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Música Esparsa

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Entrevista

JUAN PÉREZ – ARDE MARTE

No hay velo sobre el deseo que disimule su instinto.

A bela imagem acima, de Yasnaia Gayá, ilustra o primeiro álbum solista do músico argentino Juan Pérez, um conjunto de canções que viajam pelo fantástico e pelo onírico tomando o indie pop como principal meio de transporte. Continuar lendo “JUAN PÉREZ – ARDE MARTE”

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CONVERSA ESPARSA COM CARMEN CORREA

Para finalizar o ano de maneira especial, o Música Esparsa convida a todos para conhecerem o álbum Do Outro Lado, da cantora e compositora Carmen Correa (na imagem acima, em registro de Fabrício Simões), lançado há menos de um mês e que traz um conjunto de belas e instigantes canções. Continuar lendo “CONVERSA ESPARSA COM CARMEN CORREA”

METABLOG COM CHICO COUGO

E chegamos à terceira entrevista da seção MetaBlog, dedicada a divulgar as ideias e as iniciativas de diversos blogueiros do Brasil dos quais sou leitor frequente e que há muito tempo penso em trazer para os leitores deste blog também apreciarem.

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METABLOG COM LEONARDO DAVINO

Nesta postagem, o Música Esparsa estreia uma nova seção, intitulada Metablog, dedicada a divulgar as ideias e as iniciativas de diversos blogueiros do Brasil dos quais sou leitor frequente e que há muito tempo penso em trazer para os leitores deste blog também apreciarem. Continuar lendo “METABLOG COM LEONARDO DAVINO”

CONVERSA ESPARSA COM JULIANA CORTES

Em 2013, a cantora curitibana Juliana Cortes lançou seu álbum de estreia, intitulado Invento. Não tardou muito para que eu conhecesse o disco, cujo repertório incluía três músicas já gravadas por Vitor Ramil, cantor e compositor que escuto quase diariamente desde 2008.

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CONVERSA ESPARSA COM TATÁ AEROPLANO

Tatá Aeroplano (Cŕeditos: Maira Acayaba)
Tatá Aeroplano (Cŕeditos: Maira Acayaba)

Faz pouco tempo que conheci os dois discos solo do cantor e compositor Tatá Aeroplano, integrante das bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro. Desde então, a audição constante das canções de Tatá Aeroplano (2012) e Na Loucura & Na Lucidez (2014) traz sucessivas descobertas sonoras e poéticas a partir da abordagem multifacetada de experiências urbanas, amorosas e noturnas que o artista explora nas suas composições.

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OLY JR. – DEDO DE VIDRO

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Créditos: Jonas Pereira.

Está disponível, desde o último dia 20 de novembro, a nova empreitada musical do cantor e compositor Oly Jr., um repertório de 11 canções intitulado Dedo de Vidro. Após os trabalhos que envolveram uma criação artística inspirada na fusão da milonga com o blues, comentados no Música Esparsa aqui e aqui, e a parceria com o harmonicista Gonzalo Araya no disco Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama, Oly Jr. dedica-se agora a um conjunto de canções tematicamente diversificadas, mas reunidas do ponto de vista da sonoridade pela técnica do slide, como o próprio artista comenta logo abaixo:

Oly Jr.: Este disco tem como força motriz, em termos estéticos e sonoros, a intervenção em todas faixas, do slide. O slide é um objeto cilíndrico, ou um tubo, que pode ser feito de vários materiais, mas os mais usados são os de metais, de porcelana, no meu caso, de vidro, e é usado como efeito sonoro, deslizando esse objeto em algum instrumento de cordas, geralmente no violão ou na guitarra, mas no meu caso, e para esse disco, usei direto numa viola de 10 cordas e numa guitarra de 10 cordas, que eu chamo de “guitarola”, fuçada e reformada pelo luthier André Moraes. Ou seja, consegui unir elementos que me emocionam muito no universo musical, como o blues, a milonga, o folk, o rock, a viola e o slide. Faz muito tempo que eu estudo a técnica do slide, através do blues, e desde 2009, com o disco “Milonga Blues” eu venho aplicando essa técnica também na milonga, que depois aperfeiçoei um pouco mais em outro disco, o “Milonga em Blue (Notas do Delta)”, de 2012. No disco de 2009 eu já tinha gravado os slides numa viola de 10 cordas, mas que eu a usava com 5 cordas. Somente num disco de 2013, que eu gravei em parceria com o harmonicista chileno Gonzalo Araya, intitulado “Do Delta do Jacuí ao Deserto do Atacama”, que de fato usei uma viola com 10 cordas, com intervenções do slide em algumas canções. Como gostei muito do resultado, me dediquei um tempo para a viola e para essa guitarra de 10 cordas, com um slide no dedo, compondo e fazendo arranjos nessas condições. Daí surgiu o DEDO DE VIDRO.

Um disco inspirado em Robert Johnson, Muddy Waters, Mississippi Fred McDowell, Son House, Charley Patton, Julio Reny, Nei Lisboa, Bebeto Alves, Vitor Ramil, Mauro Moraes, Noel Guarany, Jayme Caetano Braun, Almôndegas, Bob Dylan, Neil Young, Joan Baez, Duane Allman (guitarrista/The Allman Brothers Band), Jeremy Spencer (guitarrista/Fleetwood Mac), Otávio Rocha (guitarrista/Blues Etílicos), Bebeco Garcia, Eric Clapton, Almir Sater, Paulo Freire, Roberto Corrêa, Tião Carreiro, Renato Andrade, Zé Côco do Riachão, Helena Meirelles, Ricardo Vignini, Renato Teixeira, Rolando Boldrin, entre outros.

Artista inquieto e muito dedicado a pesquisar e investir em processos criativos diferenciados e, ao mesmo tempo, condizentes com sua trajetória artística prévia, Oly Jr. oferece-nos agora uma combinação múltipla de composições que transitam entre temas urbanos, políticos, existenciais e, como não poderia deixar de ser, culturalmente híbridos, como a excelente Uma avença, na qual o tema do pacto com o diabo (clássica referência blueseira) ganha vida ao lado de personagens da nossa literatura que também estiveram relacionados a tão antiga experiência, como Riobaldo e Blau Nunes.

Gravado, mixado e masterizado nos Estúdios Musitek, Dedo de Vidro contou com a coprodução de Otávio Moura (que colabora em 7 faixas do disco, revezando-se na bateria, teclado, bombo leguero e back vocal) e a participação de Jacques Jardim (baixo), Jacques Trajano (bateria), Lourenço Gaiteiro (acordeón) e Luciano Leães (piano).

Para finalizar, escutem a Canção do despertar, uma composição com letra e arranjo belíssimos, evidenciando que o Dedo de Vidro é acompanhado por uma poética política necessária e inspiradora.

Saudações musicais!

MÚSICA COMENTADA: LARA ROSSATO

Conheci o trabalho da Lara Rossato pela primeira vez em 2013, em uma das edições do “Escuta: o som do compositor”, na galeria La Photo, em Porto Alegre. Naquelas duas ou três músicas interpretadas por ela na ocasião, percebi uma característica muito interessante na cantora e compositora: uma atitude de defesa, mesmo que sutil, dos seus sentimentos e ideias traduzidas artisticamente, deixando claro que o sentido que ela atribuía às suas criações era forte o suficiente para ser compartilhado com outras pessoas.

Assim, ao escutar seu recente lançamento discográfico, o álbum Mesa para dois, reconheci novamente na interpretação de Lara essa força que emana de dizer o que se pensa e o que se sente com liberdade e audácia, condição que ela sabe muito bem explorar através dos formatos pop, rock e folk, em diferentes combinações.

As 10 canções autorais do repertório transitam entre a leveza de Despedida até a empolgação irônica de Vulcânica, passando por aquela que considero a canção-conceito do disco, a ótima Muito Original, que vocês podem escutar abaixo.

Para essa postagem, Lara Rossato gentilmente respondeu alguns questionamentos da nossa série “Música Comentada”, abordando o universo artístico de suas composições e comentando duas faixas do disco especialmente para os leitores do blog.

Confiram o material abaixo e visitem o site da Lara Rossato AQUI para mais informações.

Saudações musicais!

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Música Esparsa: Pensando em uma definição bem simples da arte como uma forma de mostrar/expressar mundos diferentes daquele com o qual estamos acostumados, quais seriam os “mundos” que as tuas canções podem sugerir ao ouvinte?

Lara Rossato: Exploro muito as questões sentimentais utilizando exemplos simples do cotidiano. Acredito que minha música é absorvida facilmente e, ao mesmo tempo, não é vazia de sentido. Penso que o meu mundo é o mesmo mundo de todos. O que eu escrevi, muitos já passaram ou vão passar, só encontro formas diferentes de expressar. Para mim esse é o dever do compositor: encontrar o jeito certo de dizer o que às vezes não tem como ser dito, só sentido.

MAIS QUE UMA VIDA

Lara Rossato: A voz da música é a voz “guia” ou seja, foi gravada somente para guiar a gravação dos outros instrumentos, ela é somente um take que ao final virou a voz principal, sem nenhuma alteração. O refrão da música fala em querer o santo e o imoral, neste caso, o santo é tudo aquilo que é bom, que é do coração. O imoral é tudo aquilo que a sociedade mais conservadora julga ser imoral, bem como a liberdade da mulher em vestir e fazer o que quiser e o amor entre pessoas do mesmo sexo.

JULHO DE 2013

Lara Rossato: Em Julho de 2013, colocamos um bumbo a mais no refrão que é quase imperceptível, mas faz muita diferença. Esse bumbo confere um ar mais dançante à música. Eu e os produtores apelidamos o bumbo como “bumbo lady gaga”, o porquê eu não sei! No show ao vivo, a música no final vira um dance anos 80/90.

A frase final que diz “Agora eu vou lançar meu barco contra o mar, eu vou virar estrada” foi retirada de dois trechos da música “O velho e o mar” do compositor Rubel, que fala sobre esse acordar por dentro e se entregar ao mundo e a si mesmo. Essa música fez muito sentido na época que escrevi a canção, ela serviu como um “gancho” para essa nova composição.

Música Esparsa: Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Lara Rossato: Gostaria de agradecer o espaço e parabenizar o Música Esparsa por ajudar a promover a música independente, fazendo essa ponte entre o músico e o público.

CONVERSA ESPARSA COM BEBETO ALVES

Relendo a postagem que fiz em 2010 sobre o lançamento da caixa Bebeto Alves em 3D identifiquei prontamente o tom deveras elogioso do meu comentário. E agora, com a chegada do mais recente álbum de Bebeto, o Milonga Orientao, não posso deixar de ir pelo mesmo caminho.

Renovando a parceria com os Blackbagualnegovéio (Marcelo Corsetti nas guitarras, Luke Faro na bateria e Rodrigo Rheinheimer no baixo), o disco apresenta doze canções muito fortes, seja pelo questionamento político e existencial afiado de algumas composições seja pela leveza e pelo lirismo não menos cortante de outras. Isso tudo reforçado pelas levadas impecáveis dos instrumentistas citados acima, pelas participações especiais, como a de Humberto Gessinger, e pelas parcerias com Rodrigo Rheinheimer, Fernando Corona, Gastão Villeroy e Reinaldo Arias.

Da esquerda para a direita (sentados): Rodrigo Reinheimer, Bebeto Alves e Marcelo Corsetti. Em pé: Luke Faro.
Da esquerda para a direita (sentados): Rodrigo Rheinheimer, Bebeto Alves e Marcelo Corsetti. Em pé: Luke Faro.

Mas como a minha intenção é que vocês escutem as músicas e percebam a força desse trabalho, organizei uma postagem diferente. É o seguinte: vocês escutam a canção, depois descobrem o que me instigou nela e produziu uma pergunta e depois conferem a resposta do próprio Bebeto, que gentilmente aceitou colaborar com o Música Esparsa.

Antes de começar, no entanto, convido a todos a adquirirem o álbum no site da Stereophonica e contribuírem para viabilizar o show de lançamento do Milonga Orientao no crowdfunding do Traga Seu Show em Porto Alegre, no Teatro do CIEE.

Prontos agora? Então vamos lá! Com vocês, Milonga Orientao!

Saudações musicais!

Primeira canção: CARNEADO DE LUZ

MÚSICA ESPARSA: Esse teu mais recente álbum contém algumas das canções mais instigantes que escutei ultimamente com conteúdo relacionado a certo desconforto com diversas questões culturais, políticas e existenciais. Que características do contexto histórico e cultural contemporâneo influenciam para o “desassossego” e para as “interrogações” que parecem ter motivado as canções do disco?

BEBETO ALVES: O meu trabalho é uma manifestação da minha própria vida, sou autobiográfico, sempre foi assim.  À medida que o tempo passa, obviamente, ela, a vida, vai se avolumando em sua própria experiência. Esse disco traz uma relação de/com coisas que aparentemente não teriam nada a ver, pois são de planos diferentes: social, espiritual, existencial, psíquico, como observaste, mas que em minha reflexão acabam construindo um mosaico do qual tiro a poesia necessária para continuar respirando, transformando, criando, recriando uma realidade que me absorve. Objetivamente, e esse é o tom maior do disco, minha experiência com a morte, ou na perspectiva dela, por exemplo, é o turning point do disco. Nesses últimos dois ou três anos, apesar de estar em atividade, filmando, criando canções e fotografando, a proximidade com a sensação de finitude me proporcionou amadurecer a sua ideia e o ambiente ao redor. Quero dizer com isso que vivi tão intensamente isso tudo ao ponto de contemplar a criação com todos esses aspectos. E acho que é esse o determinante desse disco, e daqui por diante. Apesar do desassossego, foi a leveza de uma sensação de amor o que me movimentou. É inexplicável e indescritível.

Tentando ainda contextualizar dentro da tua pergunta, um pouco mais, diria que esse sentimento fez com que eu olhasse para toda essa realidade, do ponto de vista intelectual, do que compreendemos pelo conhecimento, pela nossa estrutura educacional e cultural, com os olhos de uma outra humanidade possível. E assim me dei por um novo homem, com uma reflexão, completando uma ideia de estar por aqui.

Eu sempre estive aqui. (Humberto Gessinger)

Essa é uma outra coisa, a emoção de sentir o outro. O Humberto foi confessional nessa letra e muito perspicaz. Me causou uma emoção enorme reconhecê-lo nessa afirmação.

Segunda canção: ARMANDO

MÚSICA ESPARSA: Tu consideras que há uma tendência no pensamento contemporâneo de relativizar a propriedade intelectual e apontar determinadas “transformações” no mundo da cultura sem questionar as bases da produção capitalista?  Fico pensando nisso porque muitas vezes tenho essa impressão, como se alguns defendessem a possibilidade de questionar a propriedade sobre a criação na área da cultura ao mesmo tempo em que se aprofunda a monopolização do capital em outros setores da produção de bens e mercadorias.

BEBETO ALVES: É que isso, na verdade, se tornou uma moeda na disputa política, pelo menos aqui no Brasil. Não existe boa intenção nisso. O discurso da coletividade através de uma postura ideológica claramente identificada dentro da rede como uma esquerda digital, aliada ao campo político do governo, faz o seu jogo e sua negociação, onde a parte mais frágil da produção do capital, a indústria cultural, é depreciada e seus agentes condenados a um cárcere virtual, sujeitos a desapropriação ilegal de seus bens, em nome de um coletivo que se diz dono de tudo: tudo é de todos, toda a produção intelectual é do povo e para o povo e o criador vai ser remunerado por isso, se for,  conforme valores estabelecidos por esse poder. Ora, isso é muito feio. Roubo, assalto. Por que não fazem isso com as revendedoras de automóveis? Com os supermercados? Com os bancos? Isso é pura covardia. Jogo de interesses, jogo de cena que influencia os desavisados e inocentes úteis. No âmbito internacional, desde a quebra do mercado fonográfico pelo mau-caráter do Napster, que não lembro o nome, houve um efeito dominó e uma terra arrasada que faz suas vítimas em todos os segmentos do mercado da indústria cultural. Alguma coisa mudou e está mudando e vai continuar a mudar. Não está nada mais estabelecido. É tudo cada vez mais rápido e o que começou com esse desmantelamento está se construindo de diversas outras maneiras, por exemplo como os crowdfundings e crowdsourcings. Novos tempos. A inteligência humana não tem igual, o tiro saiu pela culatra.

Terceira canção: MILONGA ORIENTAO

MÚSICA ESPARSA: Um dos teus esforços artísticos (como exemplifica o documentário “Mais uma Canção”) tem sido rastrear caminhos e narrativas possíveis sobre as origens de expressões culturais e musicais como a Milonga. Quais os principais discursos sobre a cultura brasileira e gaúcha tu acabaste relativizando nesse percurso?

BEBETO ALVES: Eu não relativizei nada, nunca, sempre me postei na dimensão de uma cultura sul- brasileira, como um apêndice, como um anexo, ao que se convencionou denominar identidade nacional. E quando falo anexo, ou apêndice,  falo de uma dimensão cultural ininteligível para a postura de uma cultura dominante no país caracterizada como uma  cultura tropicalista. Sou pós-tropicalista, não no sentido estético, o que poderia ser uma identificação, mas, no sentido do que “vem depois”, do “adiante”, da dimensão de um país integralizado pelas suas manifestações regionais, por suas riquezas, diversidades e diferenças, pelo meu tempo, pela contemporaneidade. Poderia fazer uma dissertação sobre essa questão do ponto de vista do preconceito imposto pela inteligentzia nacional, pela centralização cultural, que sempre nos identificou com o autoritarismo, com a ditadura, com os militares, com a homofobia, com o racismo e separatismo, não exatamente nessa ordem e muito menos como uma cultura genuína. Nós temos muitos problemas internos e isso nos desfavorece, nos fragiliza nessa relação. Nós somos o nosso maior problema. De qualquer modo acho que essa dimensão de um sul rico, multicultural, contemporâneo e criativo é onde eu me encontro e não abro mão, seja para que Brasil for, ou que sul do Brasil for.

MÚSICA ESPARSA:  Deixe um recado para os leitores do “Música Esparsa”.

BEBETO ALVES: Se assuma!

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