CONVERSA ESPARSA COM THIAGO PETHIT

Foto: Tainá Azeredo

Quando lançou em 2008 o EP Em Outro Lugar, Thiago Pethit já demonstrava trilhar um caminho diferenciado e autêntico no cenário musical brasileiro, característica que se tornou ainda mais visível com seu recém-lançado Berlim, Texas, que reúne 11 canções inspiradas numa abordagem intimista e poliglota sobre o amor e seus desdobramentos. Produzido por Yuri Kalil, o álbum é atravessado por uma sonoridade que tem como referência artistas da estirpe de Yann Tiersen, Edith Piaf e Nick Cave, entre outros.

Surpreendido que fiquei ao escutar as músicas de Pethit, resolvi escrever um pouco sobre elas aqui no Música Esparsa, até que descobri que o cantor e compositor fará show em Porto Alegre no dia 6 de junho no Santander Cultural e pensei em publicar aqui uma entrevista com ele para convidar os estimados leitores deste blog para conhecerem e prestigiarem o artista na sua passagem pela capital gaúcha.

Portanto, confiram abaixo o retorno da seção Conversa Esparsa, com o cantor e compositor Thiago Pethit, além de acessarem o MySpace e o SITE do artista.

Saudações musicais!

1) Como está sendo a recepção do teu trabalho autoral, tanto o EP “Em Outro Lugar” quanto o recente “Berlim, Texas“? A divulgação pela internet ajudou na multiplicação dos teus ouvintes?

Thiago Pethit: A recepção tem sido ótima, por vezes até surpreendente, se pensarmos em parâmetros de música autoral e independente. A internet é o maior aliado de qualquer artista atual em termos de divulgação, mas é o pior inimigo também. Tudo se dissipa na mesma velocidade em que se dissemina. É preciso saber disso para fazer um bom uso desse meio. Só a internet não basta, mas ajuda, e bastante.

2) Tanto no teu EP “Em Outro Lugar”, quanto no álbum “Berlim, Texas”, existem canções em português, inglês e francês. Essa característica pode expressar a pluralidade das tuas influências musicais que, com certeza, extrapolam os limites do cancioneiro brasileiro. Nesse sentido, quais são as principais referências musicais estrangeiras que nortearam o teu processo de composição destes dois trabalhos?

Thiago Pethit: São muitas. Qualquer coisa que eu goste acaba me influenciando, mais ou menos. O que eu gosto realmente e que norteia um pouco as minhas idéias musicais são artistas como Edith Piaf, Yann Tiersen, Lou Reed, Nick Cave, Tom Waits, Kurt Weill. A maioria músicos que de algum jeito passaram pelo teatro, ou possuem alguma semelhança com o espírito de “cabaré”. E tem os mais atuais também, suecos como Lykke Li e Peter Bjorn and John ou até mesmo a Lady Gaga, que me interessa de certa forma.

3) Em grande parte das tuas canções há um tom melancólico e confessional bem marcante. Que outros tipos de referências artísticas além da música (como cinema, teatro, literatura) influenciaram nessa característica das tuas composições?

Thiago Pethit: Essa forma de composição das letras em tom mais confessional, eu nunca soube muito bem de onde veio. Foi o jeito mais natural de escrever as canções, só.

Trabalhei 10 anos como ator de teatro, e minha formação artística veio desses anos. Por isso minha música remete um pouco aos vaudevilles, aos teatros de bizarrices e aos cabarés, mas está presente mais nos arranjos que nas letras. Quando comecei a fazer música não tinha um método. E o mais natural foi ser sincero nas letras. E direto.

4) Há quem diga que arte é uma forma de mostrar uma visão diferenciada do mundo. Partindo dessa premissa, que “mundo” os teus ouvintes podem vislumbrar a partir das tuas canções?

Thiago Pethit: Um mundo no qual a beleza das coisas está contida na sujeira de um cabaré decadente, que pode estar em qualquer lugar deste nosso mundo. Aliás, a idéia de um cabaré é refletir o próprio mundo, num tom saturado, mas é um reflexo.

5) Algumas matérias recentes na imprensa destacam que tu, junto com outros artistas como Tiê, Karina Buhr, Filipe Catto e Juliana Kehl, entre outros, faria parte de uma “nova geração” da música brasileira. No teu processo criativo ou mesmo na divulgação do teu trabalho há uma preocupação com essa questão do “novo”, da renovação e/ou ampliação de horizontes para a música feita aqui no Brasil?

Thiago Pethit: Não tenho intenção de renovar nada, nem preocupação com o “novo”. Me preocupo sim, em ser atual e dialogar com o mundo que estou inserido, com a internet e com as possibilidades criativas e de divulgação que ela me apresenta. Mas não para representar uma novidade. O novo hoje é um enigma sem resposta. A internet nos propôs essa dificuldade, da aleatoriedade, na qual o novo deixa de ser novo a cada pequena descoberta. O que era velho vira novo, de novo e o que é o mais novo, daqui a instantes é velho. Mais do que renovar, me importa estar atualizado em relação ao mundo e responder aos meus anseios de comunicação com a minha música, nos tempos em que vivo.

6) Como foi a escolha dos instrumentistas e demais parceiros que te ajudaram na gravação de Berlim, Texas? Alguns deles te acompanham nos shows?

Thiago Pethit: O ‘Berlim, Texas’ foi resultado da minha temporada de shows após lançar meu primeiro EP . Foram muitas transformações da banda nessa etapa. Comecei com 5 músicos me acompanhando, passei para 4, testei 2, fechei em 3.  Com estes eu descobri um tipo de sonoridade, mais vazia, que norteou o disco novo.  As canções ficaram mais “na frente” e a voz se destacou. Isso me interessava, foi como criar uma nova linguagem. Alguns me acompanham ainda, como o Pedro Penna, violonista que está desde a primeira formação.

7) Quais são teus principais projetos para esse ano de 2010?

Thiago Pethit: Ainda tem muito por vir em 2010. Nos meus projetos estão alguns clipes do “Berlim, Texas”, viajar com o show do disco e o que pintar no meio desses caminhos.

8 ) Deixe um recado para os leitores do Música Esparsa.

Thiago Pethit: “Esparsem” a música!

SONS DA CIDADE (LÉO FERLAUTO E YANTO LAITANO)

por Guto Villanova (Assessoria de Imprensa da MS2 Produtora)

Na terça-feira (11/05), 20h, se apresentam no palco do Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307) os pianistas Léo Ferlauto e Yanto Laitano. O evento abre a programação do Sons da Cidade 2010 organizado pela Coordenação de Música da Secretaria Municipal da Cultura. A entrada é franca mediante a doação de 1kg de alimento não perecível.

Léo Ferlauto, vencedor do Prêmio Açorianos de Música na categoria Pop-Rock com o disco do ano e melhor compositor apresenta um show baseado no seu mais recente trabalho, Simples_mente (2009). A banda que o acompanha é formada por Bebeto Mohr (bateria e percussão), Renato Mujeiko (baixo) e Álvaro Luthi (violão e guitarra).

Na sequência, Yanto Laitano junto a Filipe Narcizo (baixo) e Duda Cunha (bateria) toca seu repertório de canções e também releituras de clássicos de pianistas cantores brasileiros como Zé Rodrix (parceiro de Sá e Guarabira), Arnaldo Baptista (Mutantes) e estrangeiros como Charly Garcia e Burt Bacharach.

Léo Ferlauto iniciou sua carreira compondo trilhas para peças de teatro. Em 1983 lança o Lp Sonho Solto, álbum que é uma das referências da cena musical oitentista porto-alegrense. Ainda na década de 1980 participou do grupo Os Fabulosos Irmãos Brothers, junto com Mutuca, Careca da Silva e o saudoso Chaminé. Em 2009, lança o Cd Simples_mente, onde resgata parcerias com Antônio Carlos Falcão e Dedé Ferlauto, além de ter em Arnaldo Sisson (ex-letrista de Fernando Ribeiro), seu maior colaborador nas composições do disco. Alguns destaques do novo trabalho são as canções “Poetas”, um poema de Florbela Espanca musicado por Léo e uma releitura de sua canção mais conhecida, “Sonho Solto”.

Yanto Laitano, cantor, pianista e compositor com sólida formação musical fez parte do Grupo Ex-Machina de música erudita de vanguarda e da banda de rock Bili Rubina. Em 2000, com a Bili Rubina grava “Meu Amor”, canção de sua autoria que se torna um sucesso nas rádios do sul do Brasil e em festivais como o Planeta Atlântida. Atualmente está gravando um disco com forte acento roqueiro com arranjos elaborados executado por um trio de piano, baixo e bateria. Suas canções falam de amor e existencialismo, com leveza, acidez e ironia.

BRINCO DE PRINCESA

Depois de Gaúcha (2004) e Firmando o Passo (2006), a cantora Shana Müller faz show de lançamento do terceiro álbum de sua carreira solo nesta próxima quarta-feira, 05 de maio, às 21h, no Teatro do CIEE, em Porto Alegre.

Brinco de Princesa (2010) é um cd recheado de canções bem lapidadas, que reforçam o amadurecimento de Shana como intérprete, principalmente quando extrapolam o viés nativista para a construção de uma sonoridade regional que dialoga com outras influências musicais.

No repertório, além das várias músicas compostas por Érlon Péricles, encontramos preciosidades como Identidade (Luiz Carlos Borges) e Ñagapiri (A. Tarrago Rós), que ficaram belíssimas. Além disso, grandes instrumentistas como Michel Dorffman (piano), Marcelo Caminha (violão), Texo Cabral (flauta) e Luiz Carlos Borges (acordeón) abrilhantaram os arranjos das canções.

Portanto, aproveitem essa opotunidade para conhecerem o trabalho de Shana Müller ou mesmo quem já conhece para conferir o show de lançamento deste novo álbum. Para mais informações acessem o NOVO SITE da cantora e o ótimo comentário que o meu amigo Chico Cougo fez sobre Brinco de Princesa no seu blog América Macanuda.

Saudações musicais!

PRÊMIO AÇORIANOS DE MÚSICA 2009

Ontem, dia 28 de abril, no Theatro São Pedro em Porto Alegre, aconteceu a 19ª edição do Prêmio Açorianos de Música. Com homenagem especial ao pianista, compositor e arranjador Geraldo Flach, o evento premiou diversas categorias nos gêneros Instrumental, MPB, Pop/Rock, Regional, Blues/Jazz, Erudito e Rap.

Diferente do ano passado, quando assisti à entrega dos prêmios e presenciei as merecidas vitórias do álbum A Mulher de Oslo de Vanessa Longoni no gênero MPB e do álbum My Baby Just Cares For Me do grupo Delicatessen no gênero Blues/Jazz, esse ano, afastado de Porto Alegre, fiquei sabendo dos resultados apenas hoje.

Dentro da lista de premiados, muitas foram as surpresas para mim. A principal delas foi que o grupo Realidade Paralela infelizmente não levou nenhum troféu dos 5 aos quais foi indicado (melhor disco MPB, melhor espetáculo, melhor intérprete para Vanessa Longoni, melhores instrumentistas para Angelo Primon e Marcelo Corsetti). Realmente fiquei espantado com esse fato, principalmente se pensarmos que o quarteto que forma o Realidade (Vanessa, Angelo, Corsetti e Luke Faro) é formado por quatro dos melhores músicos do Rio Grande do Sul e fez um álbum de qualidade reconhecida além das fronteiras deste estado e foi um dos mais atuantes grupos musicais em 2009, fazendo inúmeros shows em Porto Alegre, em cidades do interior do estado e no Rio de Janeiro. Por essas razões fica registrada aqui minha lástima em relação a essa falta de reconhecimento (para além da indicação apenas e sem menosprezar os outros concorrentes) a esse grande e qualificado projeto musical que é o Realidade Paralela.

Pois bem, além disso, outro estranhamento de minha parte foi em relação à específica categoria de melhor intérprete de MPB, pois, para o meu gosto, seria quase impossível desbancar Vanessa Longoni ou o excelente trio Andréa Cavalheiro, Ana Krüger e Alex Alano como merecedores do prêmio. Mas o quase, nesse caso, fez a diferença. Assim como na categoria de instrumentista de MPB, já que Angelo Primon e Marcelo Corsetti infelizmente não foram agraciados com o troféu, mesmo apresentando uma combinação sonora inovadora entre a guitarra elétrica e a viola caipira nas canções do álbum do Realidade.

No entanto, outras premiações foram muito justas, na minha opinião, entre elas: melhor álbum MPB para Cidade Baixa de Fausto Prado e Caetano Silveira, melhor instrumentista e compositor do gênero instrumental para Maurício Marques e seu excelente Milongaço, melhor álbum instrumental para Bah do Quartchêto, melhor álbum, intérprete e compositor para Oly Jr. com seu álbum Milonga Blues, no gênero Blues/Jazz e o prêmio de Revelação para o cantor e compositor Filipe Catto com seu EP Saga.

Sem mais delongas, confiram AQUI todos os premiados e prestigiem, sempre que possível, o trabalho desses artistas, pois mesmo recebendo troféus desta premiação, infelizmente a qualidade da música deles não tem garantias de que será espalhada para o resto do estado ou mesmo que simplesmente esteja em um teatro ou loja de discos mais próxima de você. Portanto, quem se interessar, corra atrás e valorize esses artistas!

Saudações musicais!

AFROLATINIDADES

Entre maio e junho acontece um evento fantástico no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (RJ). O Afrolatinidades reunirá em diversas datas vários músicos da América Latina, dando uma amostra do panorama  musical riquíssimo desse continente cultural que, infelizmente, é muitas vezes desconhecido do público brasileiro, mesmo aquele mais atento à diversidade musical de outros países.

Abaixo, portanto, o release e a programação do evento que, além de imperdível, é um encontro necessário entre os músicos da América Latina e indispensável para o bom e curioso apreciador de música.

AFROLATINIDADES
Um rico panorama da atual música da América Latina
Songoro Cosongo recebe grandes músicos internacionais no CCBB

por Monica Ramalho

Todos aprendemos no colégio que o Brasil faz parte da América Latina, mas será que existe um intercâmbio musical entre os países vizinhos? Deveria – inclusive mais pelas diferenças do que pelas semelhanças, o que promoveria uma troca bastante fértil. Foi pensando nisso que o chileno Arturo Cussen, músico da banda Songoro Cosongo, rabiscou as linhas gerais da série AFROLATINIDADES, a ser apresentada em maio e junho no Teatro II, do Centro Cultural Banco do Brasil. A proposta é traçar um panorama da atual música afro-latina, com atrações nacionais e internacionais, entre elas artistas que nunca se apresentaram no nosso país (caso do legendário Francisco “Pancho” Amat, de Cuba) e outros que já dialogam com o cancioneiro brasileiro há décadas, como o uruguaio Hugo Fattoruso, que gravou com Chico Buarque e Maria Bethânia.

Formada em 2005, no Rio de Janeiro, por músicos da Argentina, Colômbia, Venezuela, do Chile e do Brasil, a Songoro Cosongo será a banda residente de toda a série, em cartaz nos dias 11, 18, 25 de maio e 1 de junho, às 12h30 e às 19h, com ingressos a R$ 6. A banda exemplifica muito bem o mote do projeto, já que cada integrante veio de um país da América Latina. “Vamos ilustrar musicalmente dois países por show, o que é um desafio dos grandes. Penso em repertórios que sejam muito gostosos de acompanhar, seja tocando ou ouvindo”, diz o curador, ele mesmo um estudioso dos ritmos latinos. Arturo Cussen já rodou muitos lugares com a finalidade de pesquisar música. Foi assim, aliás, que pisou em solo brasileiro.

Songoro Cosongo

É interessante notar que a maioria das atrações da série AFROLATINIDADES faz mais shows na Europa do que em seus países nativos. Você também já viu esse filme? Pois é. Acontece o mesmo por aqui. Alguns de nossos melhores instrumentistas estão radicados no exterior, tamanha a oferta de trabalho e o prestígio de seus nomes lá fora. E o mesmo ocorre com os oito elementos do Songoro Cosongo, especialistas em misturar ritmos como salsa, merengue, frevo, choro, jazz e afro-beat para o nosso ouvido ainda destreinado (quiçá por pouco tempo!). AFROLATINIDADES vem aí para desmistificar a verdadeira música latina aos brasileiros. Ao todo, serão quatro shows de riqueza singular, assim distribuídos:

11 DE MAIO
TROPICALIDADE CARIBENHA: CUBA E CENTRO AMÉRICA

CONVIDADOS: FRANCISCO “PANCHO” AMAT E RENÉ FERRER

Pela primeira vez no Brasil, Francisco “Pancho” Amat virá fazer a abertura do AFROLATINIDADES, ao lado da rapaziada do Songoro Cosongo. “Pancho” é compositor, arranjador e um conceituado tocador de Tres Cubano, um violão adaptado para as exigências naturais da música do seu país. “Muito respeitado em Cuba, ele é ‘O’ cara”, segundo Arturo. O mais requisitado intérprete de Tres nas produções locais, já compartilhou acordes com artistas do peso de Cesária Évora, Ry Cooder e Pablo Milanés. O outro convidado destes shows será o cantautor René Ferrer, radicado há quase uma década no Rio de Janeiro, e um legítimo representante da trova cubana. Os gêneros mais tocados neste dia serão SALSA, SON CUBANO e BOLERO.

18 DE MAIO
BATIDAS MISTAS: COLÔMBIA E VENEZUELA

CONVIDADOS: ALINE GONÇALVES E CHEO HURTADO

O Songoro Cosongo vai receber a brasileira Aline Gonçalves, voraz pesquisadora de instrumentos de sopro latinoamericanos autóctones, como a gaita colombiana, similar a um pife, de origem indígena. E o convidado internacional será Cheo Hurtado, exímio tocador do 4 venezuelano – um violão menor, com som percussivo. Dono de uma técnica impressionante, Cheo faz parte do quarteto Ensemble Gurrufio, que interpreta uma música complexa como o nosso choro e, inclusive, está gravando um disco com o bandolinista Hamilton de Holanda. Cheo também atua como solista e ajuda a difundir a música do seu país pelo planeta. Os gêneros da vez serão JOROPO, CUMBIA e PUYA.

25 DE MAIO
CADÊNCIA DOS ANDES: CHILE E PERU

CONVIDADOS: HORÁRIO SALINAS E RICARDO BARTHA

Do Chile, virá o renomado violonista Horário Salinas. Compositor e arranjador com expressiva atuação político-musical nos anos 70, foi amigo pessoal de Violeta Parra e Victor Jara e colaborou com muitos artistas do mundo, como Wynton Marsalis, Peter Gabriel, Mercedes Sosa e John Williams. Sua criação incorpora a condição cultural da América Latina, fazendo uma mistura das tradições espanholas com a música pré-hispânica e a herança africana. É diretor musical do Inti-Illimani Histórico, banda com mais de 30 álbuns no currículo, que esteve no Brasil pela última vez há 17 anos. Já Ricardo Bartha, cantor e líder da banda Negro Mendes, vai representar a musicalidade do Peru. “Ele é um jovem interessante, professor e compositor e tem um acervo gigante de música peruana. Mora no Rio há dez anos”, pontua Arturo. Os gêneros tocados neste dia serão CUECAS E TONADAS chilenas mais LANDÓS e FESTEJOS peruanos.

1 DE JUNHO
CENTROS URBANOS: ARGENTINA E URUGUAI

CONVIDADOS: RENE ROSSANO E HUGO FATTORUSO

O argentino René Rossano toca guitarra no Songoro Cosongo e vai trazer um baú de inéditas para o AFROLATINIDADES. Arturo brinca, dizendo que ele é um raros compositores que não se interessam em registrar a própria obra. Enfim, vamos conhecer esse material ao vivo no CCBB! Em outra época, o tecladista uruguaio Hugo Fattoruso atuou bastante no Brasil e gravou com Hermeto Pascoal, Toninho Horta, Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Naná Vasconcelos, Miúcha, Geraldo Azevedo e Milton Nascimento, entre outros. “É o único convidado internacional que tem um vínculo com o país”, assinala Arturo. Também compositor, arranjador e vocalista, Hugo é um músico fundamental para entender a sonoridade uruguaia. O público vai ouvir TANGOS, MILONGAS e CANDOMBES.

SERVIÇO

ONDE: Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66, no Centro do Rio de Janeiro. Telefone: 3808.2020)

QUANDO: dias 11, 18, 25 de maio e 1 de junho, às 12h30 e às 19h

QUANTO: R$ 6 (inteira), com meia entrada (R$ 3) para estudantes e maiores de 65 anos

PROGRAMAÇÃO

11 de maio
TROPICALIDADE CARIBENHA: CUBA E CENTRO AMÉRICA

Francisco “Pancho” Amat e René Ferrer

18 de maio
BATIDAS MISTAS: COLÔMBIA E VENEZUELA

Aline Gonçalves e Cheo Hurtado

25 de maio
CADÊNCIA DOS ANDES: CHILE E PERU

Horário Salinas e Ricardo Bartha

1 de junho
CENTROS URBANOS: ARGENTINA E URUGUAI

René Rossano e Hugo Fattoruso

BALEIRO/RAMIL (parte 3)

Com certeza, o álbum Líricas (2000) de Zeca Baleiro é o trabalho do músico maranhense que mais gosto de escutar. E isso pode ser facilmente explicado, já que este foi o primeiro cd que escutei de Zeca, logo após minha irmã ter assistido o show deste álbum em Santa Maria (RS). Na verdade, mais do que isso, Líricas foi o primeiro álbum que escutei e gostei por inteiro, quando ainda não me preocupava em apreciar música de forma mais organizada e sistemática.

Mas não poderia ser diferente quando o repertório do disco começou com Minha Casa (com melodia cativante e letra criativa) e encerrou com a lindíssima Brigitte Bardot, com um epílogo abrilhantado pela mãe de Baleiro cantando Na virada da montanha (Ary Barroso e Lamartine Babo) ao telefone e pela citação de “a alma é o segredo do negócio”, frase-conceito que seria tema de uma canção posterior do compositor.

Diferente dos dois primeiros álbuns de Baleiro, a sonoridade de Líricas é um pouco mais homogênea, construindo uma atmosfera mais acústica e com letras em sua maioria falando do amor em seus diferentes aspectos. Babylon e Nalgum Lugar (poesia maravilhosa de E. E. Cummings traduzida por Augusto de Campos) poderiam muito bem ser temas de alguma serenata sofisticada. Já Você só pensa em grana e Balada para Giorgio Armani falam de um mundo nada agradável para uma alma poética, seja nas relações amorosas (como no primeiro caso) ou nas relações sociais em geral (como no segundo).

Para uma prova de Líricas, abaixo o clipe da música Quase nada (em parceria com Alice Ruiz):

No terceiro álbum de sua carreira, Vitor Ramil apostou em poucas canções longas, diferente das muitas pequenas que atravessaram o álbum anterior. Essa experimentação, como salientei no post anterior dessa série, fez parte de um processo criativo maior, ao qual Vitor se dedicou antes de conceber plenamente as principais linhas da “Estética do Frio”. Neste Tango (1987, com reedição em 1996)), o cantor e compositor pelotense apresentou clássicos definitivos de sua carreira, como Joquim (versão da música Joey, de Bob Dylan e Jacques Levy, com letra baseada na vida de Joaquim Fonseca) e Loucos de cara (em parceria com Kledir Ramil).

A capa do LP "Tango" com o bonito desenho de Carlos Scliar

No entanto, apesar da beleza incontestável dessas canções e de outras do álbum como Sapatos em Copacabana e Passageiro, a música Nada a ver foi a melhor surpresa do disco para mim. A fina ironia da letra e o arranjo que representa bem a tensão dos dilemas do narrador me pegaram de jeito. Mesmo assim, se não estou redondamente enganado, essa não é uma das canções mais celebradas de Ramil. E isso só prova a qualidade do artista, que consegue criar excelentes canções que podem ser redescobertas a cada audição.

Aliás, é justamente em Tango, com suas 8 canções, que Vitor se mostrou um compositor bastante maduro, com letras bem elaboradas e melodias mais complexas. Nesse momento, Vitor morava no Rio de Janeiro e seus parceiros musicais no álbum foram Carlos Bala (bateria), Nico Assumpção (baixo), Paulo Supekovia (guitarra), Leo Gandelman (Sax Alto), entre outros.

Abaixo, Joquim interpretada pelo “Barão de Satolep” durante o espetáculo Tangos e Tragédias:

Não esqueçam, meus próximos comentários singelos e pessoais sobre as discografias de Zeca Baleiro e Vitor Ramil continuarão com Pet Shop Mundo Cão (2002) e À beça (1996).

Saudações musicais!

DE NOVA YORK A BUENOS AIRES

Enquanto o acervo de álbuns lançados em 2010 vai aumentando, ainda há muito o que comentar sobre o que veio ao mundo no ano passado. E neste momento escreverei algumas palavras sobre dois cds de 2009 que não paro de escutar há meses: The Fall, da estadunidense Norah Jones e Fuerza Natural, do argentino Gustavo Cerati.

Esses dois álbuns representam, para o meu gosto, duas das melhores expressões da música pop nos últimos anos, combinando ótimas letras com melodias contagiantes e muito bem construídas.

Norah Jones, em seu 4º álbum de estúdio, distancia-se da levada jazzística que caracterizou algumas de suas primeiras produções e a tornou famosa para arriscar na combinação entre country, rock, blues y otras cositas más em letras bastante pessoais e criativas.

Já Gustavo Cerati, em seu 5º álbum solo, fez uma reunião, como o próprio artista afirmou, das principais influências de seus outros discos. Mesmo assim, a combinação entre o folk, o rock sessentista e pitadas de psicodelia pode ser entendida como o eixo das canções de Fuerza Natural.

É interessante destacar que existem muitas críticas em relação a estes álbuns. No caso de Norah muita gente achou The Fall um álbum pop e óbvio demais e, no caso de Cerati, que neste último trabalho o cantor e compositor argentino poderia ter diversificado mais nos arranjos das canções, sendo que o investimento pesado no folk teria como consequência a pouca originalidade, tanto nas letras quanto nas melodias.

No entanto, não sou “crítico” o suficiente para procurar defeitos em músicas que me fazem sentir bem, independente da originalidade ou não de seus temas e arranjos. Além do mais, prestando atenção no que dizem Norah e Cerati a partir de suas canções vamos encontrar muita poesia e muito lirismo, que são elementos essenciais para a minha fruição musical. E se isso acontecer através do pop, do folk ou do jazz, tanto faz, importa  mesmo é que a poesia transborde por aí.

Abaixo apreciem as canções Tell Yer Mama (Norah Jones, The Fall) e Cactus (Gustavo Cerati, Fuerza Natural).

Saudações musicais!

VERSÕES ESPARSAS 9

No dia 7 de maio, o grande cantor e compositor gaúcho Nelson Coelho de Castro lança seu sexto álbum solo, intitulado Lua Caiada. O show acontece no Auditório da Reitoria da UFRGS, às 21h, com preço único de R$10,00.

Para não deixar passar em branco esse aguardado momento, já que o último álbum do compositor, Da Pessoa, é de 2001, a nona edição do Versões Esparsas traz um vídeo com Nelson em 1986 divulgando seu show A Carne no Jornal do Almoço da RBS TV. O vídeo faz parte do precioso acervo do jornalista Emílio Pacheco, que tem um ótimo blog AQUI e que possui no seu canal do YouTube outras raridades.

Confiram, portanto, a entrevista de Nelson e compareçam no lançamento de Lua Caiada, um álbum que já é motivo de muitos elogios da crítica.

Saudações musicais!

REALIDADE PARALELA CONVIDA DUCA LEINDECKER

É quase uma heresia não ter comentado aqui o excelente show no qual o grupo Realidade Paralela convidou a uruguaia Ana Prada e a espanhola Queyi para dividirem o palco do Paraphernália Bar, no dia 1º de março.

Na ocasião, além de algumas canções do álbum homônimo do Realidade, Ana Prada apresentou algumas das belíssimas músicas de seu recente álbum, Soy Pecadora (2009), entre elas Me quiere sonar, Camalotes sueltos, Juveniles bríos e a canção que dá título ao álbum. Além da sonoridade peculiar sintetizada na interação entre a viola de Angelo Primon, a guitarra de Marcelo Corsetti e a bateria de Luke Faro, a combinação entre as vozes de Vanessa Longoni, Ana Prada (que também tocou violão) e Queyi (que também tocou melódica) foi algo de uma beleza impressionante.

Mas para quem perdeu essa oportunidade, outra edição do projeto Realidade Paralela Convida acontece na próxima segunda-feira (12/04), com a participação especial do cantor, compositor, instrumentista e escritor Duca Leindecker. Confiram abaixo o release do show e compareçam, pois o show promete!

Saudações musicais!

REALIDADE PARALELA

convida

DUCA LEINDECKER

Depois de dois convidados internacionais (Daniel Drexler e Ana Prada), o projeto REALIDADE PARALELA CONVIDA  segue com mais uma edição. O convidado da vez também é um artista internacional, com a diferença  que mora e atua em Porto Alegre. DUCA LEINDECKER, compositor, instrumentista, escritor e cineasta é o convidado da segunda-feira próxima (12/04), 21 HORAS, no PARAPHERNÁLIA BAR – Joao Alfredo 425, fone: 32215225.

O REALIDADE lançou seu primeiro disco no ano passado, obtendo grande destaque da crítica especializada de todo país, sendo considerado o disco do  mês de novembro pelo Jornal do Brasil. Formado por Vanessa Longoni, Luke Faro, Angelo Primon e Marcelo Corsetti, o Realidade busca novas sonoridades interpretando temas conhecidos. Segundo Beto Feitosa “O REALIDADE TRANSFORMA O CONHECIDO EM NOVIDADE!!!

DUCA LEINDECKER é um dos mais destacados músicos de nosso estado. Iniciou sua carreira na Bandalieira e logo obteve grande destaque como instrumentista, chamando a atenção de STANLEY JORDAN E BOB DYLAN. Desde 1991 tem seu trabalho fundamentado na sua banda , CIDADÃO QUEM  e atualmente forma com Humberto Gessinger o duo POUCA VOGAL,  com DVD recém lançado  e fazendo shows de grande destaque em todo país. Já lançou dois livros obtendo reconhecimento unânime de toda crítica especializada.

Nesse show serão apresentadas músicas do Realidade e tambem de Duca, sempre com a sonoridade que tem caracterizado o grupo, ou seja , o desafio de fazer a viola, bateria e guitarra soarem atuais e integrados a música que esta sendo executada. Tudo isso acompanhado das vozes especiais de Vanessa Longoni e Duca Leindecker  que ainda tocará seu violão, sempre executado com perfeição.

O QUE: REALIDADE PARALELA CONVIDA DUCA LEINDECKER

ONDE: PARAPHERNÁLIA BAR – Joao Alfredo 425, fone; 32215225.

QUANDO: 12 DE ABRIL    21 HORAS

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