Entre toda a diversidade da música sul-americana, duas tradições de sua trajetória são hoje muito reconhecidas: a da música instrumental e a das intérpretes e compositoras femininas (cantautoras).

No primeiro caso, a riqueza do hibridismo cultural que uniu as influências ibéricas, ítalo-germânicas, indígenas e africanas, legou para a musicalidade da região a percussão, a flauta, o violão, o acordeón, entre outros instrumentos que foram e são a base de diversos conjuntos musicais e de solistas que contribuíram para a diversificação e a riqueza sonora da América do Sul. Assim, desde guitarreros, passando por big bands, orquestras típicas de tango, comparsas de candombe e outras formações, a música instrumental sul-americana sedimentou uma cultura riquíssima e plural, com diversos ritmos e elementos, destacando-se a milonga, a chacarera, a zamba, o candombe, o chamamé, a guarania, o huayño, entre outros.

Em relação às intérpretes e compositoras femininas, Violeta Parra, Chabuca Granda, Mercedes Sosa, Nelly Omar e outras incríveis cantoras fizeram da poesia e da música popular sul-americana uma das expressões culturais mais ricas do mundo. Seja tematizando os relacionamentos amorosos, a vida sofrida da população do subcontinente, as mazelas da sociedade patriarcal ou diversos outros aspectos da vida e da sociedade da região, essas intérpretes e cantautoras ainda deixam um exemplo incrível de criatividade, poesia e musicalidade emocionante.

E o mais importante é que esses legados da música instrumental e das cantautoras da América do Sul ainda continuam vivos e renovam-se constantemente. Agora, pensem em uma renovação musical que combine essas duas vertentes: a competência e a criatividade de um grupo de excelentes instrumentistas com uma cantora e compositora de reconhecida qualidade artística: pois bem, essa combinação está presente no dvd A USTEDES, que registra o show do grupo XQuinas com a cantautora Ana Prada em 2012, no Teatro CIEE, em Porto Alegre.

Na apresentação, uma combinação riquíssima entre grandes instrumentistas e uma intérprete segura e de performance impecável. Tudo isso baseado na diversidade da música sul-americana, que transitou  (no repertório do show) da milonga ao baião com grande naturalidade.

Marcelo Corsetti nas guitarras, Matheus Kleber no acordeon e no teclado, Rodrigo Rheinheimer no contrabaixo e Luke Faro na bateria fizeram tudo o que sabem fazer: música instrumental de grande qualidade e criatividade, comprovadas nos 7 discos e no dvd do grupo. E ainda mais: fizeram arranjos de releitura das canções de Ana Prada com muita sensibilidade e ousadia. Passaram do rock ao chamamé, da milonga ao baião, das improvisações jazzísticas ao fraseado pop como se fossem (e são!) expressões orgânicas de uma arte musical sem fronteiras e aberta ao diálogo.

A uruguaia Ana, que o público brasileiro deveria conhecer ainda mais, foi impressionante no palco: interpretação segura e extrovertida e combinação precisa de força e sensibilidade. As suas composições no repertório do show, dividido entre as canções dos seus dois álbuns, Soy sola (2006) e Soy pecadora (2009), ganharam vigor e outros matizes com os novos arranjos do XQuinas, devidamente explorados pela artista na sua performance. Como se não bastasse tudo isso, a participação especial de Gisele De Santi em Juveniles brios (na versão de estúdio um dueto entre Ana e Paula Toller) imprimiu ainda mais doçura e animação ao espetáculo.

O registro audiovisual que agora é lançado contou com a produção impecável da Andrea Avila (Garota Vinil) e o cenário do sempre competente Iran Rosa e a direção de Rene Goya Filho. O material poderá ser adiquirido em breve na loja Produto Oficial.

Confiram abaixo o teaser do DVD.

Saudações musicais!

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