Nunca é demais reforçar que a “comemoração” do 1º de Maio desde o final do século XIX foi motivo de inúmeras disputas simbólicas entre trabalhadores, patrões e Estado. Mesmo que diferentes formas de representar a data tenham se misturado em várias ocasiões, a oposição entre um “dia de luta dos trabalhadores” e um “dia de festa do trabalho” ainda polariza as principais tendências e significados políticos da efeméride.

Frontal

Fazendo uma simplificação desse debate, podemos lembrar que patrões, Estado e tendências políticas operárias reformistas defenderam e defendem o 1º de Maio como uma comemoração da importância do trabalho para a civilização moderna (lembrando que o “trabalho” nem sempre foi encarado como uma atividade digna e portadora de significados positivos), enquanto que socialistas, comunistas e anarquistas costumavam defender que a data deveria ser usada para congregar os trabalhadores na luta contra a exploração capitalista e na defesa por melhores condições de vida e de trabalho.

Assim, como sugestão musical para reforçar essa segunda maneira de dar significado ao 1º de Maio, destacamos aqui uma coletânea de marchas e canções de anarquistas argentinos lançada por Osvaldo Bayer, na parceria com Héctor Alterio. No repertório do disco, milongas, habaneras, payadas e tangos baseados em temas compostos entre os anos 1904 e 1936 dão o tom melódico à crítica feroz e indispensável à exploração burguesa dos trabalhadores e trabalhadoras. Abaixo, uma das faixas do disco, uma “Milonga anarquista” de 1906.

Saudações musicais!

Abajo los usureros
mueran todos los rentistas
todos los capitalistas
y la religión impía.

Que ya se aproxima el día
de la paz universal
y del concierto social
bajo el sol de la anarquía.

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