Créditos: Bruno Gularte Barreto

A inquietude à serviço da poesia

Roger Canal combina música e artes visuais no Café da Oca

por Felipe Gue Martini

O multi-instrumentista Roger Canal se apresenta em Porto Alegre neste sábado, 11 de dezembro. O ponto de encontro é o Café da Oca, no Bom Fim, que vai se transformar num ambiente criativo de muita alquimia musical, como de costume em suas apresentações. No repertório, canções do álbum que sai do forno em fevereiro “Leminscata, 9 y Otros Ensayos”, alguns temas de “Desritmpoesia” e canções que ainda estão no laboratório.

Conhecido por apresentações inspiradíssmas, que combinam muita improvisação, intervenções artísticas e instrumentos musicais inusitados (molho de chaves, rádio ondas curtas, vitrolas antigas, etc), o músico pretende dar sequência a série de apresentações em sua cidade natal. Depois da noite vibrante de duas semanas atrás, onde Canal dividiu um pequeno palco com o bandoneonista argentino Pablo Gignoli, no Prefácio Bar, o solo nesse dia 11, será pautado por uma profusão de linguagens à serviço da poesia.

A proposta da apresentação é a liberdade criativa como experiência de construção musical ao vivo (através de samples e gravações que vão se sobrepondo no ato da execução), marca registrada do músico, no entanto o processo não se restringe a uma aventura despreocupada. Muito pelo contrário, Roger Canal, é um artista que vive a partir de sua arte, e não apenas um cético cancioneiro à procura de atenção nos palcos da cidade. Talvez isso explique seu êxito em terras distantes e próximas, como Montevidéu, Buenos Aires, Portugal, Espanha e Áustria. A verdade é uma qualidade universal, sempre presente em suas performances.

Alguns dirão que é pretensioso, que assola culturas tradicionais tocando de improviso e com técnicas próprias, instrumentos como trompete, bombo legüero, darbuka egípcia ou escaleta. Mas em sua defesa, é perceptível a inquietude que traz consigo em pesquisar sem medo de ser acusado, sem medo de movimentar estruturas mais rígidas na busca por expressão genuína.

O que difere de uma ânsia por ser vanguarda, por ocupar pseudo-espaços de genialidade nas cenas musicais mais subalternas, mas que é um mero reflexo de uma personalidade torta. A gênese criativa de Roger Canal parece apontar para esse caminho, para cantos de terreiro, chocalhos com molhos de chaves, rádios não sintonizados, transistores e fitas K-7. Melancolia, vivacidade e um profundo sentimentalismo, típicos de uma raiz sul-americana que se reinventa com a arte contemporânea urbana de cidades frias e distantes. Capitais do novo, mas que ainda parecem não valorizar o emotivo que pode advir da arte (como expressão) em contato com a violência sutil da vida nas cidades.

Sábado, na Oca, quem estiver presente poderá ver e ouvir Roger Canal multiplicado em sua abstração criativa, combinando pinturas, vídeos, intervenções e performances que brincam um pouco com o modelo de instalação artística. Nada surpreendente para uma personalidade que não tem medo de fazer, por não ter medo de errar e expressar o que se é, sem ressalvas, sem limites.

Serviço

Roger Canal ao vivo no Café da Oca

11 Dezembro / Sábado

21h

$12

Café da Oca

Rua Gen. João Telles, 512

Bom Fim – Porto Alegre – RS

http://www.cafedaoca.com.br

Reservas: (51) 3023 – 3538

http://www.rogercanal.org

http://www.soundcloud.com/rogercanal/sets

http://www.youtube.com/rogercanal11

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