Acabei de assistir o belíssimo show da Ana Prada no Musicanto de Santa Rosa (em dezembro de 2010) e me lembrei que cometi o sacrilégio de até hoje não ter escrito um comentário específico sobre Soy Pecadora, o segundo disco da cantautora uruguaia.

Lamento este fato até porque as músicas de Ana são presença constante no meu cotidiano e é mais do que dever fazer menção nesse espaço, sempre que  possível, a uma das artistas que mais me sensibilizou nos últimos tempos. Além disso, tive o privilégio de assistir uma apresentação das músicas de Soy Pecadora logo depois que o disco foi lançado, quando ela participou, junto com Queyi, de uma das edições do Realidade Paralela Convida. Portanto, já poderia ter feito alguns comentários sobre o segundo álbum de Ana há muito tempo.

Assim como no disco de estréia Soy Sola (2006), Ana Prada mescla composições próprias e temas de outros artistas em Soy Pecadora, consolidando uma interpretação segura e de incomparável beleza. A mistura de sons e estilos, que vão dos ritmos do folklore platino até o pop e diversas expressões da música urbana, tornou-se uma marca registrada da artista uruguaia que, como poucos, conseguiu criar um universo musical específico para seu trabalho.

Mas nem só as letras inspiradas ou a musicalidade envolvente fazem de Soy Pecadora um grande álbum, já que  a faixa-título traz à tona um importante tema da nossa cultura: a vinculação da mulher e da realização dos desejos das pessoas com o pecado e a culpa. Ou seja, a parte mais repressora da cultura religiosa cristã ainda pauta muitas das ações e dos valores da nossa sociedade. Portanto, confiram o belo videoclipe desta “milonga pop”, que mostra o talento artístico de Ana Prada e sua sensibilidade para uma questão fundamental da nossa cultura.

Saudações musicais!

 

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