Nos últimos tempos, dois de meus artistas preferidos lançaram novos trabalhos: Ceumar e Nei Lisboa. Como o tempo para atualizar o blog andou extremamente exíguo, ainda não havia comentado sobre as referidas novidades discográficas. Essa condição, no entanto, não impediu que escutasse exaustivamente os dois álbuns e incorporasse os mesmos como trilhas sonoras da minha rotina e também como motivos de contemplação auditiva extremamente prazerosa.

álbuns

A riqueza sonora e poética de A vida inteira (2013) e de Silencia (2014) não cansam de me surpreender, mesmo que, respectivamente, os nomes de Nei Lisboa e Ceumar não me deixassem pensar em sensação diferente. Os temas e abordagens das canções dos dois repertórios são, ao mesmo tempo, velhos conhecidos e impressionantes novidades: críticas sociais, baladas românticas, paisagens naturais e sentimentos diversos apresentam-se com lirismo e contundência nos dois álbuns.

Para apreciarmos as duas obras, compartilho com vocês um pequeno percurso pelos temas, selecionando dois temas de cada disco.

Se Nei Lisboa já era conhecido por suas críticas afiadas (como no incrível  Cena Beatnik, de 2001), em A vida inteira, o consumo e a mídia mercantilizada são ironizados em No boleto ou no cartão e em Publique-se a versão. Para mim, no entanto, o ponto alto do disco é Mãos demais, que faz uma abordagem da religião, do futebol e da cultura de massa através da multidão e de suas contradições. Isso sem deixar de incorporar na “análise cancionista” justamente o consumo e a mídia citados anteriormente. Escutem só:

Já das baladas românticas de Nei, que coisa linda é escutar Correntinha e pensar em um amor que transforma nossa visão e nossas sensações sobre o mundo de forma tão sutil e singela como uma corrente que adorna o pescoço da amada.

Em Silencia, Ceumar abre o disco através da parceria belíssima com Gildes Bezerra, falando do rio de sua terra natal cujo trajeto é um exemplo de inspiração para uma música doce, bucólica e, também, revigorante. A natureza e suas características fazem parte da nossa vida de uma maneira muito peculiar com as canções de Ceumar. Uma paisagem sonora belíssima.

E o disco encerra com a faixa-título, inteiramente de Ceumar, e que é de uma preciosidade inédita, abordando o silêncio e a solidão de uma maneira incrível, fazendo referência a uma sinfonia calada de poderes curativos. Não sei vocês depois de escutarem o tema, mas eu me curei.

Saudações musicais!

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