No último domingo, 15 de julho, aconteceu o lançamento porto-alegrense do primeiro álbum do Fernanda Krüger Trio. O aconchegante Auditório Luís Cosme da Casa de Cultura Mário Quintana foi preenchido, por cerca de uma hora, com melodias e arranjos belíssimos das dez canções que compõem o disco homônimo de estreia do grupo (há sete anos na estrada).

Créditos: Rosane Scherer

Gravado entre 2010 e 2011 na Tec Áudio e com financiamento do Fundo Municipal da Cultura de São Leopoldo, o álbum contou com a direção musical de Veco Marques e a produção executiva de Márcio Gobatto, além das participações especiais do impecável Daniel Wolff (violão), Christian Poffo (flauta transversa) e Sandro Souza (violino).

Mesmo já tendo ouvido falar no nome dos músicos, nunca havia assistido uma apresentação deles ou mesmo escutado alguma canção de sua autoria. Sob certo ponto de vista, foi melhor assim. Há tempos não fazia o que mais gosto nessa rotina de contemplação musical: ir a um show sem “vícios” de prévia audição e transitar livremente pelos acordes ainda desconhecidos, propostos e executados pelos músicos.

E que experiência incrível foi conhecer as canções daquele trio: Fernanda Krüger (violão e voz), Lucas Krüger (contrabaixo fretless) e Luthiero Tacuatiá (bateria), mais as contribuições de Daniel Wolff (violão) e Christian Poffo (flauta transversa), apresentaram uma sonoridade surpreendente e cativante. Surpreendente porque nada daquele colorido sonoro bebia da obviedade, das referências explícitas ou dos estereótipos consagrados e, no entanto, e por isso mesmo cativante, soava de forma muito familiar, como se letras e melodias acompanhassem o movimento dos pensamentos, devaneios, dores e alegrias que nos envolvem cotidianamente.

Exatamente por isso, o trabalho de composição de Fernanda e de seus parceiros musicais consegue representar de forma especial uma das características possíveis (e mais atraentes) da arte na minha opinião: renovar nossa sensibilidade em relação aos pensamentos e sentimentos cotidianos que, por diversos motivos, às vezes parecem opacos na nossa intimidade. O violão pungente e a voz doce da intérprete nos resgatam da apatia emocional com uma ternura melódica inconfundível.

Considerando essas qualidades, só posso pedir aos leitores que não fiquem apenas com essas poucas palavras que escrevo e degustem a canção abaixo, além de prestigiar as próximas apresentações do trio.

Saudações musicais!

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