael Caetano montamos o projeto chamado Em.dois.Em.duo, realizando apresentações em bares de Porto Alegre cantando canções nossas e algumas canções “lado b” de artistas que admirávamos.

2) De que forma aconteceu o processo de composição do repertório do teu disco de estréia? A decisão de fazer um álbum inteiramente autoral se fez presente desde o início da tua trajetória artística ou é uma idéia que foi amadurecendo ao longo do processo?

Gisele: Comecei a compor aos 14 anos. O fato é que eu não vislumbrava a idéia de gravar um disco, tampouco com composições minhas. Eu acreditava que as minhas canções comunicavam algo que dizia respeito só a mim e que as pessoas não se identificariam. Em 2005, um amigo me incentivou a gravar uma demo e colocar na internet. E a partir disso as pessoas começaram a perguntar sobre o disco, se eu já havia gravado e quantas músicas eu já havia composto. Abri a gaveta e me deparei com 35 músicas. Eram 24 anos de coisas para dizer, essas coisa completaram o repertório do disco.

3) Como foi a escolha dos instrumentistas que participaram da gravação do teu disco? Alguns deles te acompanharão nos shows?

Gisele: Alguns dos músicos que participaram da gravação do disco conheci na faculdade de música da UFRGS, outros vieram por indicação dos produtores do disco. O Fabricio Gambogi (guitarrista) é o músico da banda que sempre me acompanha nas ocasiões que exigem a formação de pocketshow. Mas existe também a formação de banda completa.

4) Nos últimos tempos, uma “nova geração” de intérpretes e compositores está movimentando a cena musical nacional. Entre eles, podemos citar o gaúcho Filipe Catto e o paulista Thiago Pethit, que já foram entrevistados neste espaço. Quais seriam, na tua opinião, os principais desafios artísticos e/ou profissionais dessa “nova geração” (pressupondo que tu sejas parte dela), incluindo nisso as novas formas de distribuição e circulação das músicas?

Gisele: A nova geração de intérpretes e compositores pode, hoje, contar com um mundo de ferramentas que facilita a divulgação da produção artística: redes sociais da internet, downloads de mp3 (remunerados e não remunerados), blogs, sites. Acredito que a maior dificuldade seja entender os anseios do público, para que a música que se compõe seja ouvida, que possa comunicar, emocionar.

5) Quais são tuas principais referências artísticas (não só na música) no teu trabalho como intérprete e compositora?

Gisele: Machado de Assis, Drummond, Djavan, Tom, Chico, Elis, Marisa Monte, Beatles, Ella Fitzgerald, Almodóvar. E todas as outras coisas que li, ouvi, vivi e amei.

6) Em entrevista para este blog, a cantora Adriana Maciel fez um contraponto ao estereótipo construído em relação à disseminação de intérpretes femininas na música brasileira: “Não gosto da idéia de que o Brasil é um país de cantoras, isto não me diz nada, a não ser, que há sempre um pensamento que pretende dividir homens e mulheres, e para as mulheres, isto me parece sempre redutor”. Na tua opinião, este tipo de rótulo pode prejudicar uma análise mais genuína de certa produção musical, reduzindo as peculiaridades da mesma a um modelo?

Gisele: Generalizações e reducionismos realmente têm essa carga negativa, e podem passar por vários aspectos, o gênero é um deles. Por outro lado, é fato que existem cantores homens e cantoras mulheres. A única classificação que vejo aí diz respeito ao sexo e não à questão musical. Ainda não ouvi ninguém dizer que ser cantora no Brasil é ser inferior a ser cantor no Brasil, ou o contrário. Essa qualificação seria um juízo de valor pessoal, portanto, incapaz de ser algo redutor.

7) Quais são teus principais projetos para esse ano de 2010? Existem projetos musicais dos quais tu participas e que são paralelos à tua carreira solo?

Gisele: 2010 é um ano de divulgação do disco. Será um ano curto para realizar outro projeto que não seja esse, já que estou lançando o disco em julho. Existe um possível projeto para show que inclui o cantor e compositor Filipe Catto.

8 ) Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Gisele: Aos leitores do Música Esparsa,

Coisa bem boa é ouvir música.

Parabéns a vocês que, aqui, aguçam seus sentidos: que ouvem também com os olhos da leitura.

Um grande abraço

Gisele De Santi

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