A liberdade do meu peito
Não tem preço, nem raiz

(Daniel Debiagi, “Meio Mundo”)

Na terceira postagem da série Música Comentada (que nas suas duas primeiras edições contou com a participação de Arthur Nogueira e Alexandra Scotti), o artista convidado é o cantor e compositor Daniel Debiagi, que lançou ano passado seu primeiro registro fonográfico solo, o EP Drama-Flor.

Créditos: Rômulo Seitenfus
Créditos: Rômulo Seitenfus

Produzido por Marisa Rotenberg e coproduzido por Gelson Oliveira, o EP Drama-Flor conta ainda com grandes nomes da música gaúcha participando das canções de Daniel, como Angelo Primon, Andréa Cavalheiro, Samuca do Acordeon, Paulinho Supekovia, Ale Ravanello, entre outros.

Baseando sua proposta artística no neologismo Drama-Flor, Daniel consegue expressar nas suas músicas um mundo interior e afetivo de muita beleza e dramaticidade, passeando entre diferentes estilos, como o samba, o blues e o tango.

DF

Como acontece nessa seção “Música Comentada”, o músico foi convidado para escrever um pouco sobre sua concepção de arte e música e também comentar um pouco da história e das características de duas canções do EP. Confiram abaixo portanto as palavras e as canções de Daniel Debiagi e quem quiser mais informações pode acessar o site do cantor e compositor AQUI e fazer o download gratuito do EP.

Saudações musicais!

Sobre Arte e Música

Eu acho que a música é a mais sublime das artes, aquela que consegue mexer com o maior número de sentidos, a música tem o poder de fazer a memória trazer à tona inclusive cheiros, sabores, sentimentos de um momento marcado por uma canção. Acredito também que só é músico aquele que a Música escolhe para ser, não dá para forçar, apesar de vermos muitos casos no mainstream que não passam de produtos. Para mim canção é sentimento, realmente sentido ou até mesmo inventado. Eu gosto de traduzir as emoções que passam por mim em letras e melodias. Como sou amante da nossa língua portuguesa e acredito que ela fica muito bem poetizada, procuro sempre ter um cuidado especial com as palavras. Este é um disco de cantautor, foi um desafio para Marisa [Rotenberg] buscar uma certa unidade entre tantas canções de diferentes nuances. Minha intenção foi mesmo mostrar diferentes facetas como compositor.

Entre as canções do repertório do disco, encontramos três de autoria apenas de Daniel (como Meio Mundo, abaixo), duas parcerias com Maikel Rosa e uma parceria com Isabel Janostiac (o tango Empezar), que também foi selecionado para a audição comentada dessa postagem.

Sobre MEIO MUNDO

Meio Mundo (Ano 2012) – É o segundo samba que já compus. Fiz esta música no feminino, como se fossem palavras de uma mulher livre, sem pudores, que aprendeu apanhando com a vida. Ao final a música vira um “bailinho”, um quê de samba de roda, depois do coro das “lavadeiras” feito pela Marisa Rotenberg e pela Andréa Cavalheiro.

Sobre EMPEZAR

Empezar (Ano 2009) – Minha amiga, poetisa, professora de espanhol e literatura Isabel Janostiac me mandou este poema em 2009 e compus esse tango. Nós já tínhamos outras parcerias, outros poemas que eu havia musicado. Esta é a única música do EP que não é completamente inédita, pois já a havia apresentado com arranjo ao piano em 2009 no show ContraTempo no extinto Teatro do Cultural em Porto Alegre. Minha paixão por tangos é antiga, desde quando fazia parte do Conjunto de Música e Dança Os Changadores em Cachoeira, onde fui dançarino e cantor, foi ali que comecei a ter mais contato com o ritmo. Depois cantei em algumas Noites Portenhas na Sociedade Rio Branco, quando ainda morava em Cachoeira nos anos 90. Esta é a canção mais diferente do disco, Marisa chamou o Samuca do Acordeon, que é um virtuose, para este arranjo com um quê de Piazzolla ao acordeon e voz. É a cereja do disco.

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