Era uma vez uma mulher
Que via um futuro grandioso
Para cada homem que a tocava
Um dia
Ela se tocou…

(Alice Ruiz, Ladainha)

Efemérides como este 8 de março, Dia Internacional da Mulher, podem ser encaradas através de pelo menos duas interpretações. A data pode ser usada como uma homenagem efetiva às mulheres, a partir da denúncia da exploração e da violência que as mesmas sofrem cotidianamente (além da discriminação em diferentes espaços da sociedade) ou podemos visualizar nesse tipo de “comemoração” certo “agendamento da crítica” (como já escreveu alguém que não lembro), isto é, reivindicar os direitos das mulheres passa a ter dia marcado, quando deveria ser uma atitude cotidiana.

Em certo sentido também penso que investir demais na ideia de um “dia da mulher” acaba muitas vezes sucumbindo ao binômio masculino/feminino que por muito tempo foi degradante para as mulheres, qualificadas  como a parte mais “frágil” e “inferior” desta dualidade. Ainda tenho minhas dúvidas se é possível atribuir sentidos verdadeiramente positivos ao feminino (pensando que tenham efeito concreto) sem acabar com a dicotomia dos gêneros.

Mesmo assim, essa postagem é uma homenagem que se alimenta de algo que muitas vezes se enraiza nessa dualidade e divisão de papéis entre homem e mulher: o romantismo, expresso nessa letra fantástica do Walter Franco. Apreciem a belíssima canção Senha do Motim, do álbum Tutano (2001).

Saudações musicais!

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