Créditos: Carolina d’Horta

Essa é a terceira postagem da seção discografia esparsa, na qual já escrevi sobre o LP Nosso Sinhô do Samba (1988) e sobre o cd Cantos da Palavra (1998), de Marcelo Sandmann e Benito Rodriguez.

Hoje é a vez de uma pérola da música popular brasileira dos últimos anos: o álbum Comunhão, do cantor e compositor mineiro Mario Gil, lançado em 2007. Além desse, o músico já lançou dois discos: Luz do Cais (1993) e Contos do Mar (1998).

Na abertura do repertório de 12 canções já aparece a maravilhosa Dançapé, parceria de Mario com Rodolfo Stroeter, conhecida desde 1999, pelo menos, na interpretação marcante de Monica Salmaso no seu disco Voadeira. A sensacional intérprete que, aliás, divide os vocais em duas canções de Comunhão: Acalanto e Pajé.

Nas melodias, destaca-se a sonoridade delicada e belíssima do violão, fruto da formação específica do músico nesse instrumento e a percussão cuidadosa que partilha com as cordas a suavidade rítmica que perpassa as canções do disco.

Nas letras, Mario e seus parceiros (entre eles Zeca Ferreira e Paulo César Pinheiro) resgatam um lirismo “interiorano” cativante que aborda paisagens, histórias de vida e amores com um olhar às vezes descritivo/narrativo (em terceira pessoa) e em outros momentos com um viés intimista comovente.

Para o deleite dos leitores, disponibilizo abaixo a canção Vaga-lume, parceria de Mario com Renato Braz e que no disco conta com a participação especial de Luciana Alves nos vocais, cuja voz é uma preciosidade. Confiram a letra e a música abaixo e apreciem outras canções do disco AQUI.

Saudações musicais!

Se essa moça entendesse a minha sina
Tanto choro deixava de chorar
Se eu seguisse a paixão que sinto agora
Eu deixava essa moça me levar

Se eu pudesse, eu me atava a esse amor
Mas com medo não posso me arriscar
Vivo como um vaga-lume
Me acendo em cada olhar

Cada rosto que vejo da janela
Cada sonho que passo a sonhar
Se eu soubesse eu negava a minha sina
E deixava esse moço me levar

Se eu pudesse, eu jurava o meu amor
Mas em mim Deus não vai acreditar
Nem os santos me escutam
Nem ao menos sei rezar

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