Um dos aspectos mais belos da diversidade cultural dos povos é como ela se traduz em sonoridades e timbres diferentes, veiculados pelos inúmeros instrumentos musicais desenvolvidos e adaptados por cada comunidade.

No entanto, nem todo instrumento e sonoridade que já foi amplamente explorado em determinada cultura permanece na longa duração, pois durante as diferentes formatações identitárias que os discursos dominantes vão construindo sobre o que é ser desta ou daquela cultura muitos aspectos são negligenciados e excluídos ao sabor das preferências e dos valores do grupo que engendra o discurso hegemônico.

Um caso emblemático desse tema são os usos e desusos da viola de 10 cordas – a popular viola caipira – na música sulina, especialmente a sul-rio-grandense. Em uma excelente reportagem sobre o tema, O desaparecimento meridional da viola e seu retorno no século da diversidade cultural, o jornalista João Vicente Ribas apresenta alguns percursos do instrumento que vão desde o século XVIII, usada entre guaranis e tropeiros, até o seu suposto desaparecimento e usos esparsos, como nos ternos de reis da cultura de origem açoriana.

A contrapelo da tendência de ocultamento da viola, a reportagem apresenta um projeto contemporâneo do qual comentamos a seguir algumas características: o Violas ao Sul.

Formado pelos músicos Angelo Primon, Mário Tressoldi, Oly Jr. e Valdir Verona, o grupo apresenta a viola em sua versatilidade, representada tanto pelas formas diversas através das quais cada um dos integrantes incorporou o instrumento nas suas criações artísticas quanto pelos temas instrumentais e canções apresentados nos shows, que mesclam composições dos integrantes com músicas diversas do Brasil, sejam “sulistas” ou não.

A riqueza do espetáculo é reforçada também pela diversidade da trajetória dos músicos, que conseguem apresentar nesta iniciativa uma intervenção artística de extrema relevância, convidando-nos para uma dupla ampliação de nossos horizontes: tanto aquela da fruição musical quanto a da reflexão sobre as diferentes fontes e destinos plurais da nossa cultura.

Confiram abaixo duas apresentações do grupo e também a trajetória dos artistas. Contatos para shows podem ser feitos através da página do grupo no Facebook – VIOLAS AO SUL.

Saudações musicais!

VALDIR VERONA | natural de Caxias do Sul RS, é músico com mais de 25 anos de carreira profissional, tendo trabalhado ao longo desse tempo com apresentações musicais em diversos formatos: Solo, duos, trios, grupos, músico acompanhante, aulas de música, produções e direções musicais. Um dos maiores e mais atuantes representantes da viola no sul.

MÁRIO TRESSOLDI | arranjador, compositor, produtor musical, pesquisador da cultura do litoral norte do RS, integrante do grupo Chão de Areia, Bacharel em Música (Cordas) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor de violão, técnica vocal, teoria e harmonia funcional. É atualmente um dos compositores e músicos mais premiados nos festivais do Brasil.

ANGELO PRIMON | músico, compositor, produtor, destacado como um dos mais importantes instrumentistas de sua geração, com mais duas décadas, atuouao lado de inúmeros artistas do Brasil e do Uruguai, tendo recebido o Prêmio Açorianos de Melhor Instrumentista em 2006 e 2008, pesquisa já há alguns anos as sonoridades orientais e populares, de instrumentos como a viola de dez cordas, viola de cocho, o oud árabe e o sitar indiano.

OLY JR. | cantautor, atuante na cena musical desde 1998, tem 11 discos lançados, quatro Prêmios Açorianos de Música (2010 e 2012), participou de festivais nacionais e internacionais de blues, em coletâneas musicais do gênero, funde milonga com blues, explorador da técnica do slide, reconhecido como um dos mais atuantes e originais da cena blues do Brasil.