2010 não poderia chegar ao fim sem antes eu comentar o mais importante lançamento musical do ano no Brasil: a caixa “Bebeto Alves em 3D”.

Para quem considerar ousada a afirmação anterior, justifico-a com algumas razões: 1) a quantidade do material: não é  qualquer artista (isso só acontece com aqueles que trabalham duro e são bem assessorados) que consegue reunir uma tríade de discos com conteúdos diferentes em um mesmo lançamento; um cd duplo ao vivo, uma coletânea de trilhas sonoras e um cd com canções inéditas gravadas principalmente com voz e violão; 2) a qualidade do material: desde o encarte até às melodias e poesias, o conjunto 3D de Bebeto exala refinamento, cuidado e criatividade, renovando sempre a surpresa agradável de ouvir tanto suas novas composições quanto as releituras de sua carreira; 3) a importância histórica do material: lançamento de caráter inédito no mercado fonográfico nacional, os 3 discos expressam a constante renovação da trajetória artística de Bebeto Alves, que transita com facilidade entre a releitura e a renovação de seu repertório.

Além disso tudo, no trabalho de divulgação deste projeto, circulou um interessante jornal (que vocês podem ler aqui) com entrevistas, depoimentos e comentários de diversos artistas e jornalistas sobre as múltiplas facetas do músico gaúcho.

No disco duplo Bebeto Alves e Os Blackbagual, o repertório é formado por 20 canções que passeiam pela trajetória de 30 anos de carreira do artista. Gravado ao vivo no Teatro de Arena em julho de 2009, em dois shows memoráveis (eu estava lá!), o cd mostra a potencialidade criativa de Bebeto que consegue fazer novas versões que chegam a superar muitas vezes (para o meu gosto) o registro anterior das canções. Álbuns como Bebeto Alves (1981),  Notícia Urgente (1982), Novo País (1985), Pegadas (1987), ... Y la Milonga Nova (2000), Blackbaugalnegovéio (2004) e Devoragem (2008) são representados por duas ou três canções cada um.

Indispensável para a qualidade das canções é a banda formada pelos Blackbagual: Marcelo Corsetti (guitarra), Luke Faro (bateria) e Rodrigo Reinheimer (baixo) que conseguem, ao lado da voz e do violão de Bebeto, extasiar o ouvinte com uma sonoridade rica e empolgante. Participaram também dos shows os grandes músicos Jimi Joe (em Sandina) e Oly Jr. (na sua Milonga Blues). Para um aperitivo do cd, confiram abaixo a belíssima canção Tchau, uma das minhas preferidas:

No disco Cenas, que reúne trilhas sonoras compostas por Bebeto, constam contribuições do artista para cinema, teatro e televisão, entre elas: o espetáculo de luz e sombra A Salamanca do Jarau (da Cia de Teatro Lumbra), o filme Neto Perde A Sua Alma (com trilha de Celau Moreira e direção de Tabajara Ruas e Beto de Souza) e o espetáculo de dança-teatro Deslocamentos, de Renata de Lélis. Abaixo a versão de Boi Barroso (Barbosa Lessa).

E no álbum de inéditas, O Maravilhoso Mundo Perdido, são 15 músicas gravadas basicamente com voz e violão no estúdios da TEC ÁUDIO, em Porto Alegre, que mostram a poesia sempre contemporânea de Bebeto, transitando entre amores, despedidas e histórias urbanas, como na divertida Mar de Gente (escutem abaixo):

Então pessoal, visitem o site do artista aqui e confiram mais detalhes de Bebeto Alves em 3D: lá vocês podem adquirir os discos e saber mais informações sobre um dos mais importantes artistas da nossa música.

Saudações musicais!

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