Repito que não é a intenção deste espaço comentar artistas que tenham uma considerável inserção no mundo pop, mas raras exceções são permitidas quando determinadas canções sensibilizam minha audição de forma especial.

Este é o caso da banda canadense Arcade Fire que, desde 2004, com seu prestigiado álbum Funeral, derrama uma melancolia muito original no mundo do rock e do pop. Mesmo que muitas vezes essa melancolia seja tingida por tons sombrios, como aconteceu de forma mais aprofundada no disco Neon Bible (2007), não canso em afirmar que a atmosfera das músicas da banda combinam bastante com a forma pela qual me relaciono subjetivamente com certos aspectos da vida.

Mas essa atmosfera melancólica foi dotada de uma leveza inconfundível com o ótimo The Suburbs. Composto por 16 músicas, o mais recente disco do grupo consolida a combinação de arranjos instrumentais criativos e letras muito instigantes sobre um mundo (quase) perdido.

Mundo esse no qual eu vivi boa parte da minha infância e adolescência, jogando bola na rua e compartilhando com os amigos lazeres de uma geração pré-Internet. Nas letras das canções desfilam críticas ao mundo da impessoalidade, dos computadores e do imediatismo. E tudo isso é permeado por uma (re) valorização do mundo suburbano, que funciona muito bem como um microcosmo que possui valores, experiências e subjetividades que se desintegram na atualidade. Um mundo que possui “pequenas grandes histórias” de gente comum que, se não está interligada com o resto do mundo, costuma conviver intensamente com quem está a sua volta.

No entanto, não penso que o caminho para essa reflexão tenha que ser a lamentação e a nostalgia (acho que para o pessoal do Arcade Fire também não é), já que pensar sobre o assunto pode ser uma boa maneira de reavaliarmos nosso cotidiano e nossas relações, recriando sentidos mais concretos e prazerosos para as vidas contemporâneas que andam tão carentes disso.

Assim, para curtir um pouco da leveza melancólica e das reflexões do Arcade Fire, confiram abaixo o videoclipe da faixa título, dirigido pelo conhecido Spike Jonze, e uma apresentação ao vivo do grupo com a fantástica Modern Man.

Saudações musicais!

 

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