Após seis anos do excelente disco Lovely Difficult (2013), a cantora e compositora Mayra Andrade lançou este ano o quinto álbum de sua carreira, Manga, trazendo a beleza e o frescor da música pop africana contemporânea.

Produzido por Roman Bilharz e com a participação decisiva dos beatmakers Akatche e 2B, o repertório formado por treze canções apresenta uma diversidade de ritmos e nuances que alternam um registro dançante e swingado com momentos de pura leveza ou melancolia.

Cantando inteiramente em português e no crioulo cabo-verdiano, Mayra parece ainda mais feliz e à vontade interpretando sete temas de sua lavra e outros seis de compositores diversos, como Luísa Sobral, Princezito, Cachupa Psicadélica, Sara Tavares, João Gomes e Tibau Tavares. Mesmo em momentos mais eletrônicos, o arranjo e a performance da artista não deixam nunca de remeter ao frescor e ao movimento sinuoso e envolvente da música atlântica africana.

E uma questão especial gostaria ainda de ressaltar sobre um papel cultural importante deste disco. Em processo de sistematização e normatização recente, o crioulo cabo-verdiano ganha aqui uma bonita e importante visibilidade. Herdeira do legado de Cesária Évora, Mayra nos traz, ao seu estilo e ao mesmo tempo, a leveza e a profundidade de uma cultura e de um idioma forjado nas travessias do mundo atlântico.

Para uma provinha do disco, escutem abaixo três belíssimos temas que transitam entre o jazz, a morna e o pop para expressar desde os sentimentos dos imigrantes (Vapor di Imigrason), passando pela interpretação densa e incomparável da artista na confessional Plena e na tradução lúdica do inconfessável em Segredu. Para escutar o álbum na íntegra, é só clicar AQUI.

Saudações musicais!