Conheci o trabalho da Lara Rossato pela primeira vez em 2013, em uma das edições do “Escuta: o som do compositor”, na galeria La Photo, em Porto Alegre. Naquelas duas ou três músicas interpretadas por ela na ocasião, percebi uma característica muito interessante na cantora e compositora: uma atitude de defesa, mesmo que sutil, dos seus sentimentos e ideias traduzidas artisticamente, deixando claro que o sentido que ela atribuía às suas criações era forte o suficiente para ser compartilhado com outras pessoas.

Assim, ao escutar seu recente lançamento discográfico, o álbum Mesa para dois, reconheci novamente na interpretação de Lara essa força que emana de dizer o que se pensa e o que se sente com liberdade e audácia, condição que ela sabe muito bem explorar através dos formatos pop, rock e folk, em diferentes combinações.

As 10 canções autorais do repertório transitam entre a leveza de Despedida até a empolgação irônica de Vulcânica, passando por aquela que considero a canção-conceito do disco, a ótima Muito Original, que vocês podem escutar abaixo.

Para essa postagem, Lara Rossato gentilmente respondeu alguns questionamentos da nossa série “Música Comentada”, abordando o universo artístico de suas composições e comentando duas faixas do disco especialmente para os leitores do blog.

Confiram o material abaixo e visitem o site da Lara Rossato AQUI para mais informações.

Saudações musicais!

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Música Esparsa: Pensando em uma definição bem simples da arte como uma forma de mostrar/expressar mundos diferentes daquele com o qual estamos acostumados, quais seriam os “mundos” que as tuas canções podem sugerir ao ouvinte?

Lara Rossato: Exploro muito as questões sentimentais utilizando exemplos simples do cotidiano. Acredito que minha música é absorvida facilmente e, ao mesmo tempo, não é vazia de sentido. Penso que o meu mundo é o mesmo mundo de todos. O que eu escrevi, muitos já passaram ou vão passar, só encontro formas diferentes de expressar. Para mim esse é o dever do compositor: encontrar o jeito certo de dizer o que às vezes não tem como ser dito, só sentido.

MAIS QUE UMA VIDA

Lara Rossato: A voz da música é a voz “guia” ou seja, foi gravada somente para guiar a gravação dos outros instrumentos, ela é somente um take que ao final virou a voz principal, sem nenhuma alteração. O refrão da música fala em querer o santo e o imoral, neste caso, o santo é tudo aquilo que é bom, que é do coração. O imoral é tudo aquilo que a sociedade mais conservadora julga ser imoral, bem como a liberdade da mulher em vestir e fazer o que quiser e o amor entre pessoas do mesmo sexo.

JULHO DE 2013

Lara Rossato: Em Julho de 2013, colocamos um bumbo a mais no refrão que é quase imperceptível, mas faz muita diferença. Esse bumbo confere um ar mais dançante à música. Eu e os produtores apelidamos o bumbo como “bumbo lady gaga”, o porquê eu não sei! No show ao vivo, a música no final vira um dance anos 80/90.

A frase final que diz “Agora eu vou lançar meu barco contra o mar, eu vou virar estrada” foi retirada de dois trechos da música “O velho e o mar” do compositor Rubel, que fala sobre esse acordar por dentro e se entregar ao mundo e a si mesmo. Essa música fez muito sentido na época que escrevi a canção, ela serviu como um “gancho” para essa nova composição.

Música Esparsa: Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Lara Rossato: Gostaria de agradecer o espaço e parabenizar o Música Esparsa por ajudar a promover a música independente, fazendo essa ponte entre o músico e o público.

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