Seção Platinidades, por Chico Cougo

Em 2009, treze jovens músicos bonaerenses e apaixonados pelos ritmos tropicais colombianos, peruanos e mexicanos organizaram uma orquestra no mínimo curiosa. Em busca de um som tradicional, mas próprio, em um país que criou sua própria onda tropical, eles se lançaram ao desafio de constituir uma orquestra “típica” de cumbia. Através de muita pesquisa, horas sem fim de ensaio e uma recorrida por temas que agitaram a parada de sucessos dos países onde a cumbia nasceu, nos anos 50 e 60, nascia La Delio Valdez.

O nome é uma homenagem ao maestro homônimo, de quem não se conhece a história – nem sequer se sabe se teria existido – e que é encarado pela orquestra como guia espiritual. Todos os integrantes do grupo são argentinos, mas o repertório é, em geral, proveniente da Colômbia, do Peru e do México, canções consagradas e perdidas de quatro ou cinco décadas atrás. A formação da orquestra obedece rigorosamente as regras da cumbia “clássica”: um timbal, tumbadoras, guirô, bongô, caixa vallenata, guitarra, baixo, sax alto e tenor, clarinete, trombones e trompetes. Nada mais latino: metade europeu pelos instrumentos sinfônicos; metade africano, pela percussão.

La Delio Valdez conta com dois discos – disponíveis no YouTube, Spotify e Deezer. Em ambos, os vocais ficam a cargo da excepcional Negra Sarabia, que em 2014 deixou o grupo para compor projeto próprio (a banda Walachai). Atualmente, o vocal do grupo é responsabilidade de Ivonne Guzmán.

Além do som afinadíssimo, La Delio Valdez opera em um modelo diferente do que geralmente se encontra por aí. A orquestra é uma cooperativa, que além dos concertos que dá, organiza festas cumbieras e projetos junto às periferias de Buenos Aires. Também pelo sistema cooperado, a agrupação lançou seus dois discos.

Apresentada a trupe, vamos ao que interessa. Conheçam La Delio Valdez, um dos sons mais incríveis que você vai ouvir. Abaixo, dois vídeos, um da época da primeira vocalista; outro, mais recente. Desfrutem!

iSalute!

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