O grande cansaço da existência talvez seja apenas o mal que causamos a nós mesmos para nos mantermos razoáveis por vinte anos, quarenta anos ou mais, ao invés de sermos simplesmente nós mesmos, isto é: atrozes e absurdos.
Louis Ferdinand Céline

Neste “pet shop mundo cão” que se transformou a modernidade do século XXI, são quase inesgotáveis as fontes de cansaço que oprimem os indivíduos e as coletividades. Talvez uma dessas fontes que mais me desgasta atualmente seja a impressionante redução e deturpação da sensibilidade das pessoas. E aqui eu nem preciso especificar essa falta de sensibilidade, porque ela costuma afetar todos os aspectos da padronizada e previsível vida de muitas pessoas nos dias de hoje.
Capa do EP Cansado, feita por ilustreBOB
Pensando sobre esse assunto tempos atrás, deparei-me, coincidentemente, com o EP Cansado (2010), do sergipano Alex Sant’Anna, que traz, na faixa-título e nas outras três músicas inéditas deste trabalho, uma reflexão musical sobre esse mundo de reduzida sensibilidade.
Produzido por Leo Airplane, Cansado ainda possui duas faixas bônus, versões de Aprendendo a mentir e Poesia de barro, já presentes no disco  anterior de Alex Aplausos mudos vaias amplificadas (2004). QUem acompanha o músico nas canções é o próprio Leo (na bateria, piano, samples e melotron), Alemão (baixo), Abraão Gonzaga (guitarra), Aragão (cavaquinho e bandolim), além de participações especiais como a de Wlado na música Engolindo sapo.

Nas canções, desfilam ideias e sonoridades bem representadas pela expressão “minha poesia é de barro, mas meu som é de aço”, pois a critividade de Alex Sant’Anna inclui essa combinação entre o eletrônico, o rock e o telúrico. Aproveitem essa dica e escutem abaixo a música Cansado. No site do artista você ainda pode conferir outras informações e fazer o download das músicas.

Saudações musicais!

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