“Quem pode livre ser, gentil Senhora,
vendo-vos com juízo sossegado,
Se o menino que de olhos é privado,
Nas meninas de vossos olhos mora?”

(Luís Vaz de Camões)

Não que as outras dez músicas do repertório do excelente álbum Embalar, lançado em 2013 por Ná Ozzetti, não merecessem cada uma comentários específicos (especialmente Lizete, parceria de Kiko Dinucci e Jonathan Silva), mas quando ouvi Olhos de Camões o impacto foi imediato e decidi escrever uma postagem exclusiva para indicar aos leitores do blog a audição do tema, como se fosse uma maneira de agradecer pela música.

Camões, por François Gérard.
Camões, por François Gérard.

Com uma cadência que tende ao infinito, a sonoridade da canção é formada pela linda voz de Ná Ozzetti e pela participação nos vocais de Marcelo Pretto, acompanhados ainda por uma incrível combinação instrumental com Ivan Vilela (viola caipira), Dante Ozzetti (violão), Mário Manga (guitarra e violoncelo), Sérgio Reze (bateria e gongos melódicos), Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico) e Uirá Ozzetti (violino).

E a letra da canção não poderia ser mais surpreendente e instigante: versos de Luís de Camões recombinados em um poemontagem de Alice Ruiz (que integra o livro Dois em Um, de 2008), que se dedica a potencializar a presença do olho e da visão tão recorrentes na lírica camoniana a partir de uma belíssima intervenção poética que, agora vertida em canção, passa do olho ao ouvido e do ouvido à alma.

Saudações musicais!

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