Em 2011, completaram-se 30 anos do lançamento do LP Juntos, do cantor e compositor Nelson Coelho de Castro, um dos mais importantes álbuns da música popular do Rio Grande do Sul.

Apesar disso, não me lembro de ter encontrado muitas notas ou comentários sobre isso na imprensa e, por isso, resolvi fazer essa pequena homenagem aqui no Música Esparsa.

Em 1981, Nelson Coelho de Castro já era um nome conhecido na música urbana de Porto Alegre. Havia participado nos anos 70 das Rodas de Som no Teatro de Arena, promovidas por Carlinhos Hartlieb, e também do festival de música da PUC, vencendo na categoria originalidade com a canção Futebol. Além disso, antes de Juntos, Nelson gravou o compacto Faz a cabeça, em 1979, e duas músicas suas (Rasa Calamidade e Águias) fizeram parte do repertório do sensacional e histórico Paralelo 30 (1978), ao lado de Bebeto Alves, Carlinhos Hartlieb, Nando D’Ávila, Raul Ellwanger e Cláudio Vera Cruz.

A despeito da qualidade do cantor e compositor, Juntos é um marco por outro louvável motivo: foi o primeiro disco de produção independente aqui do estado, que contou com uma rede de colaboradores extensa que viabilizou o registro fonográfico. Na contracapa do LP, constam os nomes dos co-produtores que adquiriram os bônus, assim financiando o disco e promovendo algo nem sempre muito praticado por aí: a parceria genuína pela arte.

Formado por 12 canções, todas compostas por Nelson, com exceção de Gosto (Paulo Killing), Juntos inclui a sensacional Armadilha (em parceria com Dedé Ribeiro), que ficou muito conhecida ao integrar a trilha sonora do filme Verdes Anos (Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil). No repertório já se destacava a poética urbana inconfundível do artista, repleta de criatividade e referências ao cotidiano de Porto Alegre, como em Zé – Aquele tempo do Julinho, que vocês podem conferir abaixo:

A sensibilidade grandiosa do compositor, que perpassa todas as canções, foi reforçada também pelos músicos que acompanharam a gravação do disco nos estúdios da Isaec entre maio de 1980 e agosto de 1981: Paulo Killing (baixo), Paulino Soares (bateria), Zezinho Athánazio (guitarra, piano, violão e voz) e De Santana (percussão), acompanharam a voz e o violão inconfundíveis de Nelson nestas 12 preciosidades sonoras da nossa música.

Em 1996, Juntos foi reeditado em CD e em 1997 deu nome ao show coletivo Juntos Ao Vivo, com Gelson Oliveira, Bebeto Alves e Totonho Villeroy, que também foi distribuído em CD no ano seguinte e foi vencedor do Troféu Açorianos. Experiência que foi repetida em 2002 e que viajou em turnê pela Europa como o nome de Povoado das Águas.

Para concluir, escutem comigo Armadilha, citada anteriormente, talvez a canção que mais me emocionou na primeira vez que escutei. Não sei bem explicar as razões disso, pois na ocasião eu não conhecia as músicas do Nelson e não sabia nada dessa história que contei aqui, apenas senti algo muito forte quando depois da parte instrumental embasada na flauta do magnífico Plauto Cruz, o cantor derrama com sua voz suave  “Mas quando a gente é pequeno…

Saudações musicais!

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