Se fosse pra tentar falar do estilo da nova moçada
Do samba-reggae-funk-mangue-beat-pop-timbalada
E de outras tantas praias por aí que não estão no mapa
Pois é, silêncio é ouro e por isso fala só é prata
(Cantos da Palavra)

Dando continuidade à seção que comenta álbuns raros, esgotados ou com uma particularidade interessante (que começou com uma coletânea sobre o sambista Sinhô), hoje escrevo sobre o disco Cantos da Palavra, lançado em 1998 por Marcelo Sandmann e Benito Rodriguez.

Em 2009, o poeta, músico e professor de literatura Marcelo Sandmann inaugurou a seção de entrevistas deste blog, a Conversa Esparsa. Em uma das respostas, Marcelo falou sobre a parceria com Benito Rodriguez neste álbum: “Aprimorei-me como letrista nesse trabalho de parceria com ele. No Cantos da Palavra, com algumas exceções, a parte musical em geral é minha. Muitas letras são só do Benito. Algumas escrevemos juntos, por vezes ajustando a música ao texto quando isso se impunha”.

Essa parceria entre Sandmann e Rodriguez rendeu um excelente conjunto de canções que exploram as pontencialidades da relação entre palavra e música. No entanto, não são quaisquer palavras ou músicas, mas letras e arranjos de extrema sensibilidade e criatividade.

No caso das primeiras, as temáticas são bastante diversificadas: relacionamentos amorosos e suas vicissitudes, internet, metalinguagem do samba e até mesmo uma afiada refelxão sobre “o fim da história”. Já as melodias formam um conjunto eclético e desafiador ao ouvinte, com sonoplastias supreendentes e uma sonoridade que envolve ora pela sua animação ora pelas suas sutilezas.

Cantos da Palavra ainda aprimora-se com a colaboração do produtor Paulo Brandão, da intérprete Silvia Contursi e de um conjunto de participações especiais de alto nível, como o nome de Antonio Saraiva deixa explícito. O álbum é uma bela obra de arte da música popular brasileira contemporânea e um dos representantes da cena poética e musical riquíssima de Curitiba que, na maioria das vezes, não tem a atenção necessária de público e crítica.

Vocês podem conferir abaixo, queridos leitores/ouvintes, as músicas Louco (na voz de Marcelo Sandmann) e Cantos da Palavra (com Silvia Contursi e Luciana Martins nos vocais), que faz um belo passeio pelos nomes consagrados da música nacional. Mas não todos, obviamente, já que como diz a própria letra: “Um samba que incluísse todo mundo nunca se acabava/ Os nomes que eu não disse vão nos cantos da palavra“).

Saudações musicais!

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