O músico Rodrigo Nassif já é presença confirmada aqui no Música Esparsa, como vocês podem conferir nas postagens que fiz sobre os seus três discos lançados: Rodrigo Nassif, Fronteira e O Pulo do Gato. E não tem como ser diferente: o violonista está sempre em movimento, criando e experimetando a música instrumental com um afinco impressionante.

Créditos: Maciel Goelzer
Créditos: Maciel Goelzer

Há algum tempo, aspecto que ainda não comentei por aqui, Rodrigo está se apresentando com mais três instrumentistas, formando assim o Rodrigo Nassif Quarteto, com Samuel Cibils no contrabaixo, Leandro Schirmer na bateria e Carlos Ezael no violão. Ano passado, o show deles na sede da Fundação Ecarta, em Porto Alegre, foi de uma energia e qualidade incríveis, sendo que arrancou elogios do seguinte nível: “até afinando o instrumento está bom demais”, como disse um senhor na plateia.

Nos últimos tempos, os músicos têm se apresentado com frequência na capital paulista, fazendo shows no Sesc e em outros espaços, como a Fundação Ema Klabin. E é dessa última apresentação citada que vem a novidade apresentada no texto de hoje: a execução de dois temas inéditos, que vocês podem conferir nos vídeos abaixo.

Logo que vi a performance fiquei realmente espantado, dada as características indefiníveis e ao mesmo tempo instigantes e atraentes da sonoridade das músicas História diferente e O que eu disse e o que eu quis dizer. É curioso que, intencionalmente ou não, os nomes dos temas remetem ao próprio impacto das composições no ouvinte e à tarefa absolutamente desnecessária de pretender classificá-los com algum estilo, rótulo e referência musical precisos e herméticos. A diferença e a comunicação, nos dois casos, acontecem através da própria sonoridade, sem que seja preciso tornar essa história diferente em alguma coisa conhecida ou normal ou mesmo determinar o que se disse e o que se quis dizer através de uma explicação lógica. Em síntese, as novas composições de Nassif parecem mesmo expressar uma provocação artística muito interessante: a criação diferente que se comunica com o mundo não exige que seja explicada ou compreendida, mas sim que se transforme naquele que ouve em sensações também diferentes e difíceis de explicar.

Saudações musicais!

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