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Créditos: Jonas Pereira.

Está disponível, desde o último dia 20 de novembro, a nova empreitada musical do cantor e compositor Oly Jr., um repertório de 11 canções intitulado Dedo de Vidro. Após os trabalhos que envolveram uma criação artística inspirada na fusão da milonga com o blues, comentados no Música Esparsa aqui e aqui, e a parceria com o harmonicista Gonzalo Araya no disco Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama, Oly Jr. dedica-se agora a um conjunto de canções tematicamente diversificadas, mas reunidas do ponto de vista da sonoridade pela técnica do slide, como o próprio artista comenta logo abaixo:

Oly Jr.: Este disco tem como força motriz, em termos estéticos e sonoros, a intervenção em todas faixas, do slide. O slide é um objeto cilíndrico, ou um tubo, que pode ser feito de vários materiais, mas os mais usados são os de metais, de porcelana, no meu caso, de vidro, e é usado como efeito sonoro, deslizando esse objeto em algum instrumento de cordas, geralmente no violão ou na guitarra, mas no meu caso, e para esse disco, usei direto numa viola de 10 cordas e numa guitarra de 10 cordas, que eu chamo de “guitarola”, fuçada e reformada pelo luthier André Moraes. Ou seja, consegui unir elementos que me emocionam muito no universo musical, como o blues, a milonga, o folk, o rock, a viola e o slide. Faz muito tempo que eu estudo a técnica do slide, através do blues, e desde 2009, com o disco “Milonga Blues” eu venho aplicando essa técnica também na milonga, que depois aperfeiçoei um pouco mais em outro disco, o “Milonga em Blue (Notas do Delta)”, de 2012. No disco de 2009 eu já tinha gravado os slides numa viola de 10 cordas, mas que eu a usava com 5 cordas. Somente num disco de 2013, que eu gravei em parceria com o harmonicista chileno Gonzalo Araya, intitulado “Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama”, que de fato usei uma viola com 10 cordas, com intervenções do slide em algumas canções. Como gostei muito do resultado, me dediquei um tempo para a viola e para essa guitarra de 10 cordas, com um slide no dedo, compondo e fazendo arranjos nessas condições. Daí surgiu o DEDO DE VIDRO.

Um disco inspirado em Robert Johnson, Muddy Waters, Mississippi Fred McDowell, Son House, Charley Patton, Julio Reny, Nei Lisboa, Bebeto Alves, Vitor Ramil, Mauro Moraes, Noel Guarany, Jayme Caetano Braun, Almôndegas, Bob Dylan, Neil Young, Joan Baez, Duane Allman (guitarrista/The Allman Brothers Band), Jeremy Spencer (guitarrista/Fleetwood Mac), Otávio Rocha (guitarrista/Blues Etílicos), Bebeco Garcia, Eric Clapton, Almir Sater, Paulo Freire, Roberto Corrêa, Tião Carreiro, Renato Andrade, Zé Côco do Riachão, Helena Meirelles, Ricardo Vignini, Renato Teixeira, Rolando Boldrin, entre outros.

Artista inquieto e muito dedicado a pesquisar e investir em processos criativos diferenciados e, ao mesmo tempo, condizentes com sua trajetória artística prévia, Oly Jr. oferece-nos agora uma combinação múltipla de composições que transitam entre temas urbanos, políticos, existenciais e, como não poderia deixar de ser, culturalmente híbridos, como a excelente Uma avença, na qual o tema do pacto com o diabo (clássica referência blueseira) ganha vida ao lado de personagens da nossa literatura que também estiveram relacionados a tão antiga experiência, como Riobaldo e Blau Nunes.

Gravado, mixado e masterizado nos Estúdios Musitek, Dedo de Vidro contou com a coprodução de Otávio Moura (que colabora em 7 faixas do disco, revezando-se na bateria, teclado, bombo leguero e back vocal) e a participação de Jacques Jardim (baixo), Jacques Trajano (bateria), Lourenço Gaiteiro (acordeón) e Luciano Leães (piano).

Para finalizar, escutem a Canção do despertar, uma composição com letra e arranjo belíssimos, evidenciando que o Dedo de Vidro é acompanhado por uma poética política necessária e inspiradora.

Saudações musicais!

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