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Música Esparsa

SEMPRETANGO 7: FRACTURA EXPUESTA

El tango no es antigüo, es el presente y el futuro
Es la vida misma, lo que hacemos, lo que decimos
Y muchisimas veces describe lo que fuímos
Para recordar lo que somos

(Chamuyeros)

A dica de hoje da seção tanguera do Música Esparsa não é um artista ou um grupo, mas sim a rádio Fractura Expuesta, que desde 2003 faz uma importante e belíssima divulgação do tango argentino, incluindo aí os principais destaques da cena mais recente deste gênero musical.

A equipe que comanda o AM 530 em Buenos Aires todas as quintas a partir das 22h e 30 min é formada por Germán Marcos e Maximiliano Senkiw (condução, edição artística e produção geral), Hernán Casares (coordenação), Nicolás Esquibel (operação técnica) e Sebastián Linardi (colunista).

No entanto, para quem infelizmente não mora na capital argentina (como eu), basta visitar o sítio eletrônico de Fractura Expuesta, no qual vocês podem, além de ouvir os programas da rádio, conferir ótimos textos sobre intérpretes, compositores e orquestras de tango, notícias e links relevantes, além da indispensável agenda.

Além do excelente trabalho radiofônico, a equipe produz ótimos vídeos das gravações, dos quais deixo dois para vocês assistirem abaixo: o primeiro é do trio Chamuyeros (formado por Jorge “Negro” Latini, Lucas Ferrara e  Maxi Cortez) interpretando Corrientes y  Esmeralda e La abandone y no sabía e o segundo traz Juan Vattuone (ótima dica do Chico Cougo) interpretando Bendito por Dios, um tema inédito em homenagem ao incrível Rubén Juárez.

Portanto, barra querida, escutem Fractura Expuesta que, segundo seus próprios integrantes, seria apreciada até mesmo por Enrique Susini!

Saudações musicais!

LHASA FOREVER

Demorou um pouco, mas agora é oficial: está aberta a temporada 2011 do Música Esparsa. Apesar das mudanças que ocorrerão neste espaço a partir de agora (que serão anunciadas na postagem de aniversário), o primeiro texto deste ano tem o mesmo teor da primeira postagem de 2010: lamentar que já faz um ano que a cantora Lhasa de Sela deixou órfãos seus admiradores.

É claro que esse sentimento de orfandade é consideravelmente diminuído quando escutamos rotineiramente sua obra curta (3 discos), porém intensa, diversificada e (na minha opinião) brilhante. No entanto, ainda não é fácil digerir a idéia de que não teremos mais as fantásticas surpresas trazidas até nós por cada música nova.

No último dia 31 de dezembro, foi lançada uma linda homenagem à artista, uma canção intitulada Snow days for Lhasa, que vocês podem escutar aqui, da autoria de Esmerine e Patrick Watson.

Para quem ainda não conhece a história e a arte desta marvilhosa cantora indico que visitem o site dela e uma postagem que fiz em 2009. E como uma prova da sensibilidade desta artista, confiram abaixo uma bonita e interessante fala dela (baseada em uma história paterna) sobre nascimento e morte e uma interpretação para a canção I’m going in (registrada no álbum Lhasa, de 2009) em um show em Toronto (Canadá), no ano de 2006. Reparem na emoção dela, do público e mesmo na de vocês quando entenderem a letra da canção (que reproduzo abaixo do vídeo).

Saudações musicais!

I’m Going In

When my lifetime had just ended
And my death had just begun
I told you I’d never leave you
But I knew this day would come
Give me blood for my blood wedding
I am ready to be born
I feel new
As if this body were the first I’d ever worn
I need straw for the straw fire
I need hard earth for the plow
Don’t ask me to reconsider
I am ready to go now
I’m going in I’m going in
This is how it starts
I can see in so far
But afterwards we always forget
Who we are
I’m going in I’m going in
I can stand the pain
And the blinding heat
‘Cause I won’t remember you
The next time we meet
You’ll be making the arrangements
You’ll be trying to set me free
Not a moment for the meeting
I’ll be busy as a bee
You’ll be talking to me
But I just won’t understand
I’ll be falling by the wayside
You’ll be holding out your hand
Don’t you tempt me with perfection
I have other things to do
I didn’t burrow this far in
Just to come right back to you
I’m going in I’m going in
I have never been so ugly
I have never been so slow
These prison walls get closer now
The further in I go
I’m going in I’m going in
I like to see you from a distance
And just barely believe
And think that
Even lost and blind
I still invented love
I’m going in
I’m going in
I’m going in

 

GUALITXO

Em novembro de 2009, publiquei aqui no blog uma entrevista com o duo Garufa Tango, formado pelo pianista espanhol Gorka Pastor e o cantor argentino Axel O’Mill. Naquela ocasião, comecei a admirar uma banda da qual Axel (com o pseudônimo de Txe Zelomi) é integrante e também vocalista: a Gualitxo.

Sobre a origem do nome do grupo, vale a pena conferir um trecho da biografia disponível no site da banda:

“Gualitxo, Gualicho o Walichu, para los indios tehuelches de Sudamérica era una especie de espíritu maligno al que se le atribuían todas las desgracias. Los primeros misioneros que llegaban del nuevo mundo lo compararon con el diablo del catolicismo. En la actualidad la palabra gualicho ha adquirido el significado de hechizo o embrujo provocado a través de infusiones, magia negra etc. Lo que se denomina hacer un gualicho o engualichar. Pues el mundo está engualichado hoy en día… Solo que el gualicho ahora es menos mitológico y más egoísta y ambicioso. Las multinacionales deciden el curso de la historia, respaldadas por sus ejércitos y encubiertas por las religiones. La política ha dejado de ser ciencia para transformarse en inconsciencia y los medios de comunicación cumplen la parte de sedante y cortina de humo”.

Formada em Pamplona no ano de 2004, a banda Gualitxo tem dois discos lançados. O primeiro, homônimo, de 2005 traz como principal música a pungente Latinoamerica (confiram abaixo):

Além da importante atitude crítica e política das músicas da Gualitxo, outra marca fundamental é a mistura de sonoridades do grupo, que mescla rock, funk, soul e ska com ritmos latinos, como a cumbia. Outra vez, é siginificativo (e cômico) conferir a descrição da própria banda sobre essa sonoridade:

“Pues se toma dos tazas de ska se agregan 300 gramos de cumbia con unas gotitas de cha cha cha se bate y se agrega el soul y el funky…Se condimenta con Punk y metal a gusto…Se hornea y se adereza con milonga y hip hop para obtener asi una masa de musica Lirico-genital…( lo que nos cantan los cojones)”.

A atual formação da banda é a seguinte: Kiko Terremoto (Bateria) ,Yanpól (Baixo), Mr. Trufa (Guitarra), Iñaki Panoramix (Trompete), Er Tito Poshito (Trombone), Txe Zelomi (Voz e Guitarra acústica) e Jaime e Sérgio Peluso na programação.

O segundo e mais recente álbum foi lançado em 2008 e intitula-se Y sigue el kambalatxe, apropriando-se da temática das malezas do mundo moderno assim como o fez Enrique Discépolo com seu tango Cambalache em 1934. Para exemplificar bem esse aspecto nada melhor do que vocês conferirem a música e a letra de Leche Amarga, uma das composições mais discepolianas dos últimos tempos. Depois disso, vocês ainda podem visitar o site da Gualitxo e baixar o último álbum, dançando ao ritmo de uma afiada crítica à modernidade enfeitiçada pelo consumo e pela mercantilização da vida.

Saudações musicais!

LECHE AMARGA

No te lo creas.
No existe cura para el mal de este planeta.
Todo se vende.
El precio te lo pone siempre una etiqueta.
Y ese martirio que llevas en tu interior
ya te lo mata un aprendiz de Sigmund Freud.
Pagando cara la consulta,
el perdon de quien te indulta,
la idiotez masificada en este rito de terror.

Te la mastican,
te la rebajan, te la venden digerida,
esa mentrira,
que si la dejas te devora tu interior.
Cualquiera es heroe si sale en televisión,
y en esta orgía derrochamos la pasión.
Mientras gozamos como enanos
y de esa teta chupamos
leche amarga que nos quema el corazón.

Y aqui seguimos,
como ingredientes del puchero de unos pocos.
Participamos
en la cocción pero no en la repartición.
Y si reclamas tu bocado te darán,
una paliza por tu bien, ellos dirán,
mientras sonrien en campaña
por detrás te dan castaña
y te clavan su doctrina sin piedad.

Nietos de puta.
Porque al decir solo hijos me quedo corto.
Y en sus bolsillos,
sangre, sudor y lagrimas por capital.
Ellos comandan, tu obedeces y ya está.
Y de las sobras te tienes que alimentar.
Y asi funciona la encerrona
que te aplasta y no perdona.
Si nos ganan que no sea por no luchar.

Por eso grito,
pecando siempre de insistente,
yo no me dejo,
me quedo con toda mi sangre y con mi mente.
Y no me creo esta patraña,
a mi ya facil no me engañan.
La leche amarga de esa teta rancia
ya saben donde guardarla
yo sigo cantando esta canción.
Y lo que dejo en esta tierra
es un grito de insurrección.

BEBETO ALVES EM 3D

2010 não poderia chegar ao fim sem antes eu comentar o mais importante lançamento musical do ano no Brasil: a caixa “Bebeto Alves em 3D”.

Para quem considerar ousada a afirmação anterior, justifico-a com algumas razões: 1) a quantidade do material: não é  qualquer artista (isso só acontece com aqueles que trabalham duro e são bem assessorados) que consegue reunir uma tríade de discos com conteúdos diferentes em um mesmo lançamento; um cd duplo ao vivo, uma coletânea de trilhas sonoras e um cd com canções inéditas gravadas principalmente com voz e violão; 2) a qualidade do material: desde o encarte até às melodias e poesias, o conjunto 3D de Bebeto exala refinamento, cuidado e criatividade, renovando sempre a surpresa agradável de ouvir tanto suas novas composições quanto as releituras de sua carreira; 3) a importância histórica do material: lançamento de caráter inédito no mercado fonográfico nacional, os 3 discos expressam a constante renovação da trajetória artística de Bebeto Alves, que transita com facilidade entre a releitura e a renovação de seu repertório.

Além disso tudo, no trabalho de divulgação deste projeto, circulou um interessante jornal (que vocês podem ler aqui) com entrevistas, depoimentos e comentários de diversos artistas e jornalistas sobre as múltiplas facetas do músico gaúcho.

No disco duplo Bebeto Alves e Os Blackbagual, o repertório é formado por 20 canções que passeiam pela trajetória de 30 anos de carreira do artista. Gravado ao vivo no Teatro de Arena em julho de 2009, em dois shows memoráveis (eu estava lá!), o cd mostra a potencialidade criativa de Bebeto que consegue fazer novas versões que chegam a superar muitas vezes (para o meu gosto) o registro anterior das canções. Álbuns como Bebeto Alves (1981),  Notícia Urgente (1982), Novo País (1985), Pegadas (1987), ... Y la Milonga Nova (2000), Blackbaugalnegovéio (2004) e Devoragem (2008) são representados por duas ou três canções cada um.

Indispensável para a qualidade das canções é a banda formada pelos Blackbagual: Marcelo Corsetti (guitarra), Luke Faro (bateria) e Rodrigo Reinheimer (baixo) que conseguem, ao lado da voz e do violão de Bebeto, extasiar o ouvinte com uma sonoridade rica e empolgante. Participaram também dos shows os grandes músicos Jimi Joe (em Sandina) e Oly Jr. (na sua Milonga Blues). Para um aperitivo do cd, confiram abaixo a belíssima canção Tchau, uma das minhas preferidas:

No disco Cenas, que reúne trilhas sonoras compostas por Bebeto, constam contribuições do artista para cinema, teatro e televisão, entre elas: o espetáculo de luz e sombra A Salamanca do Jarau (da Cia de Teatro Lumbra), o filme Neto Perde A Sua Alma (com trilha de Celau Moreira e direção de Tabajara Ruas e Beto de Souza) e o espetáculo de dança-teatro Deslocamentos, de Renata de Lélis. Abaixo a versão de Boi Barroso (Barbosa Lessa).

E no álbum de inéditas, O Maravilhoso Mundo Perdido, são 15 músicas gravadas basicamente com voz e violão no estúdios da TEC ÁUDIO, em Porto Alegre, que mostram a poesia sempre contemporânea de Bebeto, transitando entre amores, despedidas e histórias urbanas, como na divertida Mar de Gente (escutem abaixo):

Então pessoal, visitem o site do artista aqui e confiram mais detalhes de Bebeto Alves em 3D: lá vocês podem adquirir os discos e saber mais informações sobre um dos mais importantes artistas da nossa música.

Saudações musicais!

PEDRO AZNAR (A SOLAS CON EL MUNDO)

Na minha opinião, o argentino Pedro Aznar é um dos melhores músicos da atualidade. Baixista consagrado desde o final dos anos 1970 como integrante da fantástica banda Serú Girán e convidado em apresentações do Pat Metheny Group, Aznar possui uma carreira de compositor e intérprete invejável e de rara qualidade.

Ano passado, o artista lançou um DVD ao vivo do seu excelente álbum Quebrado (2008), um disco duplo formado por canções próprias e versões inspiradíssimas de gente como Charly García, Sting, Nick Drake, entre outros. Preciosidades como Nocturno Suburbano (no vídeo abaixo) fazem parte do repertório.

Neste ano, expandindo a proposta de espalhar ótimas versões de músicas de artistas consagrados, Pedro lançou o disco A Solas Con El Mundo, que inclui 10 releituras de compositores como Violeta Parra, Joni Mitchell, Cuchi Leguizamón, Andrés Calamaro, entre outros.

Gravado em alta definição, o álbum é formado por canções captadas em 5 shows especiais do artista, que buscaram valorizar um aspecto mais intimista das intepretações.

Para matar a curiosidade, confiram a versão emocionante de While my guitar gently weeps (George Harrison).

Saudações musicais!

 

 

ROGER CANAL NO CAFÉ DA OCA

 

Créditos: Bruno Gularte Barreto

A inquietude à serviço da poesia

Roger Canal combina música e artes visuais no Café da Oca

por Felipe Gue Martini

O multi-instrumentista Roger Canal se apresenta em Porto Alegre neste sábado, 11 de dezembro. O ponto de encontro é o Café da Oca, no Bom Fim, que vai se transformar num ambiente criativo de muita alquimia musical, como de costume em suas apresentações. No repertório, canções do álbum que sai do forno em fevereiro “Leminscata, 9 y Otros Ensayos”, alguns temas de “Desritmpoesia” e canções que ainda estão no laboratório.

Conhecido por apresentações inspiradíssmas, que combinam muita improvisação, intervenções artísticas e instrumentos musicais inusitados (molho de chaves, rádio ondas curtas, vitrolas antigas, etc), o músico pretende dar sequência a série de apresentações em sua cidade natal. Depois da noite vibrante de duas semanas atrás, onde Canal dividiu um pequeno palco com o bandoneonista argentino Pablo Gignoli, no Prefácio Bar, o solo nesse dia 11, será pautado por uma profusão de linguagens à serviço da poesia.

A proposta da apresentação é a liberdade criativa como experiência de construção musical ao vivo (através de samples e gravações que vão se sobrepondo no ato da execução), marca registrada do músico, no entanto o processo não se restringe a uma aventura despreocupada. Muito pelo contrário, Roger Canal, é um artista que vive a partir de sua arte, e não apenas um cético cancioneiro à procura de atenção nos palcos da cidade. Talvez isso explique seu êxito em terras distantes e próximas, como Montevidéu, Buenos Aires, Portugal, Espanha e Áustria. A verdade é uma qualidade universal, sempre presente em suas performances.

Alguns dirão que é pretensioso, que assola culturas tradicionais tocando de improviso e com técnicas próprias, instrumentos como trompete, bombo legüero, darbuka egípcia ou escaleta. Mas em sua defesa, é perceptível a inquietude que traz consigo em pesquisar sem medo de ser acusado, sem medo de movimentar estruturas mais rígidas na busca por expressão genuína.

O que difere de uma ânsia por ser vanguarda, por ocupar pseudo-espaços de genialidade nas cenas musicais mais subalternas, mas que é um mero reflexo de uma personalidade torta. A gênese criativa de Roger Canal parece apontar para esse caminho, para cantos de terreiro, chocalhos com molhos de chaves, rádios não sintonizados, transistores e fitas K-7. Melancolia, vivacidade e um profundo sentimentalismo, típicos de uma raiz sul-americana que se reinventa com a arte contemporânea urbana de cidades frias e distantes. Capitais do novo, mas que ainda parecem não valorizar o emotivo que pode advir da arte (como expressão) em contato com a violência sutil da vida nas cidades.

Sábado, na Oca, quem estiver presente poderá ver e ouvir Roger Canal multiplicado em sua abstração criativa, combinando pinturas, vídeos, intervenções e performances que brincam um pouco com o modelo de instalação artística. Nada surpreendente para uma personalidade que não tem medo de fazer, por não ter medo de errar e expressar o que se é, sem ressalvas, sem limites.

Serviço

Roger Canal ao vivo no Café da Oca

11 Dezembro / Sábado

21h

$12

Café da Oca

Rua Gen. João Telles, 512

Bom Fim – Porto Alegre – RS

http://www.cafedaoca.com.br

Reservas: (51) 3023 – 3538

http://www.rogercanal.org

http://www.soundcloud.com/rogercanal/sets

http://www.youtube.com/rogercanal11

ARCADE FIRE (THE SUBURBS)

Repito que não é a intenção deste espaço comentar artistas que tenham uma considerável inserção no mundo pop, mas raras exceções são permitidas quando determinadas canções sensibilizam minha audição de forma especial.

Este é o caso da banda canadense Arcade Fire que, desde 2004, com seu prestigiado álbum Funeral, derrama uma melancolia muito original no mundo do rock e do pop. Mesmo que muitas vezes essa melancolia seja tingida por tons sombrios, como aconteceu de forma mais aprofundada no disco Neon Bible (2007), não canso em afirmar que a atmosfera das músicas da banda combinam bastante com a forma pela qual me relaciono subjetivamente com certos aspectos da vida.

Mas essa atmosfera melancólica foi dotada de uma leveza inconfundível com o ótimo The Suburbs. Composto por 16 músicas, o mais recente disco do grupo consolida a combinação de arranjos instrumentais criativos e letras muito instigantes sobre um mundo (quase) perdido.

Mundo esse no qual eu vivi boa parte da minha infância e adolescência, jogando bola na rua e compartilhando com os amigos lazeres de uma geração pré-Internet. Nas letras das canções desfilam críticas ao mundo da impessoalidade, dos computadores e do imediatismo. E tudo isso é permeado por uma (re) valorização do mundo suburbano, que funciona muito bem como um microcosmo que possui valores, experiências e subjetividades que se desintegram na atualidade. Um mundo que possui “pequenas grandes histórias” de gente comum que, se não está interligada com o resto do mundo, costuma conviver intensamente com quem está a sua volta.

No entanto, não penso que o caminho para essa reflexão tenha que ser a lamentação e a nostalgia (acho que para o pessoal do Arcade Fire também não é), já que pensar sobre o assunto pode ser uma boa maneira de reavaliarmos nosso cotidiano e nossas relações, recriando sentidos mais concretos e prazerosos para as vidas contemporâneas que andam tão carentes disso.

Assim, para curtir um pouco da leveza melancólica e das reflexões do Arcade Fire, confiram abaixo o videoclipe da faixa título, dirigido pelo conhecido Spike Jonze, e uma apresentação ao vivo do grupo com a fantástica Modern Man.

Saudações musicais!

 

MARCELO JENECI

“Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos”

(Marcelo Jeneci. Por que nós?)

Não tenho dúvidas em afirmar que Feito pra acabar, do Marcelo Jeneci, é o álbum que mais me surpreendeu e me emocionou este ano. Toda essa certeza parece vir tanto da inegável qualidade das composições quanto da persuasão destes aromas primaveris que andam por aí, que combinam muito bem com a atmosfera do disco.

Chegando hoje (!) às lojas, o primeiro trabalho solo do cantor, compositor e multiinstrumentista paulista expressa uma leveza e uma sensiblidade ao tratar de temas como o amor, a felicidade e outros dilemas existenciais que para mim parecem inéditas, apesar das diversas referências pop.

Ano passado tive o privilégio de assistir o instrumentista Jeneci em ação, em duas oportunidades acompanhando Arnaldo Antunes no acordeón e no teclado, como ele faz com outros grandes artistas do nível de Luiz Tatit, Chico César e Zé Miguel Wisnik. E desde que soube do seu álbum em preparação fiquei bastante curioso em conhecer o lado mais autoral do músico.

São tantas coisas boas que passeiam entre as 13 faixas do disco que precisarei de mais postagens futuras para escrever sobre todas. Uma delas é a combinação especial da voz de Marcelo com a da cantora Laura Lavieri, que inunda de graciosidade diversas músicas do repertório. Outra são as versões preciosas de músicas em parceria com Arnaldo Antunes, já gravadas por este, como Quarto de dormir (Ao Vivo No Estúdio) e Longe (Iê Iê Iê).

O time de instrumentistas do álbum também é de primeira, com João Erbetta (guitarra), Regis Damasceno (baixo), Richard Ribeiro (bateria) e Estevan Sinkovitz (guitarra), que garantem nos arranjos uma combinação que emana também das letras, entre o pop e a liberdade criativa da cena independente.

Abaixo, uma provinha das canções com Dar-te-ei (parceria de Jeneci com Elder Lopez e Zé Miguel Wisnik) e Quarto de dormir (com Arnaldo Antunes), numa versão pra lá de emocionante. Vocês podem ainda conferir outras músicas acessando o MySpace do artista.

Saudações musicais!

GEORGINA HASSAN

Bom, eu estava elaborando um texto deveras extenso sobre a trajetória artística da argentina Georgina Hassan. Então me dei conta que minhas palavras, na verdade, só seriam obstáculos a você, leitor, que deve conhecer o mais rápido possível a voz e a interpretação de rara beleza e delicadeza desta artista.

Nascida em Buenos Aires e especializada em guitarra folklórica, Georgina já dividiu palco com Liliana Herrero, Chango Spasiuk, Ana Prada, entre outros grandes artistas da música platina. Seu disco de estréia, Primera Luna, é de 2004 e ano passado saiu o segundo álbum solo, intitulado Como respirar. Em ambos, uma preciosa combinação de jazz e folclore latino-americano.

Abaixo, confiram a interpretação de Georgina para a clássica La Llorona (do primeiro disco) e Carta de abuelo, linda canção do álbum mais recente.

Saudações musicais!

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