Por Chico Cougo

Voltamos com a coluna Platinidades. E, com ela, um som para o verão. De tempos em tempos, a música latina ganha as paradas de sucesso do mundo, impulsionando consigo ritmos antes pouco difundidos. Em 2017, com Despacito (de Ramón Ayala, Luíz Rodríguez e Érika Ender, imortalizada na voz de Luis Fonsi), foi a vez do reggaeton fazer fama. Mas a imensidão de sons tropicais que habitam o continente é muito maior.

No Uruguai, por exemplo, além da cumbia e do próprio reggaeton, é a plena quem faz os quadris orientais remexerem. O ritmo nasceu em Porto Rico, no final do século XIX, como uma derivação do calipso (que os brasileiros do norte conhecem bem). Inicialmente, era apenas instrumental (sob bases de violão, pandeiro e acordeom), mas, nos anos 1910, os primeiros cantos foram incorporados. Na forma de cantar e nas letras iniciais, uma mescla entre a entonação vinda da África Ocidental e os sons ibéricos.

Ao longo do século XX, a plena porto-riquenha incorporou outros vários instrumentos – sobretudo conjuntos de tambores e formações diversas de sopros. Nos anos 50, auge do ritmo em Porto Rico, os primeiros discos do gênero chegaram ao Prata, incentivando o cantor uruguaio Carlos Goberna a cantá-los e gravá-los. Em 1964, Goberna cria sua orquestra Sonora Borinquen (na foto acima, do El Observador) que, desde então, se torna a mola-mestra da plena uruguaia. Pela Borinquen, o ritmo plenero ganhou o próprio “molho uruguaio”, tornando-se (no final dos anos 1990) comercialmente mais forte no Uruguai do que em Porto Rico.

Apropriação cultural aceita e consagrada, a plena atravessa as últimas duas décadas como um dos ritmos mais tocados no Uruguai. A quantidade de orquestras, bandas e solistas é imensa. Tanto que o governo uruguaio criou, em 2017, o “Dia da Plena”, comemorado a cada 31 de maio. Vídeos de plena no YouTube chegam a contar com mais de 3 milhões de visualizações (a população uruguaia inteira).

Quer conhecer mais? Segue uma curadoria rápida de cinco exemplares variados, antigos e novos.

iSalute!

Caramba carambita, Sonora Borinquen (1975)

El amor que llega, Karibe con K (1998)

Agitando, La Cumana (2000)

Como tu sabes, Gucci y los Asesinos del Sabor (2017)

A ti lo que te duele, Majo y la del 13 (2017)

FAIXA Bônus, para documentar o encontro de gerações:

Azuquita p’al café, Miguel Muniz e Los Negroni (2017)

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