No dia 6 de novembro de 2008 assisti o melhor espetáculo musical da minha história de vida em Porto Alegre: o show da turnê Accelerate do grupo estadunidense R.E.M. Fã incondicional da banda há anos, aquela grandiosa oportunidade de prestigiar Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills ao vivo me parecia demasiadamente irreal até entrar no Zequinha Stadium, como ficou conhecido o campo do time de futebol São José naquela noite fantástica.

Na apresentação, marcada na época pela eleição de Barack Obama (cuja candidatura foi apoiada pela banda, que fez várias críticas ao governo George W. Bush, especialmente nas canções de protesto sóbrio em Around the Sun), desfilaram as principais canções da carreira do grupo, além de quase todo o álbum recém-lançado na época. Assim, músicas fantásticas dos discos Green (1988), Out of Time (1991), Automatic for the People (1992), Monster (1994), New Adventures in Hi-Fi (1996), Up (1998) e Reveal (2001) rechearam um show de alta energia embasado nas canções de Accelerate, indicador da vitalidade e da criatividade inesgotável da banda de Athens.

Por todo esse envolvimento que tive nos útlimos anos com a música do R.E.M., minha ansiedade pelo 15º álbum do trio era muito grande, desde que a novidade discográfica foi anunciada tempos atrás. E nesta semana que passou, Collapse Into Now (cujas canções foram sendo liberdas aos poucos) deu as caras de forma completa e, mais uma vez, confirmou minha grande admiração pela forma com que os caras conseguem mesclar músicas rápidas e fortes com baladas pop e fazer um álbum formidável toda vez que pisam em um estúdio. Nesse último disco, essa habilidade ainda foi incrementada com as participações fantásticas de Peaches, Patti Smith e Eddie Vedder

Dessa vez, infelizmente, parece que as 12 faixas do disco não serão divulgadas em uma grande turnê, mas sim a partir de vídeos exclusivos, como os das músicas Überlin e It Happened Today. Como já li em algum lugar, o R.E.M. é um raro tipo de banda que consegue explorar o pop sem sofrer as principais e nefastas consequências que acometem outros incautos que dialogam com essa vertente da indústria cultural.

Com vocês, então, duas das excelentes canções de Collapse Into Now: Mine Smell Like Honey e Oh My Heart, que não deixam dúvidas sobre a voz poderosa e belíssima de Michael Stipe.

Saudações musicais!

 

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