A cantora argentina Gisela Magri destaca-se pelo criativo e sofisticado diálogo musical entre sonoridades argentinas e brasileiras, especialmente do samba e do tango. Após o álbum Glicina Oscura, tango y samba enredados (2012), lançou o belíssimo Madeja (2016), produzido pela própria artista e com arranjos e direção musical de Tincho Acosta.

Neste segundo álbum de sua trajetória, encontramos um repertório majoritariamente de canções do século XXI e que reúne compositores argentinos, uruguaios e brasileiros, como Fernando Cabrera, Alfredo “Tape” Rubín e Vitor Ramil. E para garantir o sucesso do desafio de mesclar diferentes sonoridades com virtuosismo e desenvoltura, Gisela conta com diversos convidados especiais (como Martín Sued no bandoneón) e um grupo de excelentes instrumentistas: Tincho Acosta (violão 7 cordas), Eugenio Masa (piano e baixo), Gonzalo Alfonso (cavaquinho e violão), Andres García (contrabaixo), Ramiro Gonzalo (pandeiro, tamborim e berimbau) e Mauricio Mentasti (tamborim, cuíca e tantam).

Para uma prova do disco, comento abaixo duas músicas. O álbum completo pode ser escutado na íntegra AQUI.

Saudações musicais!

LAVOURA

Na composição de Teresa Cristina e Pedro Amorim, Gisela interpreta em português com entonação sensível e com notável e apropriada performance um tema que transita de maneira natural e envolvente entre o samba, a bossa e o tango. Os sentimentos similares (melancolia, amor, solidão) que transitam entre os estilos musicais são preservadas independente da predominância de um ou de outro no arranjo da música.

 

 

 

VIENTO SÓLO

Com violão e arranjo de Nicolás Ciocchini, o tema de Alfredo “Tape” Rubín traz a participação ainda dos excelentes Rebeca Restelli (viola) e Federico Nuñez (clarinete) que imprimem uma atmosfera sonora que transita entre a leveza e o soturno como se fossem parte de um mesmo devaneio ou do próprio vento que nomeia a canção.