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Música Esparsa

A TRINCA NO TEATRO DE ARENA

O incrível e histórico Teatro de Arena, localizado nos altos da escadaria da Av. Borges de Medeiros em Porto Alegre, recebe no fim da tarde deste domingo, às 18 horas, um trio de instrumentistas que é expressão do que há de melhor na música instrumental do estado e do país.

O guitarrista Marcelo Corsetti, o violonista Angelo Primon e o acordeonista Matheus Kleber prometem uma grande performance com músicas de seus trabalhos anteriores e com releituras muito inspiradas de temas de outros compositores que são influências dos instrumentistas.

Portanto, prestigiem A Trinca e melhorem seu domingo ao apreciar um excelente espetáculo de música instrumental. Abaixo o cartaz da programação e um vídeo com a música A corrida … extraída do dvd do Xquinas.

Saudações musicais!

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MÚSICA COMENTADA: ARTHUR NOGUEIRA

Créditos: Daniel Pereira

Na estreia da seção Música Comentada, na qual os próprios artistas comentam sobre sua discografia e sobre algumas de suas músicas, apresento para os leitores do Música Esparsa o cantor e compositor paraense Arthur Nogueira.

Dois anos atrás fiquei muito impressionado ao escutar o segundo álbum da carreira do músico, Mundano (2009). A abertura, com uma versão inspiradíssima de Mal secreto (do genial Waly Salomão), já conquista o ouvinte na primeira audição.

Depois, o preciosismo dos arranjos e/ou a densidade poética do repertório manifestam o capricho com o qual deve ter sido pensado e executado o disco de Arthur. Na audição das canções, são notáveis a musicalidade surpreendente e original, uma maneira peculiar e sutil de abordar as relações amorosas e a interpretação elegante e segura do cantor, cuja voz soa, em certos momentos, como um instrumento musical que imprime sentidos inesperados à atmosfera das músicas.

Por tudo isso e pelo que vocês ainda podem descobrir, não poderia, portanto, evitar que este espaço virtual abordasse a riqueza lírica e melódica deste jovem compositor e intérprete que, do que eu conheço, é sem dúvidas um dos melhores de sua geração.

Confiram abaixo os comentários de Arthur Nogueira sobre o seu álbum Mundano (2009) e o EP Mundano + (2010) e algumas das canções destes registros: Mal secreto, e Sobre o mundo.

Saudações musicais!

Disco: MUNDANO

É o segundo álbum da minha carreira, mas o primeiro em que vivenciei todo o processo, da composição aos arremates finais no estúdio. Foi gravado em 2009, no Apce Music Edition, em Belém (PA). É uma realização da Fundação Nacional de Artes (Funarte) via Projeto Pixinguinha. São 8 canções inéditas e 2 regravações: “Mal secreto”, de Jards Macalé e Waly Salomão, e “$ Cara”, dos Dois Irmãos, Marina Lima e Antonio Cicero. A Marina participa do CD, lendo um poema de Cicero na canção “Gratuito”. Tem direção musical de Felipe Cordeiro e arranjos elaborados em conjunto com a banda – da qual, além de mim e do Felipe, fazem parte Renato Torres (guitarra), Maurício Panzera (Baixo) e Arthur Kunz (Bateria).

 Canção 1: Mal secreto

 Ainda lembro quando descobri o Fa-tal na prateleira de discos do meu pai. A poesia de Waly Salomão soou diferente de tudo o que conhecia aos 13 anos. Me pegou bacana. Sempre cantei em shows, mas gravei com receio, pelo respeito a ele, Gal, Macalé, Gordin e toda a turma, que me arrepia até hoje.

Canção 2: Lá

Uma canção sobre o Rio de Janeiro, a primeira em que compus letra e melodia. Por/para Adriana Calcanhoto.

EP: MUNDANO +

O Mundano+ é um álbum virtual, um projeto de transição. Partiu da necessidade de afirmar a palavra escrita no meu trabalho musical. A intenção era despir acordes, frases melódicas, sons orgânicos, a fim de evidenciar o ruído, o vazio, a fala e, portanto, a poesia. Tava lendo O Som e o Sentido, de José Miguel Wisnik, e abri a cabeça a uma série de possibilidades, que me tocaram naquele momento. O EP foi produzido pelo Arthur Kunz (bateria, percussão e samples) e contou com a participação do Renato Torres (guitarra-midi e samples). São apenas 05 faixas: 02 parcerias com o poeta Dand M; 01 faixa experimental, que concebi junto ao Acácio Canto, amigo-músico que mora na Alemanha; 01 regravação, de Filipe Catto e Fernando Calegari; e uma “sobra” do CD Mundano, justamente a faixa-título, de autoria de Vital Lima. O download é gratuito pode ser realizado no hotsite arthurnogueira.ecleteca.com.br

Canção: Sobre o mundo

Esse poema do Dand M me acompanha desde 2005. Em 2009, foi o texto de abertura do CD Mundano. A melodia veio somente na reta final do EP, em 2010. Foi a última a entrar no repertório, mas é hoje o resultado que mais curto.


SEÑOR PHARAON (Siguiendo al rayo)

Uma ótima dica para quem quer conhecer o som dos hermanos uruguayos para além dos artistas comentados aqui (Ana Prada, Daniel Drexler) ou mesmo de clássicos como Alfredo Zitarrosa e Ruben Rada, comento agora sobre a música de Señor Pharaon, a partir de seu disco Siguiendo al rayo, lançado em 2009 pela Little Butterfly Records.

"Siguiendo al rayo" (2009) - Retrato: Federico Borgia. Desenho: Federico Anastasiadis.

Ismael Varela Medina, que faz parte da banda Revolver e já integrou a trupe de Hablan Por La Espalda, criou este projeto de solista e blueseiro adotando o nome artístico de Señor Pharaon, alcunha originada no bairro de La Blanqueada, onde mora, em Montevidéu.

Nessa pérola do blues montevideano, Señor Pharaon apresenta canções em espanhol e em inglês com uma pegada muito característica de uma interessante releitura do blues. Digo releitura porque, além de incorporar outros estilos acústicos, como o Folk e o Country, me parece marcante também, volta e meia, algumas ressonâncias do folklore platino nas suas canções.

A sonoridade emanada dessa experiência criativa relembra o que de mais roots o blues já produziu, principalmente se pensarmos em referências como o estadunidense Robert Johnson e o malinês Ali Farka Touré. Não é à toa que, mesmo baseado fundamentalmente em voz e guitarra, este disco apresente canções com uma diversidade de melodias e nuances próprias dos grandes artistas do gênero.

Talvez a melhor resenha do disco no mundo virtual seja esta do blog Black Beauty, que faz um comentário para cada uma das 10 canções do álbum e de onde eu reproduzo a análise de Blue Red Light, para vocês conferirem abaixo e serem arrebatados pelo blues de Señor Pharaon.

Saudações musicais!

“Blue Red Light”. Lo interesante de este tema es cuando la guitarra y la voz hacen exactamente la misma melodía. Y más aun es cuando la guitarra produce un rasgueo como mariachi mientras que la voz canta gentilmente. Es desoladora y dura. (Texto do blog Black Beauty)

BALEIRO/RAMIL (parte 5)

A alma é o segredo do negócio.

Zeca Baleiro (Balada do Asfalto)

Em melancolia a minha alma me sorriu e eu me vi feliz.

Vitor Ramil (Milonga de Sete Cidades)

Depois de muitos meses, retomo a série de postagens sobre a discografia de Zeca Baleiro e Vitor Ramil com o 5º texto dessa empreitada, sobre os álbuns Baladas do Asfalto e Outros Blues (2005), do Zeca e Ramilonga (1998), do Vitor. Continuar lendo “BALEIRO/RAMIL (parte 5)”

QUEYI E REALIDADE PARALELA

Pessoal, dois shows imperdíveis acontecem este fim de semana em Porto Alegre: a apresentação solo da fantástica cantora espanhola Queyi na sexta-feita na Livraria Cultura do Bourbon Country e a parceria dela com o Realidade Paralela em um show no Café da Oca no sábado.

Abaixo confiram o release do show e as músicas Lorca de Queyi e All because of you na versão sensacional do Realidade Paralela.

Saudações musicais!

Através de uma voz maravilhosa a artista espanhola, residente em Montevidéu, nos proporciona um som fortemente influenciado pela literatura mundial.

Seu primeiro álbum solo, NADA COMO UN PEZ (Warner Dro 2007), estava cheio de poesia e contos perguntas: Eu queria ser um verso haiku, uma mulher que viveu muito bem, um homem arrogante ou um enigma japonês. Depois veio “DESAYUNO A MI MODO” (Lu-Cão Andaluz Games 2009) inspirada na história do poeta Edward Lear “O Jumblies”. Estranhos e aventureiros que navegavam no mar em uma peneira proporcionam espanto nos moradores de seu povoado, ao voltarem 20 anos mais tarde, mais jovens e bonitos.

Através desta idéia sobre a capacidade de transformação, Queyi narra com talento indescritível belas canções de amor e ódio, histórias, sonhos, oceanos e desayunos.
Letras das músicas cheias de poesia refletem a maturidade de uma artista que  a cada trabalho vai mostrando maturidade e criando sua própria sonoridade.
Sua próxima produção, QUEREMOS UN CARRIL BICI, é um álbum para crianças, escrito em colaboração com as artistas uruguaias ANA PRADA e ELVIRA ROVIRA, e gravado em Porto Alegre.

A obra foi traduzida para o Português e em breve será lançada no Brasil ( FARFALLA EDITORA), sob o título NÓS QUEREMOS UMA CICLOVIA, com a voz de Vanessa Longoni E  produção do guitarrista brasileiro Marcelo Corsetti.
O show contará com a participação especial de Vanessa Longoni

O QUE: QUEYI

ONDE: LIVRARIA CULTURA – BOURBON COUNTRY

QUANDO : 20 DE MAIO, 19:30 HORAS

REALIDADE PARALELA E QUEYI

Café da Oca  21 DE MAIO – 21 horas
Paraphernália bar  23 de maio – 22 horas

Encontro inédito ocorre no dia 21 de maio no café da oca. O grupo realidade paralela divide o palco com a artista espanhola Queyi, radicada no Uruguai. Serão apresentadas as canções do disco do realidade,  grupo atuante no Brasil com shows em todo país. Queyi vem a Porto Alegre lançar seus discos, NADA COMO UN PEZ e DESAYUNO A MI MODO . Artista de grande relevância no Uruguai e na Espanha, vem pela primeira vez ao Brasil para apresentar seu próprio trabalho

 

REALIDADE PARALELA é um grupo que pesquisa sonoridades e ambiguidades entre os sons de alta tecnologia e os sons acústicos. É a soma das cáusticas guitarras de Marcelo Corsetti, as matizes acústicas da viola caipira, sitar, rabeca e violão de Angelo Primon,o imenso oceano polirrítmico da bateria de Luke Faro e as personais interpretações de Vanessa Longoni.


ALEX SANT’ANNA – CANSADO

O grande cansaço da existência talvez seja apenas o mal que causamos a nós mesmos para nos mantermos razoáveis por vinte anos, quarenta anos ou mais, ao invés de sermos simplesmente nós mesmos, isto é: atrozes e absurdos.
Louis Ferdinand Céline

Neste “pet shop mundo cão” que se transformou a modernidade do século XXI, são quase inesgotáveis as fontes de cansaço que oprimem os indivíduos e as coletividades. Talvez uma dessas fontes que mais me desgasta atualmente seja a impressionante redução e deturpação da sensibilidade das pessoas. E aqui eu nem preciso especificar essa falta de sensibilidade, porque ela costuma afetar todos os aspectos da padronizada e previsível vida de muitas pessoas nos dias de hoje.
Capa do EP Cansado, feita por ilustreBOB
Pensando sobre esse assunto tempos atrás, deparei-me, coincidentemente, com o EP Cansado (2010), do sergipano Alex Sant’Anna, que traz, na faixa-título e nas outras três músicas inéditas deste trabalho, uma reflexão musical sobre esse mundo de reduzida sensibilidade.
Produzido por Leo Airplane, Cansado ainda possui duas faixas bônus, versões de Aprendendo a mentir e Poesia de barro, já presentes no disco  anterior de Alex Aplausos mudos vaias amplificadas (2004). QUem acompanha o músico nas canções é o próprio Leo (na bateria, piano, samples e melotron), Alemão (baixo), Abraão Gonzaga (guitarra), Aragão (cavaquinho e bandolim), além de participações especiais como a de Wlado na música Engolindo sapo.

Nas canções, desfilam ideias e sonoridades bem representadas pela expressão “minha poesia é de barro, mas meu som é de aço”, pois a critividade de Alex Sant’Anna inclui essa combinação entre o eletrônico, o rock e o telúrico. Aproveitem essa dica e escutem abaixo a música Cansado. No site do artista você ainda pode conferir outras informações e fazer o download das músicas.

Saudações musicais!

BALADA PARA UN LOCO

No dia 16 de novembro de 1969, no Luna Park, a cantora argentina Amelita Baltar apresentou no Festival de Buenos Aires de la Canción y la Danza uma composição que seria um dos marcos do nuevo tango: Balada para un loco, música de Astor Piazzolla e letra de Horacio Ferrer (na imagem acima, capa do disco En persona, 1970). Continuar lendo “BALADA PARA UN LOCO”

R.E.M. (Collapse Into Now)

No dia 6 de novembro de 2008 assisti o melhor espetáculo musical da minha história de vida em Porto Alegre: o show da turnê Accelerate do grupo estadunidense R.E.M. Fã incondicional da banda há anos, aquela grandiosa oportunidade de prestigiar Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills ao vivo me parecia demasiadamente irreal até entrar no Zequinha Stadium, como ficou conhecido o campo do time de futebol São José naquela noite fantástica.

Na apresentação, marcada na época pela eleição de Barack Obama (cuja candidatura foi apoiada pela banda, que fez várias críticas ao governo George W. Bush, especialmente nas canções de protesto sóbrio em Around the Sun), desfilaram as principais canções da carreira do grupo, além de quase todo o álbum recém-lançado na época. Assim, músicas fantásticas dos discos Green (1988), Out of Time (1991), Automatic for the People (1992), Monster (1994), New Adventures in Hi-Fi (1996), Up (1998) e Reveal (2001) rechearam um show de alta energia embasado nas canções de Accelerate, indicador da vitalidade e da criatividade inesgotável da banda de Athens.

Por todo esse envolvimento que tive nos útlimos anos com a música do R.E.M., minha ansiedade pelo 15º álbum do trio era muito grande, desde que a novidade discográfica foi anunciada tempos atrás. E nesta semana que passou, Collapse Into Now (cujas canções foram sendo liberdas aos poucos) deu as caras de forma completa e, mais uma vez, confirmou minha grande admiração pela forma com que os caras conseguem mesclar músicas rápidas e fortes com baladas pop e fazer um álbum formidável toda vez que pisam em um estúdio. Nesse último disco, essa habilidade ainda foi incrementada com as participações fantásticas de Peaches, Patti Smith e Eddie Vedder

Dessa vez, infelizmente, parece que as 12 faixas do disco não serão divulgadas em uma grande turnê, mas sim a partir de vídeos exclusivos, como os das músicas Überlin e It Happened Today. Como já li em algum lugar, o R.E.M. é um raro tipo de banda que consegue explorar o pop sem sofrer as principais e nefastas consequências que acometem outros incautos que dialogam com essa vertente da indústria cultural.

Com vocês, então, duas das excelentes canções de Collapse Into Now: Mine Smell Like Honey e Oh My Heart, que não deixam dúvidas sobre a voz poderosa e belíssima de Michael Stipe.

Saudações musicais!

 

MULHER: A TRAMA DO DESTINO

Era uma vez uma mulher
Que via um futuro grandioso
Para cada homem que a tocava
Um dia
Ela se tocou…

(Alice Ruiz, Ladainha)

Efemérides como este 8 de março, Dia Internacional da Mulher, podem ser encaradas através de pelo menos duas interpretações. A data pode ser usada como uma homenagem efetiva às mulheres, a partir da denúncia da exploração e da violência que as mesmas sofrem cotidianamente (além da discriminação em diferentes espaços da sociedade) ou podemos visualizar nesse tipo de “comemoração” certo “agendamento da crítica” (como já escreveu alguém que não lembro), isto é, reivindicar os direitos das mulheres passa a ter dia marcado, quando deveria ser uma atitude cotidiana.

Em certo sentido também penso que investir demais na ideia de um “dia da mulher” acaba muitas vezes sucumbindo ao binômio masculino/feminino que por muito tempo foi degradante para as mulheres, qualificadas  como a parte mais “frágil” e “inferior” desta dualidade. Ainda tenho minhas dúvidas se é possível atribuir sentidos verdadeiramente positivos ao feminino (pensando que tenham efeito concreto) sem acabar com a dicotomia dos gêneros.

Mesmo assim, essa postagem é uma homenagem que se alimenta de algo que muitas vezes se enraiza nessa dualidade e divisão de papéis entre homem e mulher: o romantismo, expresso nessa letra fantástica do Walter Franco. Apreciem a belíssima canção Senha do Motim, do álbum Tutano (2001).

Saudações musicais!

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